Maria Cobogó | PAI
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PAI

por Claudine M. D. Duarte

Ele vestia calça azul escuro, camisa social em tom azul mais claro, meticulosamente colocada pra dentro da calça. Um cinto, preto talvez, combinando com os sapatos, provavelmente… não olhei pra baixo. Vi seu rosto, de frente pra mim. Barba e cabelos brancos. Olhos, meio verdes, meio marrons: atônitos. Estava encostado na parede, desentendido.

– Pai?!, eu disse estendendo as mãos e quase tropeçando na surpresa do encontro. – Quero um abraço…, ousei.

Ele, sem jeito e encabulado, abriu os braços e me aninhou no seu peito.

– Você está bem?!, perguntei sem sair do meio do abraço.

Ele suspirou profundamente, com uma das mãos alisava meus cabelos, enquanto se desfazia em nuvem… azul também. Eu me virei para trás… ninguém viu o nosso encontro. Fiquei com as lágrimas e a lembrança do abraço. E foi tudo. 

Queria contar que é possível o encontro nos sonhos… só isso.

***

Foto: Steve Shreve/Unplash

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