NOSSO SOL, NOSSA SOL - Maria Cobogó
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NOSSO SOL, NOSSA SOL

Maria Cobogó * |

Seu relógio, por vezes, dispara em primaveras. Ou seriam verões? O Sol brilha constantemente sobre sua cabeça e, se há nuvens, ela não deixa transparecer, afasta-as com um sorriso. Que está sempre lá. Pronto para tudo e para todos.

Para todos mesmo. Amigos, marido, filhos, amigos dos filhos, canarinhos e quem quer que passe frente à essa linda mulher. E quem a conhece, sabe de quem falamos.

Sim, falamos de Solange Cianni, ser humano que não é único, mas uma galeria de seres e talentos: mãe, atriz, professora, administradora, humana, confidente, escritora, contadora de histórias, performática e, sobretudo, mulher, com M maiúsculo.

Conhecendo seus ancestrais, percebe-se que a alegria é atávica. Habita a alegria e seu ritmo é rápido, os adjetivos transbordantes. A essência de seus sonhos se entrelaça com a vida, com a força da mulher que canta e cria, tornando-se, a cada instante, mais viva e humana.

Solar, podemos compará-la a uma árvore cheia de frutos, no centro de um grande jardim – e dona dele – onde o extrativismo é a fonte da beleza. Dali ela extrai poesia, música, cor, cheiros, fotos e sabores. É uma aliada da natureza, seja quando está nadando, quando está nos palcos, na escola ou quando apenas vive, bailarina de seu próprio recanto.

O humor é o ingrediente que serve de ponte para todas as suas artes. Essas artes que são pontilhadas de memória, fantasia e identidade. Solange atriz é devotada. Luta pela expressão, não só a da artista, mas a do ser.

Atribui à palavra e aos gestos o poder de gerar alegria, de ressuscitar amores e reconstruir a rotina dos dias. Ela traçou um mapa para sua vida e segue por ele, colorindo sua existência e acreditando em um mundo de paz.

Ninguém a define melhor do que ela mesma: “Sofro de entusiasmo”. Ou como em seu poema Dança Maria:

“É com os olhos que grito o que me falta,
como um canto antigo de índia sábia
em pleno ofício da pajelança.
E como não é visível a qualquer olhar,
confundo os desatentos:
Ora sou velha e vulgar, quem sabe sou
moça casamenteira?
Canto, encanto, acendo a fogueira,
e assim nessa brincadeira,
teço a trança,
rodo a saia e inicio a minha dança

OLÉ!

*

*Maria Cobogó é o Coletivo de escritoras que vive, escreve, ama, luta, resiste e trabalha amorosamente. Somos cinco mulheres que se uniram e se deram as mãos.

**Solange Cianni é escritora, atriz, psicopedagoga, irmã de alma e uma das fundadoras do Coletivo Maria Cobogó.