E agora? - Maria Cobogó
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E agora?

Por Christiane Nóbrega

De longe a observava.
Como chegou a esse ponto?
Raiva, decepção e pena.

Um arremedo de si.
Um tapa na cara resolveria?
– Tá enganando quem? Acorda!

Um espelho incômodo de se ver.
Cadê sua coragem?
Desmanchou com a chuva que não cai no Planalto Central desde maio?
Perdeu-se nas obviedades de Brasília?
 
A expectativa frustrada doía.
Ela dava duro pelo tal futuro.
Tinha de ter valido à pena!
Que droga!
Aquele futuro sem graça a fez lembrar de Macabeia.
Sonhos? Planos?
Nem o sorriso tava mais lá.
 Uma lástima.

Precisava voltar.
Como acertar? O que mudar?
A resposta estava na resistência.

Resistir sendo.
Não se permitir ser moldada.
É isso.
Ela, um passado decepcionado com o futuro.
Ela com o peso de toda uma existência em suas costas.
Resistiria. Resistiria.