Um Festival, duas Escritoras e uma História de Gerações - Maria Cobogó
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Um Festival, duas Escritoras e uma História de Gerações

por Lillian Ratto Neves* |

A caminho da cidade goiana de Ipameri, onde minha filha Flávia Ribas participaria do Festival Literário do Cerrado – FLIC, com seu primeiro livro infantil O Casamento da Girafa com o Leão, conversávamos com Carmem San Thiago, a ilustradora do livro, sobre esse evento e sua programação. Nessa cidade nasceram meu pai, minha avó paterna e outros familiares. Então, ao citar uma escritora que estaria presente, Flávia me disse: “- Mãe, quero que você a conheça. Ela também é arquiteta, além de escritora e ainda desenvolve trabalhos com outras incríveis mulheres escritoras, já fundaram o coletivo Maria Cobogó.” E me explica o que vem realizando esse grupo de escritoras na cena cultural de Brasília. Já havia lido matérias sobre sua atuação, mas não sabia que estavam em estágio tão impressionante.

 Chegando à cidade depois de algumas horas na estrada e de apreciar um belo por do sol no cerrado seco, nos instalamos numa pousada selecionada pela organização do FLIC para receber os escritores do evento. Em seguida, nos arrumamos e seguimos para o Anfiteatro do Centro Diocesano da cidade, onde a escritora Sandra Daher, com raízes na cidade, lançaria seu primeiro livro: Extratos de Conta-Corrente. Assim que chegamos, foi possível perceber que a organização do evento fora realizada com muito esmero, promovendo um ambiente muito agradável para escritores e o público em geral. Estava me acomodando quando minha filha me chamou muito animada, queria apresentar a escritora que citara durante a viagem. Claudine Duarte é uma mulher elegante, com presença marcante no ambiente em que estiver e, ao conversarmos, sua delicadeza e cultura se sobressaíram. Mas algo especial me aguardava. Ao comentar sua ligação com a cidade e o que a literatura representa em sua trajetória, que agradável surpresa descobrir em seus relatos de infância que sua bisavó Ranulfa Vaz era amiga de minha avó Amélia Neves, a bisavó de Flávia Ribas.

A amizade das duas durou anos enquanto moradoras de casas vizinhas na Praça da Liberdade, que trocavam receitas e plantas, que passavam quitutes ou frutas de seus pomares pelo muro no quintal. Que emoção senti ao me dar conta de que, décadas depois, suas bisnetas Claudine e Flávia estavam presentes como escritoras na cidade de seus entes queridos, levando a professores e alunos das escolas locais suas vivências com todo o lirismo e encanto que a literatura traz.

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Lilian Ratto Neves é arquiteta, planejadora urbana e contadora de histórias

Ilustração de Carmen San Thiago, arte-educadora, ilustradora, diretora de arte e atriz: https://www.flickr.com/photos/trabalhoscarmensanthiago/sets/