Maria Cobogó | A força da cultura candanga
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A força da cultura candanga

Por Marcia Zarur

Para uma cidade que dizem sem cara, Brasília mostra suas mil faces. Para quem acha que não temos identidade, a cidade se revela em toda a sua essência. Temos, sim, influências de todos os cantos desse país continental, mas temos também um jeito próprio – que é só nosso.

Pode até ser uma síntese de tantas culturas, hábitos e tradições. Mas definitivamente é uma cultura própria. Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, no Centro de Invenção, não me deixa mentir. Tem a presença do Nordeste no ritmo, tem o maracatu e o reisado no jeito de brincar, mas a assinatura de Brasília está na alma.

“A gente tem influências de muitos lugares e de várias tradições, mas uma coisa que diferencia muito o grupo é a própria referência da cidade”, conta Tico Magalhães, um dos criadores do Seu Estrelo.

A batida do tambor e os elementos do cerrado deram origem ao Samba Pisado, nascido e criado na cidade. E a apresentação principal, o Mito do Calango Voador, em uma das partes narra a criação da capital.

“A cultura popular de Brasília sempre foi muito rica, mas muito escondida também. Parece que as pessoas não a conhecem e a cidade tem um pouco isso – precisa ser desvendada”, provoca Danielle Freitas, outra integrante do grupo. “Brasília é uma invenção!”

E essa invenção está em tudo. No plano urbanístico que divide a cidade em escalas, como numa sinfonia. Na música, que floresce do rock ao choro, passando pelo rap, com sotaque candango. No teatro, de Dulcina de Moraes aos irmãos Guimarães. Nas artes em geral e até na culinária. Se não temos um prato típico na capital, aqui há invenção para aproveitar os sabores únicos de frutas e castanhas do cerrado em iguarias com a marca de Brasília.

Temos, sim, uma forte cultura candanga, basta aguçar os sentidos para saboreá-la e aproveitá-la em toda a sua essência.

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foto: divulgação seuestrelo.blogspot.com