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	<title>Arquivos poesia - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
	<lastBuildDate>Mon, 09 May 2022 02:47:58 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Dois poemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 00:07:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Tânia Maria * | MÃE Se vive. Se pensa que se vive. O tempo passa. Não ouvimos pelos olhos, não enxergamos pelos ouvidos. E o tempo passa...   Hoje, eu te escutei, Hoje, eu te vi.   Você não falou e não me enxergou. Porém, eu te vi e te escutei.   Você, cabeça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Tânia Maria *</strong> |</p>
<blockquote><p><strong>MÃE</strong></p>
<p>Se vive.</p>
<p>Se pensa que se vive.</p>
<p>O tempo passa.</p>
<p>Não ouvimos pelos olhos,</p>
<p>não enxergamos pelos ouvidos.</p>
<p>E o tempo passa&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje, eu te escutei,</p>
<p>Hoje, eu te vi.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você não falou e</p>
<p>não me enxergou.</p>
<p>Porém, eu te vi e</p>
<p>te escutei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você, cabeça branca,</p>
<p>ossos desnudos,</p>
<p>olhos tristes.</p>
<p>Devorada pela vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Me vi em você.</p>
<p>Me enxerguei em você.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meu coração chorou.</p>
<p>Mas, sabemos, não basta ele chorar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É preciso muito mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E o tempo correu, e, mãe,</p>
<p>ele passa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você partindo, vai com você</p>
<p>um pedaço de mim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E eu, tão incompleta,</p>
<p>fico tentando lhe enxergar</p>
<p>e lhe ouvir mais.</p>
<p>Talvez, querendo diminuir</p>
<p>a mutilação que trago</p>
<p>em mim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>* * *</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>CONTRAMÃO</strong></p>
<p><strong>                                   </strong><em>Para minha mãe</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como poderia</p>
<p>mostrar a você</p>
<p>o sol,</p>
<p>se nem</p>
<p>vislumbrava a luz?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como poderia</p>
<p>servi-la com</p>
<p>bondade,</p>
<p>se nem</p>
<p>discernia o mal?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como poderia</p>
<p>presenteá-la com</p>
<p>amor,</p>
<p>se nem a mim mesma</p>
<p>eu amava?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando vi</p>
<p>a luz</p>
<p>e, em êxtase,</p>
<p>lhe busquei,</p>
<p>você já não estava.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando aprendi</p>
<p>a bondade</p>
<p>e quis oferecê-la,</p>
<p>você já havia partido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando mergulhei</p>
<p>no mar do</p>
<p>amor,</p>
<p>e me afoguei</p>
<p>em suas delícias,</p>
<p>e lhe busquei</p>
<p>(para brindá-la</p>
<p>com uma poção</p>
<p>dos deuses),</p>
<p>você era apenas</p>
<p>uma ausência</p>
<p>latente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>* * *</strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>* <strong>Tânia Maria Diniz Duarte</strong> é goiana de Ipameri, completou oitenta anos em março deste ano e publicou seu primeiro livro, <em>Porta-Retrato</em>, pelo selo editorial Maria Cobogó. Os dois textos deste post integram a obra que contem oitenta poemas de sua autoria. Tânia Maria vive em Anápolis e, além de seu livro, plantou várias árvores, tem duas filhas, dois filhos, três netos, quatro netas, três bisnetos e uma bisneta que completa 18 anos neste maio.</p>
<p><strong>Imagem:</strong> <em>Flor de Maio</em> (<a href="https://portalvidalivre.com/articles/36">Portal Vida Livre</a>)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>BEM-TE-VI</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/bem-te-vi/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 00:07:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Eva Leones * |   Hoje pensei em você como quem pensa num poema Um poema que anda por aí Nos odores das frutas, nas calçadas, Cigarros, maçãs, café E flor   Um poema que se espalha nas folhas das árvores Do outono e do inverno no chão da cidade Nos jardins da cidade,</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Eva Leones * |</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Hoje pensei em você como quem pensa num poema</p>
<p>Um poema que anda por aí</p>
<p>Nos odores das frutas, nas calçadas,</p>
<p>Cigarros, maçãs, café</p>
<p>E flor</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um poema que se espalha nas folhas das árvores</p>
<p>Do outono e do inverno no chão da cidade</p>
<p>Nos jardins da cidade, sua grama amarela,</p>
<p>Nos galhos ressecados, crocantes, ariscos</p>
<p>Da cidade</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje pensei em você como quem sente um poema chegando</p>
<p>Nos passos, nas pernas, no modo de falar cadenciado</p>
<p>Segundo uma melodia regional</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um poema que atravessa avenidas e se expõe</p>
<p>Aos automóveis e ao sol do amanhecer e do anoitecer</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ou</p>
<p>Um poema que espreita da janela de um apartamento,</p>
<p>De uma quitinete em uma região central (no entanto),</p>
<p>De um escritório ou uma cozinha de restaurante,</p>
<p>De uma fresta no subterrâneo num lugar qualquer</p>
<p>Que é, na verdade, o lugar de quem vê</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De quem vê a partir de seu eu,</p>
<p>De sua particularidade, de sua nuance</p>
<p>Única, insubstituível</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje pensei em você como quem pensa num longo poema</p>
<p>Um poema sem tempo determinado</p>
<p>Sem rima explícita</p>
<p>As margens fugidias, melodias inexatas,</p>
<p>Ângulos, instantâneos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje pensei em você e notei que já não era</p>
<p>Pensar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meu pensamento</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Era sentir</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p>*<a href="https://www.instagram.com/tatu.com.insonia/"><strong>Eva Leones</strong></a> é escritora e doutora em Letras pela USP. Promove cursos e oficinas de literatura e formação de leitores e escritores em <a href="https://www.instagram.com/travessiasdaliteratura/">@travessiasdaliteratura</a>. Sabe que a poesia é necessária e produz e divulga textos próprios e de outros autores. O poema acima foi publicado em seu primeiro livro <strong>Tempo/Pássaro</strong> pelo Coletivo Editorial Maria Cobogó.</p>
<p><strong>Imagem: </strong>reprodução de foto de <strong><a href="https://citizenatelier.com/pages/artists-antonio-mora">Antonio Mora</a></strong>.</p>
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		<item>
		<title>MULHER</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Dec 2020 07:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[ano novo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Fátima Pereira * |   Porque sou mulher                                               Posso ser louca, insana, arredia Minha alma, muitas almas Sou a Sofia dos gregos A Joana dos desesperados   A bruxa queimada em Salamanca Beata na visão de Fátima A filha do profeta à beira da fonte Madre Teresa dos pobres Uma Chica da Silva...  </p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/mulher/">MULHER</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Fátima Pereira * |</strong></p>
<blockquote><p>&nbsp;</p>
<p><strong>Porque sou mulher                                              </strong></p>
<p><strong>Posso ser louca, insana, arredia</strong></p>
<p><strong>Minha alma, muitas almas</strong></p>
<p><strong>Sou a Sofia dos gregos</strong></p>
<p><strong>A Joana dos desesperados</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A bruxa queimada em Salamanca</strong></p>
<p><strong>Beata na visão de Fátima</strong></p>
<p><strong>A filha do profeta à beira da fonte</strong></p>
<p><strong>Madre Teresa dos pobres</strong></p>
<p><strong>Uma Chica da Silva&#8230;</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Porque sou mulher</strong></p>
<p><strong>Posso ser fada, gueixa, cigana</strong></p>
<p><strong>Ruína, construção, cataclisma</strong></p>
<p><strong>Maria Madalena</strong></p>
<p><strong>A Marilia de Dirceu</strong></p>
<p><strong>A ativista Flora Tristan</strong></p>
<p><strong>Olga lutando pela liberdade</strong></p>
<p><strong>Florbela morta de amor</strong></p>
<p><strong>Julieta tola e apaixonada</strong></p>
<p><strong>Chiquinha Gonzaga&#8230;</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Porque sou mulher</strong></p>
<p><strong>Posso predizer o futuro</strong></p>
<p><strong>Quebrar as regras</strong></p>
<p><strong>Ter um lado secreto</strong></p>
<p><strong>Outro iluminado</strong></p>
<p><strong>Impenetrável aos olhos desatentos</strong></p>
<p><strong>Posso ser menina</strong></p>
<p><strong>Ingênua, tímida</strong></p>
<p><strong>Com a sabedoria</strong></p>
<p><strong>De uma anciã milenar&#8230;</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Porque sou mulher</strong></p>
<p><strong>Posso ser todas as coisas</strong></p>
<p><strong>De rainha à plebeia</strong></p>
<p><strong>De Afrodite à sem-terra</strong></p>
<p><strong>Uma deusa, uma simples mortal!</strong></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Fátima Pereira</strong> é poeta e professora da rede municipal de São Roque. Possui licenciatura em Letras pela USP, especialização em Gramática e Texto e cursa Literatura Infantil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagem: aquarela de <a href="https://www.behance.net/mario-alba">Mario Alba</a></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/mulher/">MULHER</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRECE</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/prece/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Dec 2020 00:07:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<category><![CDATA[NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[prece]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes * |   Meu Deus ( se meu Deus houver) me dê a paciência dos pescadores para que eu possa esperar tudo que ainda hei de ver e viver   Me dê a serenidade dos morros para que eu possa, estóica em pedra, durar o tempo do mundo   Meu Deus</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/prece/">PRECE</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes</a> * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Meu Deus ( se meu Deus houver)</strong></p>
<p><strong>me dê a paciência dos pescadores</strong></p>
<p><strong>para que eu possa esperar tudo</strong></p>
<p><strong>que ainda hei de ver e viver</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Me dê a serenidade dos morros</strong></p>
<p><strong>para que eu possa, estóica em pedra,</strong></p>
<p><strong>durar o tempo do mundo</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Meu Deus (se meu Deus houver)</strong></p>
<p><strong>me dê ainda por bom tempo</strong></p>
<p><strong>o tempo de ouvir os netos,</strong></p>
<p><strong>o riso dessas crianças e seu doce crescimento</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Me dê mais tempo para plantar</strong></p>
<p><strong>e para colher para os que virão</strong></p>
<p><strong>a partir do meu ventre</strong></p>
<p><strong>me eternizando na vida</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Meu Deus (se meu Deus houver)</strong></p>
<p><strong>acrescente ao meu ser justiça</strong></p>
<p><strong>para que eu possa com sapiência</strong></p>
<p><strong>não julgar, mas desviar-me do mal</strong></p>
<p><strong>e procurar o bem</strong></p>
<p><strong>como a água que se procura</strong></p>
<p><strong>em deserto, sedenta dessa dádiva</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Me dê o fogo, a luz e o desejo</strong></p>
<p><strong>Para que eu não esqueça</strong></p>
<p><strong>que o amor é o que aquece,</strong></p>
<p><strong>alimenta e enriquece a vida</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Meu Deus (se meu Deus Houver)</strong></p>
<p><strong>me dê as águas para que nela me banhe</strong></p>
<p><strong>e me purifique, me sacie e me irrigue</strong></p>
<p><strong>para que eu possa, múltipla,</strong></p>
<p><strong>gerar o desafio da existência</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Me dê, se você houver,</strong></p>
<p><strong>o dom da palavra e da escrita</strong></p>
<p><strong>para que eu sempre me permita</strong></p>
<p><strong>ousar o verso, a rima, o verbo</strong></p>
<p><strong>e embalar minhas dores e minhas penas</strong></p>
<p><strong>com o ritmo de meus poemas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Peço-lhe, meu Deus,</strong></p>
<p><strong>se meu  Deus é,</strong></p>
<p><strong>nunca me livre do estado de êxtase</strong></p>
<p><strong>que encontro ao contemplar o céu e as estrelas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Me dê, meu Deus, se puder,</strong></p>
<p><strong>a gentileza como penitência</strong></p>
<p><strong>e que ao fim de tudo</strong></p>
<p><strong>quando o mundo for perdendo as cores</strong></p>
<p><strong>reúna em torno de mim meus amores</strong></p>
<p><strong>celebrando comigo a alegria</strong></p>
<p><strong>de não ter vivido em vão</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Por fim, meu Deus,</strong></p>
<p><strong>em sua infinita paciência,</strong></p>
<p><strong>não permita que eu morra</strong></p>
<p><strong>sem a certeza de sua existência.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Amém.</strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*<a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes</a></strong> é jornalista, escritora e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó. Apaixonada pela vida, nos cedeu sua prece tão necessária em nossos tempos. Acreditemos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/prece/">PRECE</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PRECE NA PANDEMIA</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/prece-na-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 02:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#2020]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[prece]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lucilia de Almeida Neves Delgado * |   Ouço o silêncio das milhões de dores atordoa mais do que amores perdidos É pesado como tristezas minerais   O ar maciço como água represada pede oração   Que teus sonhos se tornem insônia definitiva para os indiferentes Que pintem suas almas com cores enlutadas dos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por<strong> Lucilia de Almeida Neves Delgado * |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Ouço o silêncio das milhões de dores</p>
<p>atordoa mais do que amores perdidos</p>
<p>É pesado como tristezas minerais</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ar maciço como água represada</p>
<p>pede oração</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que teus sonhos se tornem insônia definitiva para os indiferentes</p>
<p>Que pintem suas almas com cores enlutadas dos sonhos desfeitos</p>
<p>Que o coro de tuas vozes acorde os distraídos</p>
<p>neles esculpindo cicatrizes profundas</p>
<p>Que tuas saudades ressoem nos olhos dos que ditam</p>
<p>tornando-os opacos e sem vida</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que as agonias dos que ficaram</p>
<p>ressoem em agudos gritos nos ouvidos dos poderosos</p>
<p>Que o sofrimento das horas em que tuas vidas se apagaram</p>
<p>se transforme em chagas nas entranhas dos maus</p>
<p>Que a solidão das despedidas</p>
<p>se faça constância na vida dos dominadores</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que a terra que se fez leito frio, definitivo</p>
<p>feche a garganta dos indiferentes poderosos</p>
<p>Que as dores dos que ficaram</p>
<p>atinjam como milhares de setas os corações dos coniventes</p>
<p>Trazendo-lhes sofrimento irremediável, atroz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que das luzes das estrelas</p>
<p>Façam-se mel nas mãos dos que te socorreram</p>
<p>Que as flores matutinas</p>
<p>suavizem as lágrimas dos que te perderam</p>
<p>Que as teclas dos pianos</p>
<p>consolem as vidas que seguirão no apesar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que as almas dos que por tuas vidas lutaram</p>
<p>ganhem fluidez de nobre beleza</p>
<p>Que a generosidade dos que te acolheram</p>
<p>faça  canções para alegrar-lhes a vida</p>
<p>Que a força dos que resistiram</p>
<p>torne-se certeza de renovado futuro</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que o céu possa acolher com suavidade os que chegam</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que milhões de estrelas cadentes se desprendam das nuvens</p>
<p>trazendo boa nova ao mundo</p>
<p>Amém!</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Lucília Neves de Almeida</strong> <strong>Delgado</strong> é escritora e historiadora. Ama flores, poesia e a vida. Tudo junto e misturado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagem: <em>O Tempo (2019-2020)</em>, de Tâmara Habka: <a href="https://www.instagram.com/paprikadatil.art/">@paprikadatil.art</a></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ponto 45</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/ponto-45/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 14:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Negro]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Amancio * | o   sol espreita pelas frestas. a neblina acalenta os óculos escuros. pingos lacrimejam o dia. ando ao portão entreaberto. a lembrança entre rasga a voz. no silêncio, o cheiro de flores e mármore. a chuva fina o arco-íris despedem-se da manhã. a terra cobre o corpo. Sem chão, prendo a memória.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Jorge Amancio * |</strong></p>
<blockquote>
<p>o   sol<br />
espreita<br />
pelas frestas.<br />
a neblina<br />
acalenta<br />
os óculos escuros.<br />
pingos<br />
lacrimejam<br />
o dia.</p>
<p>ando<br />
ao portão<br />
entreaberto.<br />
a lembrança<br />
entre rasga<br />
a voz.<br />
no silêncio,<br />
o cheiro de flores<br />
e mármore.</p>
<p>a chuva fina<br />
o arco-íris<br />
despedem-se<br />
da manhã.<br />
a terra<br />
cobre<br />
o corpo.</p>
<p>Sem chão,<br />
prendo<br />
a memória.</p>
<p>mudo<br />
a cama de lugar,<br />
abraço<br />
o travesseiro.</p>
<p>guardo<br />
a munição<br />
ponto 45.</p>
<p>ouço<br />
Lupicínio Rodrigues<br />
e choro.</p>
<p><strong>***</strong></p></blockquote>
<p><strong>* <a href="https://www.facebook.com/people/Jorge-Amancio/100001370670327">Jorge Amancio</a></strong> é físico e poeta. Escreveu três livros: <em>Negro Jorgen</em>, <em>Batom D’Amor</em> e <em>Morte</em> e <em>Nósourtxs</em>.  Seu primeiro poema foi publicado pelo jornal &#8220;Raça&#8221; do MNU. Em Brasília, participou da criação do <em>Movimento Negro Unificado</em> e foi fundador do <em>Centro de Estudos Afro-Brasileiros</em>. Também participou do <em>Centro Cultural Asé Dudu</em> e criou e edita o grupo <strong>Os Três Mal-amados</strong>. (instagram: <a href="https://www.instagram.com/negrojorgen/?hl=pt-br">@negrojorgen</a>)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>TOSSE</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/tosse/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2020 00:03:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#2020]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poetas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>  por  Rogério Bernardes* |   desenvolvi um medo patológico de tossir não só em público, até porque raro mas principalmente sozinho no escuro voluntário dos túneis que cavei entre a cozinha, o quarto e o banheiro por onde passam - um de cada vez - meus temores seguro o fôlego ao olhar a bandeira</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>por  Rogério Bernardes* |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>desenvolvi um medo patológico de tossir<br />
não só em público, até porque raro<br />
mas principalmente sozinho<br />
no escuro voluntário dos túneis que cavei<br />
entre a cozinha, o quarto e o banheiro<br />
por onde passam &#8211; um de cada vez &#8211; meus temores</p>
<p>seguro o fôlego ao olhar a bandeira<br />
no prédio em frente ao meu<br />
bem na altura do meu andar<br />
e que esfrega toda manhã na minha cara<br />
seu patriotismo colorido e usurpado</p>
<p>(faltou o vermelho-escuro<br />
no lábaro que ostentam estrelado<br />
usado pra cobrir os corpos-que-tossem-sangue<br />
mas este sempre é lavado com alvejante<br />
porque deus os livre de coagular rápido<br />
e manchar de ódio o álibi das varandas gourmet)</p>
<p>também quase me engasgo, mas não tusso<br />
ao ouvir os hinos de outro logradouro<br />
perto do meu esconderijo<br />
falando de um deus dos primeiros livros<br />
que só vocifera aponta condena<br />
(e não tossir é questão de sobrevivência<br />
porque se descobrem pelo tom de meus escarros<br />
onde arranjei as maldições respiratórias<br />
ai de mim! ai de nós!)</p>
<p>a voz dos louvores até parece angelical<br />
se eu ainda acreditasse neles<br />
se suas asas não escondessem uma pistola<br />
e uma mordaça que de longe até parece máscara<br />
mas bem de perto só serve nas fuças<br />
de gente como eu – que ainda cospe</p>
<p>desenvolvi estratégias agorafóbicas de tossir<br />
audácias envergonhadas de respirar<br />
e fórmulas escondidas pra gritar</p>
<p>eles pensam que é silêncio e nada ouvem<br />
enquanto a mensagem chega felina<br />
aos ouvidos tuberculosos dos que ainda escarram<br />
(não mais nas bocas dos que beijam o poeta)<br />
na bandeira usurpada e nos rádios que nos matam<br />
fingindo curar enfisemas inventados<br />
arrancando os pulmões de quem tosse<br />
pedaços coagulados de resistência</p>
<p>confesso ainda ter medo de tossir<br />
mas quando a epidemia for inevitável<br />
e eu tiver de espalhar as gotículas<br />
e elas infectarem outras vias e outros peitos<br />
não sei se terei pena dos rádios celestiais<br />
e do matiz hipócrita no verde-louro dessa flâmula<br />
tremeluzente na frente do meu bunker</p>
<p>quando o fungo começar a se espalhar<br />
sairemos de nossos esconderijos<br />
e escarraremos nas mãos que nos apedrejam</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p>* <strong>Rogério Bernardes</strong> é poeta, natural de São Gonçalo/RJ e vive em Brasília. É autor de três livros: <em>Olhar de andorinha</em> (Scortecci, 2014), <em>Cantigas de ninar dragões</em> (Penalux, 2017) e <em>Cinzas de fazer fênix</em> (Penalux, 2019).</p>
<p>Tosse (2020) &#8211; Direitos reservados Rogério Bernardes |  Instagram: <a href="https://www.instagram.com/rogeriovbernardes/?hl=pt-br">@rogeriovbernardes</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagem: Lungs of the Earth, de Katerina Eremeeva</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vovó virou bolsa</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/vovo-virou-bolsa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 15:13:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes * |   Era 1890.  Jovens escritores de Fortaleza, que se reuniam no Café Java, resolveram criar uma engenhosa e bem humorada sociedade literária. Criaram estatutos e leis “onde a boa gargalhada substitui o tonitroar da rethorica sediça e narcótica”. Fugiam dos costumes e do engessamento das agremiações literárias da época, “hirtas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes</a> * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era 1890.  Jovens escritores de Fortaleza, que se reuniam no Café Java, resolveram criar uma engenhosa e bem humorada sociedade literária. Criaram estatutos e leis “<em>onde a boa gargalhada substitui o tonitroar da rethorica sediça e narcótica”.</em> Fugiam dos costumes e do engessamento das agremiações literárias da época, <em>“hirtas e parvas com seus estatutos massudos”.</em></p>
<p>A essa instituição deram o nome de <strong>Padaria Espiritual</strong>. Os escritores eram os “padeiros” e o “forno”, a sede da Padaria, num prédio da Rua Formosa. O produto era O Pão, jornal semanal que circulou até 1896.</p>
<p>Dele foi dito que “<em>o programma da Padaria Espiritual é o mais curioso, o mais original, o mais fin de siécle que se pode conceber”.</em> Isso, no melhor e mais lido jornal da cidade.</p>
<p>Um de seus fundadores foi Sabino Batista, ou Satyro Alegrete, como ele assinava seus textos. Sabino era casado com Ana Nogueira, moça de Icó e caçula de nove irmãos.</p>
<p>Desde cedo Ana mostrava seu gosto pela literatura. Ana lia, Ana escrevia, Ana recitava. Ana casou. A partir desse casamento Ana passou a fazer O Pão. Colaborava com seus poemas e ideias. A irreverência e o sarcasmo de Sabino se uniram à inteligência e suavidade de Ana e dessa boa massa formaram a família Nogueira Batista.</p>
<p>Ana Nogueira Batista vinha de uma linhagem abolicionista. Seu pai era deputado provincial e presidente da Sociedade Libertadora dos Escravos em Icó, cidade onde Ana nasceu. Cresceu como poeta e publicou, além do O Pão, em vários jornais e publicações da época. Traduziu Verlaine, Contesse de Noailles e Sully Prodhomme. Era uma mulher à frente de seu tempo. Não teve medo de se engajar no movimento pela abolição da escravatura, de entrar no mundo dos livros e de se revelar poeta para todo o país.</p>
<p>A fama de Ana parou no tempo e num país onde a memória é rasa e pouca. No entanto, foi agraciada no Dicionário de Mulheres do Brasil, um de seus poemas foi musicado pelo compositor Alberto Nepomuceno e agora virou bolsa.</p>
<p>Sim, vovó Ana (sou casada com o neto que a chama assim) foi contemplada por uma fábrica de bolsas, a House of Caju, que homenageia mulheres ilustres desse país. Logo, Ana Nogueira Batista está no mercado, como uma bolsa feminina, bolsa que guarda tudo o quê uma mulher gosta de guardar: batom, afeto, pente, grampos, lenços, esperança, liberdade, poesia e amor e, é claro, o pão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Trecho poema &#8220;Trovas Antigas&#8221; (1899), de Ana Nogueira Batista:</p>
<p style="text-align: center;">&#8220;Falemos, pois, das aladas / coisas de amor e ternura / libemos a taça pura / n&#8217;essas horas venturosas&#8230; / vamos de mãos enlaçadas / por êsses invios caminhos, / que importa se houver espinhos? / Bem junto florescem rosas.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*<a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes (Nogueira Batista)</a> é jornalista, escritora, fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó e quase homônima da “padeira” espiritual do texto.</p>
<p>Imagem: acrílico sobre tela de Lukas Beyer</p>
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			</item>
		<item>
		<title>À Deriva</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-deriva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2020 09:55:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mar]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Cobogó]]></category>
		<category><![CDATA[outubro]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Luiza Campos * |     Pausa.   Volta.   À deriva, noite adentro. Boiando no fundo do mar. Sem direção, sem rumo, sem caminho. O mar é a natureza do infinito. Pro lado, pro fundo, horizonte. Ser tão menor e mais denso. Braços abertos, olhos fechados. Ouvir o barulho de fora ou o</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por Luiza Campos * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pausa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Volta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>À deriva, noite adentro. Boiando no fundo do mar. Sem direção, sem rumo, sem caminho. O mar é a natureza do infinito. Pro lado, pro fundo, horizonte. Ser tão menor e mais denso. Braços abertos, olhos fechados. Ouvir o barulho de fora ou o surdo mergulhar. À deriva, noite afora. O mar é símbolo de tudo. Coragem, medo, se entregar. Abismo molhado e sem fundo. À deriva, com tudo que brota. O sol, o sal, a saliva. O suor tem a mesma qualidade da lágrima. É o que se entra, se faz ficar. A ausência de tudo é o que padece.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A porta ficou sempre fechada: não vale a pena entrar.</p>
<p>À deriva, mar profundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Luiza Campos é arquiteta, escritora, fruto da terra brasiliense e apaixonada pelo mar.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Poeta e a Pedra</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/o-poeta-e-a-pedra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2019 14:10:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[drummond]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[wisnik]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes | “Meus olhos são pequenos para ver/ o mundo que se esvai em sujo e sangue...”                                                                          CDA/1944 Foi numa viagem à Itabira – aquela cidade que “hoje é apenas um retrato na parede” – que ele percebeu como a atividade mineradora e a poética de Carlos Drummond de Andrade se entrelaçam e</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes </a>| </p>



<blockquote style="text-align:right" class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Meus olhos são pequenos para ver/ o mundo que se esvai em sujo e sangue&#8230;”</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><cite>CDA/1944</cite></blockquote>



<p></p>



<p>         Foi numa viagem à Itabira – aquela cidade que <em>“hoje é apenas um retrato na parede”</em> – que ele percebeu como a atividade mineradora e a poética de Carlos Drummond de Andrade se entrelaçam e se confundem num embate antológico.</p>



<p>         Falo de José Miguel Wisnik, músico, escritor, compositor e ensaísta que, tal como um garimpeiro, extraiu dos poemas de Drummond essa ilação insistente entre a crítica à atividade mineradora e a sua poética.            </p>



<p>Em <em>Maquinação do Mundo</em>, Wisnik aponta a relação entre as corroídas serras mineiras, principalmente o pico do Cauê – riqueza da paisagem itabirana – e os sentimentos, a resistência e a crítica de Carlos Drummond de Andrade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Wisnik, a partir de 1940, Itabira passou a sofrer o
impacto da exploração mineral e “poucas vezes a mitologia pessoal mais íntima
de um poeta foi submetida a um confronto tão direto com o real da história
econômica”. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir de 1942, quando a Vale do Rio Doce foi criada, o
pico do Cauê foi se dissolvendo ante aos olhos de Drummond que tentou deter,
com sua única fonte de resistência, a devastação que se advinha. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>“IV -Itabira</em></p>



<p><em>Cada um de nós tem seu pedaço no pico do Cauê.</em></p>



<p><em>Na cidade toda de ferro</em></p>



<p><em>as ferraduras batem como sinos.</em></p>



<p><em>Os meninos seguem para a escola.</em></p>



<p><em>Os homens olham para o chão.</em></p>



<p><em>Os ingleses compram a mina.</em></p>



<p><em>Só, na porta da venda, Tutu Caramujo cisma na derrota incomparável.”&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em></p>



<p>Mais
do que sua cidade natal, Itabira era sua pátria. E Drummond incorporou-a tanto
em sua trajetória que absorveu sua carga histórica. Cantou-a desde a
apropriação do território indígena, a vinda dos colonizadores até os dias em
que a posse se tornou absoluta. Essa saga é relatada no poema <em>A Montanha Pulverizada:</em></p>



<p><em>Chego à sacada e vejo a minha serra,</em></p>



<p><em>a serra de meu pai e meu avô,</em></p>



<p><em>de todos os Andrades que passaram</em></p>



<p><em>e passarão, a serra que não passa.</em></p>



<p><em>Era coisa de índios e a tomamos</em></p>



<p><em>para enfeitar e presidir a vida</em></p>



<p><em>neste vale soturno onde a riqueza</em></p>



<p><em>maior é sua vista a contemplá-la.</em></p>



<p><em>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</em></p>



<p><em>Esta manhã acordo e</em></p>



<p><em>não a encontro.</em></p>



<p><em>Britada em bilhões de lascas</em></p>



<p><em>deslizando em correia transportadora</em></p>



<p><em>entupindo 150 vagões</em></p>



<p><em>no trem-monstro de 5 locomotivas</em></p>



<p><em> – o trem maior do mundo, tomem nota –</em></p>



<p><em>foge minha serra, vai</em></p>



<p><em>deixando no meu corpo e na paisagem</em></p>



<p><em>mísero pó de ferro, e este não passa.</em></p>



<p>Não
resta dúvida a atitude política e a bravura do poeta ao expor a dor da
devastação invocada nos poemas. Por toda sua obra se encontram a lição de
brasilidade e a não transigência de seus valores cívicos e morais. </p>



<p>Com
sua personalidade firme, sua aparência urbana e sua alma interiorana, Carlos
Drummond de Andrade se mostrou o poeta de vanguarda que não abdicou da doçura e
cantou a dor universal.</p>



<p style="text-align:center">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ***</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
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	</channel>
</rss>
