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	<title>Arquivos Uncategorized - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 Apr 2022 10:37:03 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Se a W3 fosse minha&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 00:29:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Geraldo Nogueira Batista * | Abandono antigas convicções sobre este mítico logradouro de Brasília. Sua revitalização não deve ir pelo desejo de restaurar a importância que ela teve no passado. Tentar recuperar valores de um tempo que se foi, é inócuo. Melhor examinar novas questões e demandas para valorizar o presente e o futuro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Geraldo Nogueira Batista *</strong> |</p>
<p>Abandono antigas convicções sobre este mítico logradouro de Brasília. Sua revitalização não deve ir pelo desejo de restaurar a importância que ela teve no passado. Tentar recuperar valores de um tempo que se foi, é inócuo. Melhor examinar novas questões e demandas para valorizar o presente e o futuro da cidade.</p>
<p>A revitalização da W3 é importante para a correção de erros cometidos, tanto quando da elaboração proposta urbanística da cidade, quanto ao longo de sua implantação. Uma W3 revitalizada é essencial para superar desvios que reponham a cidade no rumo da recuperação dos setores comerciais da cidade. Tal revitalização pode ser efetivada sem nenhum questionamento à legislação de tombamento da área. Este processo, ao contrário, fortaleceria a escala gregária e contribuiria para a melhoria da qualidade de vida do Plano Piloto e do conjunto da cidade.</p>
<p>Brasília tem perdido valores associados à escala gregária concebida por Lúcio Costa. O uso da W3 como espaço público, local de encontro e de expressão de valores gregários, foi trocado pela ida aos <em>shoppings.</em> Recentemente, a oferta de variados equipamentos de lazer e esporte em empreendimentos residenciais, também tem contribuído para a perda de vitalidade dos espaços públicos. Outro fator a ser considerado é a precariedade do transporte público. Repita-se, à exaustão, que a desvalorização da W3 está associada à predominância exacerbada da cultura do automóvel na cidade.</p>
<p>Creio que a revitalização da W3 não deve ser feita por projetos e iniciativas urbanísticas impactantes. Também acredito que intervenções estarão mais na linha do que hoje se chama urbanismo tático. Descartando projetos grandiloquentes, há a necessidade de “baixar o avião”, inverter raciocínios e adotar outros enfoques. Propostas de alterações se resumiriam a intervenções físicas de pequeno porte, implementadas de forma incremental. Aproximações graduais seriam a régua a ser usada para ditar o ritmo do processo de revitalização da via. Não há necessidade de vultosos recursos financeiros públicos.</p>
<p>Caberia ao setor público o papel de coordenar e de estimular iniciativas que seriam assumidas por agentes privados. A W3 não deve ser vista como um tema que se esgota nos limites das questões estritamente urbanísticas. Sua revitalização pode ser estimulada por meio da realização periódica de eventos culturais. Uma iniciativa que pode ser assumida como um projeto-chave da Secretaria de Cultura.</p>
<p>Penso no estímulo à instalação de pequenos conjuntos de atividades comerciais e serviços, passíveis de acesso tanto pela W2 como pela W3. Iniciativas comerciais que fugiriam do atual e danoso modelo dos <em>shopping centers,</em> imensos elefantes brancos, com paredes externas cegas e isolados do mundo exterior. Uma possibilidade seria a de se ter conjuntos de pequenas salas de cinema, em cada um dos trechos, Sul e Norte, da avenida. Eles poderiam também contar com livrarias, cafés, lanchonetes, restaurantes, teatros de bolso, salas de concerto, galerias de arte e outras atividades.</p>
<p>Outra iniciativa seria a da organização de uma programação cultural/musical em espaços determinados da W3. Na Praça 21 de Abril e em outros locais poderiam se realizar concertos, oficinas e eventos diversificados nos fins de semana. Os amantes da música criariam o hábito de frequentar estes espaços que, por outro lado, desempenhariam o papel de formação de público. Com um pouco mais de elaboração, as praças poderiam se especializar em um gênero musical, segundo as preferências do público ouvinte. A realização de eventos, como feiras de artesanato, livros e antiguidades, traria mais charme e animação aos espaços da W3. Seria desejável direcionar para a via a realização das inúmeras pequenas feiras livres que já ocorrem semanalmente nas asas Sul e Norte. Ao longo da avenida, poderiam se concentrar desfiles carnavalescos das escolas de samba e dos blocos que valorizam o carnaval de rua.</p>
<p>Por que não permitir, nas edificações das faixas 500 e 700, voltadas para a W3, o funcionamento de empreendimentos que atraiam público? Atividades como lanchonetes, restaurantes, pensões e quiosques de alimentação e prestação de pequenos serviços. Restaurantes poderiam se localizar nos lotes juntos às passagens que ligam a W2 a W3 no trecho Sul e nos que faceiam as praças no trecho norte da avenida. Há outras iniciativas que podem ser debatidas para a revitalização da W3. Uma delas é a retomada da proibição da circulação de veículos motorizados nos fins de semana (domingos e feriados). Nesses dias, a via seria livre apenas para pedestres, ciclistas e outros modos de locomoção não motorizada</p>
<p>Em resumo, priorizar ações que possam desencadear sinergias e multiplicar efeitos positivos. A W3 se tornaria um <em>locus</em> de atividades relacionadas ao lazer, à cultura, ao comércio e à gastronomia. Concluindo, há que dizer que a presença do uso habitacional é necessária. A presença de moradores gera demandas comerciais e de serviços que seriam atendidas por empreendimentos localizados na avenida. Uma interação de atividades que, por si mesma, é o fator da revitalização que se procura.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>*<strong>Geraldo Nogueira Batista</strong> é arquiteto. Foi diretor da Faculdade de Arquitetura da UnB e presidente do Instituto dos Arquitetos – DF. Em seu livro, ALQUIMIA URBANA, editado pelo Coletivo Maria Cobogó – expõe suas reflexões sobre Brasília e outras cidades..</p>
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		<title>VESTÍGIOS DA ESCRAVIDÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 08:27:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Maria Lopes   A sensação é a de andar para trás. De ré e sem retrovisor. Fazer pesquisas é um trabalho de arqueologia. Não só no Brasil, mas em todo o mundo. Que o diga o jornalista Laurentino Gomes, que devassou a escravidão após percorrer três continentes garimpando documentos. Ou ainda Lília Schwarcz e</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Ana Maria Lopes</p>
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<p>A sensação é a de andar para trás. De ré e sem retrovisor.</p>
<p>Fazer pesquisas é um trabalho de arqueologia. Não só no Brasil, mas em todo o mundo. Que o diga o jornalista Laurentino Gomes, que devassou a escravidão após percorrer três continentes garimpando documentos.</p>
<p>Ou ainda Lília Schwarcz e Flávio Gomes que organizaram o Dicionário da Escravidão e Liberdade.</p>
<p>São dois exemplos que buscam a história da dor e da agonia dos cativos africanos cavando as raízes dessa violência que assombra e impacta nosso mundo.</p>
<p>Essas pesquisas, como a de centenas de outros historiadores, mostram, mais do que os dados levantados, a invisibilidade da história negra.</p>
<p>O texto de apresentação do livro Registros Escravos: Repertório das fontes oitocentistas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional diz: “<em>Engana-se aquele que pensa que tudo que a memória faz é lembrar. Os arquivos estão repletos de lembranças, mas também devastados por silêncios e omissões: assim como é função lembrar, faz parte do ofício esquecer ou, simplesmente, deixar no silêncio.”</em></p>
<p>Vale lembrar a medida draconiana de Ruy Barbosa em 1890, que decide queimar todos os papéis, livros de matrícula e documentos relativos à escravidão pertencentes ao Ministério da Fazenda. A medida considerava “<em>destruir esses vestígios por honra da Pátria, e em homenagem aos nossos deveres de fraternidade e solidariedade para com a grande massa de cidadãos que pela abolição do elemento servil entraram na comunhão brasileira.”</em></p>
<p>Mais recentemente, outro ato vil: a decisão do presidente da Fundação Palmares de excluir 5.300 livros do acervo da instituição sob argumentos ideológicos e ortográficos. Entre livros e documentos o acervo conta com mais de 9.500 títulos, sendo que 46% são de temática negra. Esse expurgo foi impedido por ações da sociedade civil.</p>
<p>Enquanto lutamos para manter a história viva no Brasil, estudiosos empreendem a mesma batalha em outros campos.</p>
<p>A escritora americana Saidiya Hartman saiu em busca de suas raízes africanas e foi colher material para mapear as rotas escravistas no Atlântico. Em Gana, percebeu que não poderia saber mais do que seu conhecimento exigia. As fontes eram exíguas e a história da escravidão apresentou fossos e lacunas impreenchíveis.</p>
<p>O silenciamento do passado se mostra também na indústria do turismo que atrai afro-americanos. Em Benim, a autora visitou um ponto importante do escravismo que a recebeu com uma fileira de bandeiras americanas. São “as rotas turísticas de Gana moldadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos” diz.</p>
<p>O susto maior, segundo seu próprio relato, foram as excursões à Gâmbia e ao Senegal organizadas pela rede McDonald’s.</p>
<p>Assim se vai modelando a história do colonialismo e a mancha da escravidão. Hartman produziu a teoria de que “<em>não se deve ignorar a chaga do escravismo nem retornar a um idílio anterior à violência colonizadora. O assassinato da memória criou um novo sentimento de identidade”.</em></p>
<p>Lendo esses relatos vemos que não podemos culpar apenas o passado e a história como únicos vilões. O racismo estrutural permeia nossa sociedade e corrói nosso Estado<em>.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>                                     *</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Ana Maria Lopes</strong> é jornalista, poeta, romancista e uma das fundadoras do Coletivo Editorial Maria Cobogó.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Laurentino Gomes</strong> é jornalista e escritor de livros que exploram a história do Brasil e, mais profundamente, a escravidão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lília M. Schwarcz</strong> é historiadora e doutora em Antropologia pela USP</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Flávio Gomes</strong> é historiador e professor na UFRJ</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Saidiya Hartman</strong> é escritora e professora de Literatura Comparada na Universidade de Colúmbia, NY. É uma estudiosa da diáspora africana. Seu livro Perder a Mãe: Uma Jornada pela Rota Atlântica da Escravidão, será lançado neste 1º de novembro pela editora Bazar do Tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A DAMA DO CACHORRINHO</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-dama-do-cachorrinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 06:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[livroseleituras]]></category>
		<category><![CDATA[tchekhov]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alexandre Morais do Amaral *| “E somente agora, quando sua cabeça já estava ficando grisalha, ele começou a amar de verdade, como deveria e pela primeira vez em sua vida”. Conto clássico da literatura universal, esta obra é assim considerada pelo estilo singular, conciso e elegante que Anton Tchekhov emprega para descrever situações do dia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alexandre Morais do Amaral *|</p>
<p style="text-align: right;"><em>“E somente agora, quando sua cabeça<br />
</em><em>já estava ficando grisalha,<br />
</em><em>ele começou a amar de verdade,<br />
</em><em>como deveria e pela primeira vez<br />
</em><em>em sua vida”.</em></p>
<p><strong>Conto clássico da literatura universal, esta obra é assim considerada pelo estilo singular, conciso e elegante que Anton Tchekhov emprega para descrever situações do dia a dia. Em seus contos, não parece haver julgamento moral de nenhum personagem. Os deslizes éticos não são avaliados ou apresentados com viés. Todos os personagens são perfeitamente humanos em suas imperfeições. Na marcante concisão, Tchekhov consegue, já no (curto) primeiro parágrafo, mostrar quem são, onde e como estão os protagonistas e, com isso, o potencial desenvolvimento da história.</strong></p>
<p><strong>Uma característica muito interessante deste conto é a sensação de que as “pontas” foram cortadas: ele se inicia com a impressão de já ter começado antes do escrito e termina sem um fim “definitivo” – o “(in) felizes para sempre” parece um lugar distante. Enfim, muito se assemelha a uma tentativa de mostrar que a trama já existia antes de entrarmos nela e que terminará além daquela história – ou seja, o princípio de que a vida continua – e muitas vezes além do olhar do leitor&#8230;</strong></p>
<p><strong>Quanto ao conto em si, o fio condutor da história é a relação que se desenvolve amorosa. A ordem dos fatores é essa mesma: começa relação, termina amor &#8211; entre Dmitri Gurov e Ana Sierguéievna &#8211; mas no contexto de adultério para ambos, com as dificuldades inerentes. O casal clandestino se conhece durante visita a uma cidade litorânea, de veraneio, na Crimeia. Espelham-se nas vidas frustradas, vazias, monótonas e sem perspectivas. Ele, vivendo um casamento oco, sem brilho, e vários “affairs” também ocos ao longo do tempo. Ela, numa vida sem energia, mal sabe o que o marido faz e pouco lhe interessa saber – pista suficiente para a superficialidade da relação.</strong></p>
<p><strong>Interessante perceber as transformações que ocorrem no curto espaço de tempo deste conto: a mudança de Gurov, humanizando-se e a esperança de Ana, renovando-se. A distância geográfica que aparece para ambos, após o veraneio, não é suficiente para distanciá-los: mesmo vivendo em cidades distantes, buscam um meio de preservar a vida do inevitável relacionamento. Como não há o bem e o mal na construção da(s) história (s) de Tchekhov, fica ao leitor o papel de preencher as lacunas e imaginar o final.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Eles perdoaram um ao outro tudo aquilo</strong><br />
<strong>De que se envergonhavam no seu passado,</strong><br />
<strong>Perdoaram tudo do presente e sentiam que</strong><br />
<strong>Seu amor havia transformado a ambos”.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>Alexandre Morais do Amaral</strong> é engenheiro agrônomo, ex-professor universitário e doutor em ciências. Apaixonado por livros e leituras, é colaborador do projeto Calangos Leitores e integra o Grupo de Leitura Contemporânea.</p>
<p><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/anton-pavlovitch-tchekhov/"><strong>Anton Pavlovitch Tchekhov</strong> </a>(1860-1904) nasceu em Tangarog, Rússia. Em 1888, o escritor recebeu o prêmio Púchkin, maior láurea literária concedida pela Academia de Ciências da Rússia. Seu conto “A Dama do Cachorrinho” foi publicado originalmente em 1899.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Kontaktbeschränkungen</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/kontaktbeschrankungen/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Jun 2021 06:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Maria Lopes *| A língua expressa a cultura de uma comunidade e é o pilar da estrutura social. Ela é o patrimônio historicamente construído de um povo. É dinâmica. E aí reside sua maior riqueza. A pandemia, com seus desacertos, seus abre e fecha, seus lockdowns, gerou grande confusão na cabeça de todos. Não</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ana Maria Lopes *|</p>
<p><strong>A língua expressa a cultura de uma comunidade e é o pilar da estrutura social. Ela é o patrimônio historicamente construído de um povo. É dinâmica. E aí reside sua maior riqueza.</strong></p>
<p><strong>A pandemia, com seus desacertos, seus abre e fecha, seus lockdowns, gerou grande confusão na cabeça de todos. Não só sobre as nossas cabeças brasileiras, mas as do planeta inteiro.</strong></p>
<p><strong>Na Alemanha, segundo recente reportagem da Folha de São Paulo, foram criadas 1.200 novas palavras relacionadas ao COVID- 19. Sim, mil e duzentas, segundo compilou o Instituto Leibniz de Língua Alemã.</strong></p>
<p><strong>As palavras servem para a expressão de sentimentos, e a crise sanitária provocada pelo vírus deu origem a novos vocábulos. É a urgência de se comunicar em uma nova situação.</strong></p>
<p><strong>Entre as palavras criadas pelos alemães, algumas são extremamente curiosas, como a “Impfneid”, que seria a inveja de quem já foi vacinado. Outras são “Abstandbier” ou o ato de tomar cerveja mantendo o distanciamento; “coronafrisur” ou corte de cabelo feito em casa; “coronaangst” ou o medo e a ansiedade em relação ao vírus; “pandemüde” ou o cansaço da pandemia.</strong></p>
<p><strong>Como essas, a reportagem cita muitas outras, inclusive, para aqueles negacionistas que se recusam a usar máscaras, o “Maskentrottel” que, em bom português seria “o idiota da máscara”. Ainda há expressões para quem usa incorretamente a proteção, o “Nacknase”, o que usa a máscara só tapando a boca.</strong></p>
<p><strong>Mesmo que toda língua tenha seu dinamismo, linguistas alemães ficaram impressionados com a mudança do vocabulário em tão pouco tempo. No entanto, poucas serão postas em dicionário.</strong></p>
<p><strong>Somente aquelas cujo significado seja mais preciso, como “Kontaktbeschränkungen” e “Ausgehbeschränkungen” – restrições de contato e restrições de circulação – serão contempladas no dicionário alemão.</strong></p>
<p><strong>A necessidade de se comunicar em meio ao caos e ao medo, leva à criação de formas de expressão significativas. “Coisas que não têm nome podem provocar insegurança nas pessoas”, disse Christine Möhrs, pesquisadora do Instituto Leibniz.</strong></p>
<p><strong>De fato, precisamos nomear o monstro que nos persegue para exorcizá-lo, ou, pelo menos, para dividir com nossos vizinhos a angústia do dia a dia.</strong></p>
<p><strong>Algumas palavras foram percebidas por aqui, mas nenhuma que fosse uma inovação linguística. Surgiu o “basculho”, dita por uma celebridade instantânea &#8211; regionalismo antigo que significa abaixo do lixo. Também o “desonline”, anglicismo adaptado; o “etanóis”, gíria e contração equivocada e o novo sentido de “cancelamento”. Mas nada que possa provocar uma reunião de dicionaristas.</strong></p>
<p><strong>No Brasil pandêmico e desgovernado, fica difícil descobrir novas palavras. Podemos tentar, mas à mente só vêm o <em>bolsovírus</em> e a <em>motociata</em>, duas palavras inventadas, ridículas e indignas de serem dicionarizadas.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*<a href="http://instagram.com/anamarialopes68">Ana Maria Lopes</a></strong> é jornalista, escritora e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó.</p>
<p><strong>**Imagem:</strong> Nanni Balestrini.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O PREÇO DO AMANHÃ</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/o-preco-do-amanha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jun 2021 06:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Claudine M. D. Duarte * | “Vieram ver o estranho fenômeno que havia infringido as leis da Eternidade, mas que não podia ser tocado por mais um dia. Mais um dia, e o projeto estaria encerrado. Vieram tripudiar, pelo amanhã que estavam esperando.” Isaac Asimov, em O Fim da Eternidade No filme “In time” (2011),</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Claudine M. D. Duarte * |</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Vieram ver o estranho fenômeno que havia infringido as leis da Eternidade, mas que não podia ser tocado por mais um dia. Mais um dia, e o projeto estaria encerrado. Vieram tripudiar, pelo amanhã que estavam esperando.”</em><br />
<em>Isaac Asimov, em O Fim da Eternidade</em></p>
<p><strong>No filme “<em>In time</em>” (2011), o tempo é uma moeda de troca e, no título que adotaram por aqui, parte do roteiro distópico é revelado: O preço do amanhã. A trama se desenvolve numa sociedade em que a ciência permitiu o fim do envelhecimento: as pessoas crescem e se desenvolvem até os 25 anos, quando um relógio biológico é ativado em cada indivíduo e o mostrador passa a marcar um ano em contagem regressiva até a morte. Na trama imaginada, roteirizada e dirigida pelo neozelandês Andrew Niccol, assistimos pessoas que precisam pagar as contas com o próprio tempo de vida. Um almoço, uma hora. Uma passagem de ônibus, vinte e cinco minutos. Vemos, com espanto, um filho que não consegue doar à mãe algumas horas de sua vida e a recebe nos braços no momento em que o relógio dela é zerado. Por segundos, ela não o encontra a tempo.</strong></p>
<p><strong>Hoje, não temos um ameaçador relógio implantado em nossos braços, mas compartilhamos a mesma questão dos personagens daquela película: Como ter mais amanhãs? Sem garantias, queremos vacinas contra a ameaça da morte provocada pelo coronavírus. Impotentes, queremos ter a possibilidade de um amanhã. Esgotados, queremos mais tempo com os que amamos. Desanimados, assistimos a desídia criminosa dos caminhos da imunização contra a Covid-19 em nosso país. Frágeis, choramos o cancelamento de incontáveis amanhãs para quase meio milhão de brasileiros.</strong></p>
<p><strong>Aquele filho, um dos personagens centrais do filme citado, tomba, debilmente, com a mãe em seus braços e, triste, constata que, nos mostradores de seu relógio, haveria tempo a ser transferido. Ou seja, a ele, naquele momento, era facultado doar alguns amanhãs à sua mãe, se a tivesse encontrado alguns segundos antes. Se. Essa é a dor. Existe um ‘SE’ a pairar sobre a história. É uma pena. E é muito angustiante. Além do sofrimento da perda de nossos entes queridos, agonizamos a possibilidade de que podia ter sido diferente. Minha amiga, Mônica, por uma ou duas semanas, teria sido vacinada. A campanha teria chegado na idade dela&#8230; Mas, para isso, precisaríamos ter um plano nacional de imunização adotado por nossos governantes&#8230; <em>In time</em>.</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>“Quando uma pessoa vê um animal que morre, um horror a domina: aquilo que é ela mesma deixa de existir – sua essência está obviamente sendo aniquilada diante de seus olhos. Mas quando o que morre é uma pessoa – e uma pessoa querida – experimenta-se então, além do horror diante do aniquilamento da vida, uma sensação de dilaceramento e de uma ferida espiritual que, a exemplo de uma ferida corporal, às vezes mata, às vezes cicatriza, mas sempre dói e receia qualquer toque externo que a irrite.” Leon Tolstói, em Guerra e Paz</em></p>
<p><strong>Vacinar. Imunizar. Todo mundo. E rápido. Nossos amanhãs! A principal conclusão do projeto “S”, estudo clínico realizado pelo Instituto Butantan no município de Serrana – SP, entre fevereiro e abril deste ano demonstra que a imunização de toda a população adulta impactou a diminuição de casos sintomáticos de Covid-19 e, consequentemente, internações e mortes. Vale a pena conhecer os resultados do <a href="https://butantan.gov.br/noticias/projeto-s-imunizacao-em-serrana-faz-casos-de-covid-19-despencarem-80-e-mortes-95"><span style="text-decoration: underline;">estudo</span></a> que valida os benefícios que um “cinturão imunológico” representa. O que, se adotado com método e vontade, poderia representar uma barreira coletiva contra o vírus. Uma longa e provável sucessão de amanhãs. Para os que se foram e para nós. Os que ficamos, lacerados pela ausência. Nós, os que estamos por aqui, ainda, feridos pelas partidas evitáveis. Nós, que nos julgamos merecedores de amanhãs. Ousamos imaginá-los; ousemos esperá-los.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/claudine_m_d_duarte/"><strong>*Claudine Duarte</strong></a> é escritora, arquiteta, dramaturga e ativista na formação de leitores. É pedra de toque do Coletivo Editorial Maria Cobogó onde atua com cérebro e um imenso coração.</p>
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		<title>A MUDANÇA</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-mudanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 May 2021 06:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elza Zarur *| A cada crônica que escrevo sobre a minha Visconde do Rio Branco percebo que saí dela, faz muito tempo, mas que ela não saiu de mim, jamais! Eu penso que ainda moro lá, na chácara da Mello Barreto, que vou acordar cedinho, amanhã, com o barulho dos bichos e abrirei as janelas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Elza Zarur *|</p>
<p><strong>A cada crônica que escrevo sobre a minha Visconde do Rio Branco percebo que saí dela, faz muito tempo, mas que ela não saiu de mim, jamais! Eu penso que ainda moro lá, na chácara da Mello Barreto, que vou acordar cedinho, amanhã, com o barulho dos bichos e abrirei as janelas para ver o terreiro coalhado de mangas Ubá, fresquinhas.</strong></p>
<p><strong>Era lindo e eu não consigo deixar de me ver menina, bem sapeca e feliz, correndo a disputar velocidade com o vento como que, se assim, fosse impossível deixá-lo passar por mim e virar tudo lembranças.</strong></p>
<p><strong>Na verdade, eu preciso agora é de recordar o dia em que a mamãe me contou que mudaríamos. </strong></p>
<p><strong>Nós voltávamos da missa, programa nosso de todo domingo, quando ela tocou no assunto com uma peculiar cerimônia de mãe mineira que não sabia muito bem como aquela notícia ia ser aceita por mim: “&#8230;<em>Elzinha, sabia que vamos nos mudar para a Capital do Brasil? Para Brasília?&#8221;</em></strong></p>
<p><strong>Na hora, preocupada com a surpresa do meu silêncio e com o espanto do meu olhar, ela continuou ilustrando a notícia &#8230;<em> “a cidade é linda, acabou de ser construída, fica no meio do Brasil, você terá uma escola novinha, muitos amigos para fazer e, eu prometo: “passaremos nossas férias aqui, no velho </em></strong><em><strong>sobrado.”</strong></em></p>
<p><strong>Com meus pensamentos ainda de criança, eu não tive dúvida de que a mudança seria uma imensa caixa com todo o meu Rio Branco embrulhado dentro.<br />
</strong><strong>Poderia abri-la, a qualquer momento. Em qualquer lugar.<br />
</strong><strong>Nada me faria falta! Nada ficaria para trás!<br />
Levaria tudo e todos que faziam parte do meu universo e, até mesmo, aquele clima quentinho e de brisa fresca, típico da serra da Piedade, que percorria a minha casa inteira, no final do dia.</strong></p>
<p><strong>Afinal, eu jamais imaginaria abandonar o que quer que fosse e que me fazia tão absolutamente feliz!<br />
</strong><strong>Eu jamais imaginaria que a gente pudesse vir a mudar, e o quê dizer de “mudar de casa?”</strong></p>
<p><strong>Não!<br />
</strong><strong>Impossível!</strong></p>
<p><strong>Casa, para mim, era sinônimo de um teto eterno.<br />
</strong><strong>Era nossa identidade maior!<br />
</strong><strong>Nascíamos com ela, para todo o sempre.<br />
</strong><strong>Mesmo acreditando assim, no dia a dia, a programação da família foi, aos poucos, embalando o meu destino.</strong></p>
<p><strong>Tudo pronto, quatro horas da manhã, mamãe, Elvira, Edila e eu embarcamos, com a maior expectativa e alegria de vida, na Companhia Real, rumo aos 1500 quilômetros que nos esperavam de estrada.</strong></p>
<p><strong>Mas, de surpresa, logo na esquina da Praça 28 de Setembro houve uma parada inesperada na viagem: Tia Pequita, contrariando a sacramentada promessa de não haver despedidas, apareceu, entregou um lindo quadro pintado por uma prima e um lencinho, todo barrado em richelieu e, no centro, bordado por ela, a palavra saudade. </strong></p>
<p><strong>Triste, nos deu seu discreto beijo.</strong></p>
<p><strong>Todos nós nos emocionamos, baixinho &#8230; e, neste momento, eu conheci a primeira e mais significativa decepção da minha vida: a infância, logo ela, quem diria, o meu maior patrimônio, havia ficado para trás, para sempre!</strong></p>
<p><strong>Era fevereiro de 1963.<br />
</strong><strong>Rio Branco permaneceu quietinha, naquela madrugada de verão.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>*<strong>Elza Zarur</strong> é jornalista formada pela UnB e, atualmente, aposentada do Itamaraty, tendo servido nas Embaixadas de Washington e Buenos Aires, onde exerceu a função de vice-cônsul. Foi também a primeira servidora a ocupar, em 1995, o, então, inédito cargo de ombudsman dentro do Serviço Público Federal Brasileiro. É casada com o jornalista Carlos Zarur, tem três filhos e três netas.</p>
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		<title>NOSSO SOL, NOSSA SOL</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/nosso-sol-nossa-sol/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 May 2021 06:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Cobogó * | Seu relógio, por vezes, dispara em primaveras. Ou seriam verões? O Sol brilha constantemente sobre sua cabeça e, se há nuvens, ela não deixa transparecer, afasta-as com um sorriso. Que está sempre lá. Pronto para tudo e para todos. Para todos mesmo. Amigos, marido, filhos, amigos dos filhos, canarinhos e quem</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Maria Cobogó * |</p>
<p><strong>Seu relógio, por vezes, dispara em primaveras. Ou seriam verões? O Sol brilha constantemente sobre sua cabeça e, se há nuvens, ela não deixa transparecer, afasta-as com um sorriso. Que está sempre lá. Pronto para tudo e para todos.</strong></p>
<p><strong>Para todos mesmo. Amigos, marido, filhos, amigos dos filhos, canarinhos e quem quer que passe frente à essa linda mulher. E quem a conhece, sabe de quem falamos.</strong></p>
<p><strong>Sim, falamos de Solange Cianni, ser humano que não é único, mas uma galeria de seres e talentos: mãe, atriz, professora, administradora, humana, confidente, escritora, contadora de histórias, performática e, sobretudo, mulher, com M maiúsculo.</strong></p>
<p><strong>Conhecendo seus ancestrais, percebe-se que a alegria é atávica. Habita a alegria e seu ritmo é rápido, os adjetivos transbordantes. A essência de seus sonhos se entrelaça com a vida, com a força da mulher que canta e cria, tornando-se, a cada instante, mais viva e humana.</strong></p>
<p><strong>Solar, podemos compará-la a uma árvore cheia de frutos, no centro de um grande jardim – e dona dele – onde o extrativismo é a fonte da beleza. Dali ela extrai poesia, música, cor, cheiros, fotos e sabores. É uma aliada da natureza, seja quando está nadando, quando está nos palcos, na escola ou quando apenas vive, bailarina de seu próprio recanto.</strong></p>
<p><strong>O humor é o ingrediente que serve de ponte para todas as suas artes. Essas artes que são pontilhadas de memória, fantasia e identidade. Solange atriz é devotada. Luta pela expressão, não só a da artista, mas a do ser.</strong></p>
<p><strong>Atribui à palavra e aos gestos o poder de gerar alegria, de ressuscitar amores e reconstruir a rotina dos dias. Ela traçou um mapa para sua vida e segue por ele, colorindo sua existência e acreditando em um mundo de paz.</strong></p>
<p><strong>Ninguém a define melhor do que ela mesma: “Sofro de entusiasmo”. Ou como em seu poema Dança Maria:</strong></p>
<p><strong>“É com os olhos que grito o que me falta,<br />
</strong><strong>como um canto antigo de índia sábia<br />
</strong><strong>em pleno ofício da pajelança.<br />
</strong><strong>E como não é visível a qualquer olhar,<br />
</strong><strong>confundo os desatentos:<br />
</strong><strong>Ora sou velha e vulgar, quem sabe sou<br />
</strong><strong>moça casamenteira?<br />
</strong><strong>Canto, encanto, acendo a fogueira,<br />
</strong><strong>e assim nessa brincadeira,<br />
</strong><strong>teço a trança,<br />
</strong><strong>rodo a saia e inicio a minha dança</strong></p>
<p><strong>OLÉ!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>*<a href="https://www.instagram.com/mariacobogo/">Maria Cobogó</a></strong> é o Coletivo de escritoras que vive, escreve, ama, luta, resiste e trabalha amorosamente. Somos cinco mulheres que se uniram e se deram as mãos.</p>
<p>**<a href="https://www.instagram.com/solangecianni/"><strong>Solange Cianni</strong></a> é escritora, atriz, psicopedagoga, irmã de alma e uma das fundadoras do Coletivo Maria Cobogó.</p>
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		<title>ELA E DOM QUIXOTE</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/ela-e-dom-quixote/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 May 2021 06:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Cobogó * | “Só posso dizer, em resposta ao que tão respeitosamente se me pede, que seu nome é Dulcinéia, sua pátria El Toboso, em lugar da Mancha: a sua qualidade há de ser, pelo menos, princesa, pois é rainha e senhora minha...” (D. Quixote de la Mancha, personagem de Miguel de Cervantes)  </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Maria Cobogó * |</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Só posso dizer, em resposta ao que tão</em><br />
<em> respeitosamente se me pede, que seu</em><br />
<em> nome é Dulcinéia, sua pátria El Toboso, em</em><br />
<em> lugar da Mancha: a sua qualidade há de</em><br />
<em> ser, pelo menos, princesa, pois é rainha e </em><br />
<em>senhora minha&#8230;”</em><br />
<em>(D. Quixote de la Mancha, personagem </em><br />
<em>de Miguel de Cervantes)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ela é taurina, com todas as características de seu signo zodiacal. Aliás, todas as qualidades dele, bem dizendo. Mulher múltipla como um polvo. Tem dois ou oito braços que – parecem ser muitos mais – exercem as tarefas que norteiam sua vida. Envolvem, acolhem, aplaudem, acariciam, remam, a favor e contra a maré e abraçam.</strong></p>
<p><strong>Claudine é terra, argila em que se moldam os cobogós dessa cidade. E é escultora de afetos. Mulher única, cujo compromisso com a existência promove encontros, nunca desencontros, como sugere o título de seu primeiro livro, Desencontos. Encontros que ela tem com ela mesma e com o mundo.</strong></p>
<p><strong>Foi num desses encontros que o sonho se transformou em Maria Cobogó. Num outro, descobriu escritoras. Num outro encontro ainda, mergulhos na arte, no teatro, na literatura. </strong></p>
<p><strong>E Claudine é a mediadora, a intérprete. É a mulher que constrói um ideal a cada dia, mesmo os ideais utópicos que nela se ajeitam, ajuntam e se cumprem.</strong></p>
<p><strong>Ávida, lê compulsivamente. Mas para ela, não basta ler, o movimento só vale se for conjunto. Todo mundo tem que ler e ter um</strong><br />
<strong>livro. Seu projeto de formação de leitores é um êxito total. É a consciência norteando a produção, o saber e a leitura.</strong></p>
<p><strong>Não à toa, coleciona edições de Dom Quixote. Conta a lenda que são mais de setenta. Não importa. Sendo sete ou setenta, o engenhoso fidalgo da Mancha lhe faz companhia. Certo é que literatos de todo o mundo discutem ainda quem teria servido de modelo a Cervantes. Qual pessoa de carne e osso teria inspirado um personagem com valores morais tão altos?</strong></p>
<p><strong>Se Miguel de Cervantes Saavedra vivesse nos dias de hoje, ganharia inspiração na mulher que escreveu Norte:</strong></p>
<p><strong>“Falaram que era uma estrada. Sem volta. Ninguém contou da falta de chão.</strong></p>
<p><strong>Reparei na ausência de placas. Ninguém disse que era tão longe.</strong></p>
<p><strong>Nem que nem era para sempre.</strong></p>
<p><strong>E, juro, eu tinha uma bússola&#8230;”</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>* <a href="https://www.instagram.com/mariacobogo/"><span style="text-decoration: underline;">Maria Cobogó</span></a></strong> é o Coletivo Editorial que reúne mulheres que se amam e se apoiam. Claudine Duarte é parte integrante desse universo amoroso. Seu aniversário, como todos os outros dias do ano, foi o motivo para lhe homenagearmos.</p>
<p>**Imagem: <span style="text-decoration: underline;"><strong><a href="https://www.instagram.com/p/B7l7YE2lW24/?utm_source=ig_web_copy_link">Dendrologia: Pequizeiro</a></strong></span>, de <strong><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.instagram.com/paprikadatil.art/">Tâmara Habka</a></span></strong>, 2020.</p>
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		<item>
		<title>Primeiro Amor</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/primeiro-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 May 2021 05:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giullia Chaves * | Desde que nós, Marias Cobogós, nos unimos para criar o Coletivo, tivemos um único propósito: dar às mãos à todas as Marias. Todas as mulheres, de todas as artes, de todo o planeta. Abrir espaços, contar histórias, cantar todas as canções, escrever livros, fazer arte, motivar pessoas, embalar sonhos e poetar.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-pm-slice="0 0 []">Giullia Chaves * |</p>
<p data-pm-slice="0 0 []">Desde que nós, Marias Cobogós, nos unimos para criar o Coletivo, tivemos um único propósito: dar às mãos à todas as Marias. Todas as mulheres, de todas as artes, de todo o planeta.</p>
<p>Abrir espaços, contar histórias, cantar todas as canções, escrever livros, fazer arte, motivar pessoas, embalar sonhos e poetar. É mais do que uma missão ou uma diversão, é resistência.</p>
<p>Resistimos porque estamos juntas, de mãos dadas.</p>
<p>Hoje, ainda ao som do amor do Dia das Mães, damos voz à nossa colaboradora e responsável por divulgar nossas ações nas redes sociais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>todo dia é dia.</strong><br />
<strong>não dá pra perder a oportunidade de dizer o quanto te amo.</strong><br />
<strong>falo todo dia,</strong><br />
<strong>falo até cansar</strong><br />
<strong>e não canso nunca.</strong><br />
<strong>mãe é acalento</strong><br />
<strong>mãe é carinho</strong><br />
<strong>é colo</strong><br />
<strong>é dedicação</strong><br />
<strong>e é amor.</strong><br />
<strong>O primeiro e mais verdadeiro.</strong></p>
<p><strong>É amor infinito</strong><br />
<strong>incondicional.</strong><br />
<strong>e eu te amo.</strong></p>
<p><strong>pela sua luta,</strong><br />
<strong>pela sua força,</strong><br />
<strong>pelas suas vitórias,</strong><br />
<strong>por estar ao meu lado e não estremecer,</strong><br />
<strong>por não duvidar nem um segundo de mim,</strong><br />
<strong>por me emprestar um pouco da sua coragem,</strong><br />
<strong>por ser quem é,</strong><br />
<strong>por simplesmente ser.</strong></p>
<p><strong>***</strong></p>
<p><strong>*<a href="https://www.instagram.com/giulliachaves/">Giullia Chaves</a></strong> é jornalista de formação, comunicadora por natureza. Se dedica à multidisciplinaridade que envolve esse mundo. Especializada em fotografia pela New York Film Academy (NYFA) e em neuromarketing pelo Instituto Brasileiro de Neuromarketing (IBN), busca unir os sentidos humanos pra se comunicar com sensibilidade e propósito.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>DESPEDIDA</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/despedida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 May 2021 12:29:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19040</guid>

					<description><![CDATA[<p>Lucilia de Almeida Neves * | Sem destino segue esta carta É meu adeus sem certeza de chegada Cheira umidade Molhada por lágrimas do ontem e do hoje Lágrimas do amor que reclama A liberdade que não fomos A saudade que escolhemos A ausência diária Sem beijos a entorpecerem minha pele Será que me escutas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lucilia de Almeida Neves * |</p>
<p><strong>Sem destino segue esta carta</strong><br />
<strong>É meu adeus sem certeza de chegada</strong><br />
<strong>Cheira umidade</strong><br />
<strong>Molhada por lágrimas do ontem e do hoje</strong><br />
<strong>Lágrimas do amor que reclama</strong><br />
<strong>A liberdade que não fomos</strong><br />
<strong>A saudade que escolhemos</strong><br />
<strong>A ausência diária</strong><br />
<strong>Sem beijos a entorpecerem minha pele</strong></p>
<p><strong>Será que me escutas</strong><br />
<strong>Minha voz não se perde nos sons do infinito</strong><br />
<strong>Queria lembrar-te do encontro</strong><br />
<strong>Longe foi e vivo brilha</strong><br />
<strong>Meus olhos paralisados de susto</strong><br />
<strong>Reconheceram-te como chegada</strong><br />
<strong>Seus olhos pasmos de luz</strong><br />
<strong>Nos meus se fixaram</strong><br />
<strong>Minutos horas dias tempo curto</strong><br />
<strong>Uma vida em sonho esticado em anos</strong><br />
<strong>Mas vida não há mais</strong><br />
<strong>Como fazer para me escutares</strong></p>
<p><strong>Tanto te amei que entranhada em mim</strong><br />
<strong>A paixão ficou como seiva</strong><br />
<strong>Penetrou veias e artérias</strong><br />
<strong>Circula no meu corpo dia e noite</strong><br />
<strong>Noite e dia a festejar-nos</strong><br />
<strong>A fustigar-me</strong><br />
<strong>A atormentar-me como fome</strong><br />
<strong>A inventar mentiras da presença</strong><br />
<strong>Presença que voou na dor</strong><br />
<strong>Dor deste tempo de aço</strong><br />
<strong>Destes dias canhestros</strong><br />
<strong>De solidão isolamentos perdas impotências</strong></p>
<p><strong>Como fazer para chegar a ti essa flor matutina</strong><br />
<strong>Flor que colhi ao acaso</strong><br />
<strong>Que ao céu joguei em vão</strong><br />
<strong>Caiu aos meus pés presos à grama</strong><br />
<strong>Sem equilíbrio sem força sem direção</strong><br />
<strong>Meus pés que ressoam beijos</strong><br />
<strong>Meus pés que me levavam a você</strong><br />
<strong>Nos dias de festas</strong><br />
<strong>Nossas festas de almas e corpos</strong><br />
<strong>Amalgamados no abstrato do eterno</strong><br />
<strong>Agora entendo partistes sem ter ido</strong></p>
<p><strong>Qualquer dia também voarei</strong><br />
<strong>Mas como então encontrá-lo no desconhecido</strong><br />
<strong>No palco infindo das milhões de vidas ceifadas</strong></p>
<p><strong>Melhor buscá-lo em mim</strong><br />
<strong>Pois ainda não me arrancaram o ar</strong><br />
<strong>Sinto-te a contar em meus ouvidos</strong><br />
<strong>Fui teu nas tardes fugazes</strong><br />
<strong>Fui teu nas esquinas e bares</strong><br />
<strong>Fui teu na praça das camélias e coqueiros</strong><br />
<strong>Sou teu nas manhãs vadias</strong><br />
<strong>Não esqueças pra trás sua intensidade</strong><br />
<strong>Aquela que me consumiu em beijos rubros</strong><br />
<strong>musicais, coloridos, profundos, nossos.</strong></p>
<p><strong>Impotente viajo ao léu</strong><br />
<strong>Vejo-te a tomar campari</strong><br />
<strong>Mas meu olhar agora é brumas,</strong><br />
<strong>Turvo, oco, desfocado, temeroso</strong><br />
<strong>Preciso muito viajar além das nuvens</strong><br />
<strong>Ver-te com olhar claro do amar demais</strong><br />
<strong>Amor que se enrosca na saudade</strong><br />
<strong>Quero te contar sobre desafios</strong><br />
<strong>Desejos, pelejas, outros amores</strong><br />
<strong>Minha vida sem você</strong><br />
<strong>Minha vida plena do que um dia fomos</strong></p>
<p><strong>Ao encontrar-te no movimento das nuvens</strong><br />
<strong>Visitaremos cachoeiras montanhas serras</strong><br />
<strong>As nossas de minério e escarpas</strong><br />
<strong>As de outras terras de pinheiros e pinhões</strong><br />
<strong>As visíveis no horizonte do nosso urbano jardim</strong></p>
<p><strong>As das lonjuras das terras baixas</strong><br />
<strong>Não me recusarei a cantar</strong><br />
<strong>Nossas canções de silêncio</strong><br />
<strong>Nossas canções de esperança</strong><br />
<strong>Não me furtarei a dançar</strong><br />
<strong>Você em mim passos entrelaçados</strong><br />
<strong>Braços a envolver-me no eterno que desconhece o tempo</strong><br />
<strong>Corpos a rodopiar acelerados pela paixão</strong><br />
<strong>Não há ventania que possa levar-te</strong></p>
<p><strong>Fomos certeza e incerteza</strong><br />
<strong>Paixão, amor e partida</strong><br />
<strong>Partida dividida</strong><br />
<strong>Adeus indesejado</strong><br />
<strong>Bordado em pedra</strong><br />
<strong>Rubro de dor e espanto</strong><br />
<strong>Vazio de futuro</strong><br />
<strong>Solitário na tristeza</strong><br />
<strong>Doído corte por afiada lâmina</strong><br />
<strong>Impossibilidade de cicatrização</strong></p>
<p><strong>Ao ouvir a notícia de que foras</strong><br />
<strong>No turbilhão das mortes inúteis</strong><br />
<strong>Compreendi que no amor</strong><br />
<strong>Existem finitudes definitivas</strong><br />
<strong>A do antes foi de dor escolhida</strong><br />
<strong>A do agora é de dor imposta</strong><br />
<strong>E eu impotente</strong></p>
<p><strong>Entro em mim e te enxergo</strong><br />
<strong>Nas cores e sons da memória</strong></p>
<p><strong>Viverei de lembranças</strong><br />
<strong>De visitas aos lugares sagrados do amor</strong><br />
<strong>A saudade será saboroso alimento</strong><br />
<strong>Repetirei teu nome mesmo sem saber que o repito</strong><br />
<strong>Repetirei no sempre</strong><br />
<strong>Na rua, nas conversas, nos bares, na praça, nas noites</strong><br />
<strong>Nunca haverá esquecimento</strong><br />
<strong>Nenhuma terra te cobre</strong><br />
<strong>Enquanto eu tiver vida</strong><br />
<strong>Tua vida em mim também viverá.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*Lucília de Almeida Neves</strong> é historiadora, escritora, professora universitária e, neste mês, recebeu o título de acadêmica da<br />
Academia de Letras de São João Del Rei. Muita coisa? Tem muito mais, porém, o principal é que ela é uma querida colaboradora do Coletivo Maria Cobogó.</p>
<p>Imagem: Rogier van der Weyden</p>
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