EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO - Maria Cobogó
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EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO

Solange Cianni – Pedagoga e psicopedagoga

“Não será esta a tarefa fundamental da escola: facilitar para que o aprendiz da vida, a grande mestra, incline seu coração para aprender com os próprios passos, para florescer plenamente onde seus pés foram plantados?”
Roberto Crema, Reitor da Unipaz/DF

O grande desafio da escola hoje é educar e capacitar seus alunos para viverem num mundo globalizado, de novas perspectivas e exigências.

É crescente a preocupação dos pais brasileiros com a formação de seus filhos, que os prepare para enfrentar tantas mudanças arrojadas que estão ocorrendo velozmente neste  milênio.

Para tal tarefa, as escolas devem estar vocacionadas para acolher o apelo das famílias em busca de um espaço libertador, para que suas crianças, adolescentes e adultos, possam assumir e expressar a essência de sua condição de sujeitos livres, cientes de seus direitos e deveres. Um espaço pedagógico onde acontece o processo de formação de novos cidadãos, promovendo uma educação transformadora, comprometida com o todo social.

Se quisermos um mundo melhor do que o que temos agora, precisamos investir numa educação que vise formar indivíduos sadios e, consequentemente, uma sociedade mais saudável. Esta é uma visão holística em educação: olhar e escuta atentos ao individual e ao coletivo, ao todo.

É preciso pensar em atividades que desenvolvam no aluno a capacidade de se relacionar com o grupo de forma harmoniosa e coerente, através de exercícios que o convide a fazer escolhas e tomar decisões pessoais e responsáveis, para que ele se desenvolva no plano das capacidades, atitudes e competências.

Segundo a educadora francesa Simone Ramain, a espontaneidade é foco de grande importância para estimular as invenções e descobertas. Destaca, ainda, a criatividade como atividade que transgride o óbvio, sugerindo atitudes autônomas e livres, que rumarão ao autoconhecimento, fator considerado muito importante nesse século.

Edgar Morin, em seu livro “A Cabeça Bem Feita” afirma que a Educação deverá levar os jovens a se encontrarem nas novas profissões que ainda surgirão no futuro  e, sobretudo, dar-lhes o sentido do respeito ao outro, de abertura e de tolerância, fazendo com que eles participem plenamente da apaixonante aventura que é a busca do saber.

Defende ainda Morin um princípio unificador do saber em torno do ser humano, valorizando o seu cotidiano e sua singularidade. Um resgate de valores como decisão, vínculo, iniciativa e criatividade.

Aqui no Brasil podemos citar Paulo Freire dentre os que apontam para esse paradigma holístico. Entretanto é na conscientização que se encontra a sua categoria fundamental: conscientizar e organizar para alcançar a transformação social.

O amor também é citado, com ousadia, como importante elemento transformador na educação. Roberto Crema, Reitor da Unipaz/DF, destaca a Pedagogia do Amor, quando diz que é necessário religar o conhecimento ao amor. “… sem amor não é possível reinventar e reencantar nenhum mundo, nenhuma sala de aula (…) porque esta é a primeira e a derradeira lição de uma verdadeira Escola Transdisciplinar Holística .”

 Há que se abrir um espaço para que as crianças possam expressar seus sentimentos. Não falo só do amor ou da alegria, que deve permear toda prática pedagógica, porque falar destes sentimentos é falar de qualidade de vida, de algo além do conhecimento, bem próximo à sabedoria. Falo também da raiva, da tristeza e outros sentimentos que não são bem-vindos à sala de aula. É preciso que a Escola  abra espaço para exercitar a inteligência emocional, oferecendo instrumentos para ajudar seu aluno a aprender a expressar, traduzir, administrar e transformar tais sentimentos, conduzindo-o ao crescimento pessoal e de melhor relacionamento com o grupo..

Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores, aqueles que formam pessoas, transformando informação em conhecimento e, consequentemente, promovendo a transformação do indivíduo/ aprendiz, que como num jogo de dominó, transforma, aos poucos, a si próprio, o grupo escolar, a família, a sociedade.

Aqui se fala de uma educação que vai muito além da transmissão de informações.