<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos mulheres inspiradoras - Maria Cobogó</title>
	<atom:link href="https://mariacobogo.com.br/tag/mulheres-inspiradoras/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://mariacobogo.com.br/tag/mulheres-inspiradoras/</link>
	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
	<lastBuildDate>Tue, 19 Jul 2022 12:08:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>Em tempos de ódio precisamos mais ainda da força da palavra poética</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/em-tempos-de-odio-precisamos-mais-ainda-da-forca-da-palavra-poetica/</link>
					<comments>https://mariacobogo.com.br/em-tempos-de-odio-precisamos-mais-ainda-da-forca-da-palavra-poetica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2022 19:27:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Lucília Garcez]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19693</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Gina Vieira Ponte * |   Em tempos de ódio precisamos ainda mais da palavra poética, aquela que subverte os sentidos desgastados dos vocábulos, aquela que desafia as representações hegemônicas do mundo, aquela que conversa conosco no mais profundo dos nossos conflitos internos, nas mais escancaradas alegrias que carregamos, aquela que alimenta as dúvidas</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/em-tempos-de-odio-precisamos-mais-ainda-da-forca-da-palavra-poetica/">Em tempos de ódio precisamos mais ainda da força da palavra poética</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Gina Vieira Ponte *</strong> |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em tempos de ódio precisamos ainda mais da palavra poética, aquela que subverte os sentidos desgastados dos vocábulos, aquela que desafia as representações hegemônicas do mundo, aquela que conversa conosco no mais profundo dos nossos conflitos internos, nas mais escancaradas alegrias que carregamos, aquela que alimenta as dúvidas e perplexidades mais desconcertantes e que fortalece a nossa esperança em dias melhores.</p>
<p>Mas, a palavra poética não está em qualquer lugar, não aceita caminhar com qualquer um. Ela chega e se faz viva onde haja sossego para que ela possa florescer, onde haja beleza, ética, humanidade, capacidade de indignação com as injustiças, vontade de reinventar o mundo e humildade para ouvi-la e acolhê-la.</p>
<p>Lucília carregava a palavra poética e a transbordava para o mundo em cada gesto, em cada enunciado, em cada frase que pronunciava porque ela se nutria permanentemente da palavra poética em um dos pactos mais bonitos e mais importantes que alguém pode fazer consigo mesmo, o pacto em favor de manter acordadas as nossas inquietações e em favor da solidão eloquente e poderosa para onde nos leva a leitura de um bom texto literário.</p>
<p>Foi o que eu vi no meu primeiro encontro com Lucília: a voz terna e poderosa que era a dela, mas eram também as milhares de vozes que ela ouvia nos livros que lia e que passavam a compor o seu imaginário, o seu discurso, a sua vida. Além da voz terna, vi também o olhar firme que não teme o encontro com o olhar do outro, vi a sutileza e a assertividade dos gestos, a forma pausada e generosa de ir pronunciando cada palavra com o cuidado necessário para que ela não fosse palavra vazia, mas palavra transformadora. Lucília era assim, quando falava nos envolvia, nos sequestrava, na melhor acepção que isto possa ter. Sim, porque quando nós a ouvíamos éramos levados irremediavelmente para a causa que ela defendia com tanta paixão- a leitura, a leitura do texto literário, o encontro com a palavra poética.</p>
<p>Palavra poética, poética palavra, literatura, Lucília são tão próximos que para mim é como se habitassem o mesmo campo semântico. Lucília, ler, leitura, leveza, lento leve levar o livro ler a palavra poética com os pés bem aterrados no mundo, porque, como nos lembra o nosso mestre, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, e a leitura da palavra poética viva amplia, aguça, aprofunda e sofistica o nosso olhar para o mundo. Lucília evocava a palavra transformadora no mundo porque ela própria era transformação, porque o seu ato não se encerrava no falar e no escrever, ela agia, lutava, movimentava, construía, dava materialidade às ideias que defendia.</p>
<p>O encontro com a Lucília me ajudou a aterrar os meus pés na sala de aula com ainda mais certeza de que um dos papeis mais importantes de uma professora é proporcionar um encontro frutífero com o leitor do texto literário. Para entender o sentido do meu encontro com Lucília, recorri à Daniel Pennac que diz que o verbo ler não aceita o imperativo. Por isso quando a gente ouvia Lucília falando de livros a gente queria ler também, porque ela não nos mandava ler, ela ia além, ela nos seduzia para a leitura, ela nos trazia para perto do seu mundo todo rodeado de livros como quem abraça a um filho, coloca-o no colo e convida-o para ouvir uma boa história.</p>
<p>Este colo que a Lucília ofertou ao querido Vladimir, seu companheiro de jornada, às suas filhas, netos, amigos e amigas, este colo que Lucília ofertou aos seus colegas de trabalho, estudantes, o colo que Lucília ofertou à Brasília tem feito uma falta enorme a todos nós.</p>
<p>Não há um dia em que a gente não se lembre a enorme falta que faz a presença física de Lucília em nossas vidas, e em todos estes dias esta saudade e este luto que vamos elaborando aos poucos nos dá a certeza de que o colo, a voz, a força, a potência, a generosidade de Lucília seguem porque o que ela construiu e deixou segue vivo em cada um de nós, segue nas transformações que fez, no legado grandioso que deixou na palavra poética que vai seguir reverberando em suas obras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Obrigada, querida professora Lucília, por tudo e por tanto.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p><strong>**<a href="https://www.instagram.com/professoraginavieira/">Gina Vieira Ponte</a> , </strong>filha de seu Moisés e de dona Djanira, é professora da educação básica há 30 anos. O texto acima foi lido pela autora no evento de lançamento do livro <em>Quando vier a primavera &#8211; um tributo a Lucília Garcez </em>(Outubro Edições), Espaço Cultural Liberty Mall, em 18 de julho de 2022, em Brasília-DF.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/em-tempos-de-odio-precisamos-mais-ainda-da-forca-da-palavra-poetica/">Em tempos de ódio precisamos mais ainda da força da palavra poética</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://mariacobogo.com.br/em-tempos-de-odio-precisamos-mais-ainda-da-forca-da-palavra-poetica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Dona de Brasília</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-dona-de-brasilia-2/</link>
					<comments>https://mariacobogo.com.br/a-dona-de-brasilia-2/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Oct 2021 03:20:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Bianchetti]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19463</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Marcia Zarur   Ela chegou. A multidão alvoroçada, barulhenta e dispersa parou e aplaudiu de pé. Desde sempre ela teve esse magnetismo e foi lindo ver a cidade reverenciando uma de suas donas. Sim, Ailema Bianchetti é dona de Brasília. A homenagem não poderia ter sido mais emocionante e merecida. Foi o lançamento da</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-dona-de-brasilia-2/">A Dona de Brasília</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/marciazarur/"><strong>Marcia Zarur</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela chegou. A multidão alvoroçada, barulhenta e dispersa parou e aplaudiu<br />
de pé. Desde sempre ela teve esse magnetismo e foi lindo ver a cidade<br />
reverenciando uma de suas donas. Sim, Ailema Bianchetti é dona de Brasília. A<br />
homenagem não poderia ter sido mais emocionante e merecida.</p>
<p>Foi o lançamento da coleção Mestres Cobogós, mas a noite era todinha dela.<br />
A mestra, maestra da família, regente atenta e amorosa que há 95 anos transborda<br />
afeto e partilha sabedoria. Arte-educadora, mãe, vó, bisa – refúgio e eixo de um dos<br />
artistas mais importantes do país: Glenio Bianchetti.</p>
<p>Ela foi reverenciada e aclamada, mas Dona Ailema não liga pra fama e pra<br />
salamaleques. É fã da simplicidade e dos gestos sinceros, como os sorrisos que<br />
coleciona e os abraços que está louca para voltar a receber. Mesmo com tantos<br />
cuidados exigidos pela pandemia, a festa no Beirute foi uma celebração. E ela, de<br />
fato, recebeu infinitos abraços nos olhares, nas palavras e nas surpresas que a noite<br />
reservou. Como o discurso espontâneo de um dos frequentadores do bar. Fez do<br />
banco de madeira palanque para declamar, de improviso, mais uma ode de amor e<br />
gratidão a ela.</p>
<p>Difícil descrever essa minha ‘avó postiça’, linda, talentosa, generosa, criativa,<br />
contemporânea, doce, forte, inteligente e muito, muito amorosa. Os adjetivos nunca<br />
são suficientes&#8230;</p>
<p>Ana Maria Lopes e eu, quando decidimos levar à frente esse projeto, não<br />
tivemos dúvidas ao decidir quem seria o primeiro nome da nossa coleção. Glenio<br />
Bianchetti precisa ser conhecido e admirado pelas novas gerações. Seu legado é<br />
inestimável e sua contribuição para Brasília é fundamental. Mas o que nós<br />
queríamos, secretamente, era dar também esse ‘presente’ para a nossa Ailema,<br />
embrulhado em afeto com os mais fortes laços de amizade.</p>
<p>Acho que conseguimos. Ailema saboreou cada momento, cada encontro e<br />
brindou com uma caipirinha caprichada. Porque ela é assim: perfeita na sua extrema<br />
humanidade.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>Marcia Zarur</strong> é jornalista, escritora, fundadora do Coletivo Maria Cobogó e<br />
apaixonada por Brasília e por tudo que diz respeito à cidade. Tem dois livros<br />
publicados: <em>Amor Concreto</em> e <em>Mestres Cobogós/ Glenio Bianchetti</em>.</p>
<p><strong>Ailema Bianchetti</strong> é arte-educadora, mulher que dignifica o feminino e tudo o mais<br />
que a autora escreveu acima. Quem não a conhece não sabe o que está perdendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-dona-de-brasilia-2/">A Dona de Brasília</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://mariacobogo.com.br/a-dona-de-brasilia-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>5</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lila</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/lila/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Mar 2021 06:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[março]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19016</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Claudine M. D. Duarte * | “A vida muda rapidamente. A vida muda em um instante. Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina.” Joan Didion, em O Ano do Pensamento Mágico (2005)   Lila não entendia de marcas de sabão em pó. No meio da cozinha, a máquina jorrava</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/lila/">Lila</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Claudine M. D. Duarte * |</p>
<p style="text-align: right;"><em>“A vida muda rapidamente. A vida muda em um instante.<br />
</em><em>Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina.”</em><br />
Joan Didion, em<em> O Ano do Pensamento Mágico (2005)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lila não entendia de marcas de sabão em pó.</strong></p>
<p><strong>No meio da cozinha, a máquina jorrava um monstro de espuma branca com pedacinhos roxos. Lila puxou o fio da tomada: um silvo comprido acusou a morte do equipamento.</strong></p>
<p><strong>Lila escorregou e a criatura disforme cobriu suas mãos.</strong></p>
<p><strong>Tomou fôlego e soprou: a espuma tinha uns caminhos inesperados.</strong></p>
<p><strong>Lembrou de outra manhã.</strong></p>
<p><strong>Lila ainda não conhecia bolhas de sabão.</strong></p>
<p><strong>Foi depois da missa das dez.</strong></p>
<p><strong>Lila fizera o almoço e colocara o seu melhor vestido. Leve suas irmãs, gritou o pai.</strong></p>
<p><strong>Lila obedeceu. Lila sempre obedecia.</strong></p>
<p><strong>A filha da vizinha pediu pra ir junto. Queria mostrar como fazer umas tais bolhas de sabão. Elas se desprenderam do pequeno aro prateado e voaram para o outro lado da rua. Um muro negro as esperava.</strong></p>
<p><strong>Um muro negro as desvanecia. Desvaneceu.</strong></p>
<p><strong>Lila ainda não sabia que era a última vez que via suas irmãs. As pessoas tinham caminhos improváveis.</strong></p>
<p><strong>Lila não percebeu. Lila nunca percebia.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*</strong><a href="https://www.instagram.com/claudine_m_d_duarte/"><strong>Claudine M. D. Duarte</strong></a>, escritora e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó, sobre foto de Helen Levitt: Crianças com Bolhas de Sabão (NY, 1940).</p>
<p><strong>**<a href="http://www.resumofotografico.com/2020/03/a-poetica-e-politica-fotografia-de-rua-de-helen-levitt.html">Helen Levitt</a> </strong>nasceu no Brooklyn (NY) em 1913. Se apaixonou pela câmera escura e, inspirada pela arte de Henri Cartier-Bresson e Walker Evans, usou as cenas urbanas de Nova York como pano de fundo para suas fotos. Levitt permaneceu ativa como fotógrafa por quase setenta anos e, pelo lirismo de seu trabalho, é chamada poeta visual da cidade que nunca abandonou. Faleceu em Nova York, num dia como hoje, 29 de março, em 2009. Deixou um companheiro, Blinky, um gato amarelo.</p>
<p>Imagem: <em>Crianças com Bolhas de Sabão</em></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/lila/">Lila</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DE ALMAS E BOIS</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Mar 2021 11:42:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19004</guid>

					<description><![CDATA[<p>Elisa Mattos*| Por muitos anos convivi Minas. Vi de perto Minas, senti Minas, cheirei Minas. Sensações difíceis de traduzir em palavras. Minas se vive. Também aprendi a ouvir Minas. A voz mansa do mineiro; o riso cúmplice na troca de olhares; o sorriso sem sequer um porquê; as histórias sem cabimento, expressão mineiramente encantadora. Pode</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/">DE ALMAS E BOIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Elisa Mattos*|</p>
<p><strong>Por muitos anos convivi Minas. Vi de perto Minas, senti Minas, cheirei Minas. Sensações difíceis de traduzir em palavras. Minas se vive. </strong></p>
<p><strong>Também aprendi a ouvir Minas. A voz mansa do mineiro; o riso cúmplice na troca de olhares; o sorriso sem sequer um porquê; as histórias sem cabimento, expressão mineiramente encantadora. Pode significar um desprezo, pode ser um elogio, um espanto, uma esperança. Tem cabimento.</strong></p>
<p><strong>O dobrar dos sinos, carregado de mensagens. As luzes amarelas de seus postes, o silêncio dos becos. Me casei em Minas, numa igrejinha linda de Tiradentes. Festa mineira, som de violino, bolo com recheio de doce de leite, buquê de orquídeas catadas na hora no pequeno quintal da dona Carmem. Criei vínculos.</strong></p>
<p><strong>Os contos de Nazaré Bretas, mineira de Piraúba, me levam (ou me trazem) a Minas. Seu primeiro livro, De Almas e Bois, é uma viagem por esse universo tão particular, porém carregado de emoções que patinam entre lembranças e saudades, entre</strong><br />
<strong>amores e esquecimentos, rezas ou murmúrios.</strong></p>
<p><strong>Na curta apresentação, Nazaré revela que as histórias nasceram ou foram inspiradas em conversas nos alpendres da roça e nas rodas de boteco. Quem resiste a esses deliciosos saraus?</strong></p>
<p><strong>O conto que abre o livro já indica uma linguagem um tanto minerês que nos aguarda. A princípio causa estranheza, mas indo, linha após linha, entramos de cabeça no clima. Uai, pensei, que trem mais gostoso de ler. Daí, recomecei do início, para melhor entendimento do sutil jogo de entrecruzar nomes dos animais, mania dos fazendeiros daquelas bandas de Minas. Traduções da alma.</strong></p>
<p><strong>Nininha e o Mar é apaixonante. É mulher, somos nós. É minha mãe, que era chamada de Nininha pelos seus irmãos e, estranhamente, vivia perto do mar, mas não frequentava as águas. A dona da história queria o mar junto dela, com toda a </strong><strong>imensidão que ele pode oferecer. E o quis de presente, foi seu mais ambicioso pedido. Como não se emocionar com tamanha singeleza?</strong></p>
<p><strong>Aqui, Nazaré mostra o quanto a intensidade da espera pode se transformar em decepção, quando o sonho não cabe dentro de uma concha. Só resta recolher os cacos. E assim segue a vida de tantas e tantas mulheres que nos rodeiam.</strong></p>
<p><strong>De Almas e Bois fala também das dores da alma, do sentir-se isolado, de escolhas, de solidão. A dor da saudade. Traços de tristezas, que também fazem parte da vida, infelizmente. No entanto, Nazaré busca equilíbrio nas palavras quanto toca em temas tão áridos, que nos angustiam, incomodam, tocam em feridas. Mas tais sentimentos são apresentados com leveza e doçura, com roupagem de poesia.</strong></p>
<p><strong>Um livro de estreia com jeito de que já estava pronto, só faltava chegar até nós. Nazaré Bretas se junta a tantas outras autoras brasileiras que sabem como e onde buscar a força do escrever. Com lindeza e sabedoria. Seja bem-vinda.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="text-align: left;">Trecho:</span></p>
<blockquote><p>“Não era daqui tão longe. Nem faz tanto tempo assim. O lugarejo famoso por harmônica geografia, e por ser dito e sabido, lugar de ordem e abundância. Os morros o protegiam. O rio que lhe cortava ao meio, vinha do berço do sol, seguia exato seu rumo, até que lá no horizonte, junto do poente, sumia. Às margens simétricas do leito, prósperos sítios se alinhavam na mais formosa teia. Cemitério, igreja, estação dispunham-se com singular equilíbrio. E no alto do morro mais alto um cruzeiro de luz contemplava o cenário.</p>
<p>Os viajantes que alongassem a estada, e olhassem a vila de perto, andassem por seus caminhos, percebiam algo estranho. Brilhavam pouco os olhos das gentes. Como que cansados da ordem, enfastiados de equilíbrio. Também pouco se ouvia o riso solto pelas coisas simples. E nunca, nunca mesmo se ouvira contar de que ali se chorara em pranto.</p>
<p>Quem por mais tempo ficasse, aprofundasse na prosa, rezasse a missa com a vila, acabava por aprender que lá cada casal, ao ter as bênçãos do pároco e do cruzeiro de luz, tinha uma estória só.(&#8230;)”</p>
<p><em>Vila do Cruzeiro</em>, do livro De Almas e Bois (2019)</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p>*<strong>Elisa Mattos</strong> é jornalista e escritora. Seus poemas são publicados em coletâneas nacionais e internacionais, entre elas Mulherio das Letras e a edição internacional Mulherio Pela Paz. Meu Reverso é seu livro de estreia e tem o selo do Coletivo Editorial Maria Cobogó, do qual é uma das fundadoras.</p>
<p>**<strong>Nazaré Bretas</strong>, nascida mineira, na pequena Piraúba, se dedicou por muito tempo às coisas exatas: matemática e computadores. Desde 2018 se dedica à literatura, em escritos e recomendações de leitura pela página <a href="https://www.facebook.com/almaeboi/">https://www.facebook.com/almaeboi</a>/ . <strong>De Almas e Bois</strong> (2019) é seu primeiro livro. Foi publicado pelo Coletivo Maria Cobogó e “gestado entre sertão e veredas”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/">DE ALMAS E BOIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marcia, a boneca</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/marcia-a-boneca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Feb 2021 00:07:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18963</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Marcia Zarur *   Uma comunidade que nasceu às margens do maior lixão de Brasília - a Estrutural - sobrevive. Entre ruas mais urbanizadas, há ainda locais muito pobres, com ares de favela, onde nem GPS encontra endereços perdidos e inexistentes para o resto do mundo. Foi uma dessas ruas que a nossa equipe</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/marcia-a-boneca/">Marcia, a boneca</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/marciazarur/"><strong>Marcia Zarur *</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Uma comunidade que nasceu às margens do maior lixão de Brasília &#8211; a Estrutural &#8211; sobrevive. Entre ruas mais urbanizadas, há ainda locais muito pobres, com ares de favela, onde nem GPS encontra endereços perdidos e inexistentes para o resto do mundo.</strong></p>
<p><strong>Foi uma dessas ruas que a nossa equipe do Distrito Cultural custou a achar. Seu Chico, motorista experiente, conduziu a van por vielas e buracos até chegar ao local indicado: uma rua estreita, de terra vermelha e poeira, com um filete de esgoto correndo na beirada das paredes improvisadas. A entrevistada já nos esperava ansiosa. Abriu o cadeado que prendia a pesada corrente na portinhola de madeirite sem pintura e eu entrei no seu ateliê.</strong></p>
<p><strong>Foi como se eu passasse por um portal mágico, que deixou a pobreza e a tristeza do lado de fora. Lá dentro, a cor, a vida e a alegria não deixavam espaço para mais nada. Paredes repletas de bonecas de pano, com vestidos coloridos, bichinhos sorridentes, flores e encantamento. A esperança morava ali, escondida, inventada e acolhida pelas mãos da bonequeira.</strong></p>
<p><strong>Dona Roscicleide me recebeu com um sorriso e um abraço nesse cantinho inacreditável, dentro da Estrutural. Conversamos como velhas conhecidas, numa entrevista que mais pareceu uma prosa de comadres. Ora ela me mostrava as bonecas, ora arrematava algum detalhe na máquina de costura, e assim fomos alinhavando mais um pedacinho de uma linda história candanga.</strong></p>
<p><strong>No fim, ela me presenteou com uma de suas belíssimas bonecas de pano e deixou que eu a escolhesse, dentre as dezenas que coloriam as paredes sem reboco.</strong></p>
<p><strong>Meus olhos, desde o início, tinham se apaixonado por esta, que ilustra o texto. Alguma coisa, como um imã, me puxava para ela, numa conexão inexplicável. Não precisei pensar para revelar a minha favorita.</strong></p>
<p><strong>Dona Rosi olhou para o marido e os dois riram, de certa forma, aliviados. Só pude entender quando ela me contou que escolheu o tecido mais bonito de festa e passou a noite costurando, justamente essa boneca, e lhe deu o meu nome: Marcia. Ela criou essa boneca especialmente para mim e disse: mesmo não sendo o seu tom de pele, ela é parecida com você. Eu também acho. Marcia já estava destinada a mim, antes de eu mesma saber.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>     ***   </strong></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/marciazarur/"><strong>*Marcia Zarur</strong></a> é jornalista, escritora, fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó e uma boneca. Além disso, faz agrado a <a href="https://www.instagram.com/roscicleidemenezes/"><strong>dona Rosi</strong></a>, que expõe suas bonecas na <a href="https://www.instagram.com/bancadaconceicao/"><strong>Banquinha da Conceição</strong></a>, na 308 Sul e no <a href="https://www.instagram.com/mercadocobogo/"><strong>Mercado Cobogó</strong></a>, na 704/705 Norte.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/marcia-a-boneca/">Marcia, a boneca</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O pioneirismo da consciência negra e feminista de Maria Firmina dos Reis</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/o-pioneirismo-da-consciencia-negra-e-feminista-de-maria-firmina-dos-reis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 06:33:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[autoras negras]]></category>
		<category><![CDATA[maria firmina]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<category><![CDATA[ursula]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18874</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Cristiane Bernardes * |   O mês da Consciência Negra, celebrada em 20 de novembro, é uma ótima oportunidade para resgatar a história da escritora Maria Firmina dos Reis, primeira a abrir espaço para os dramas pessoais das negras e negros trazidos à força para o País. Maria Firmina foi pioneira ao tematizar as</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/o-pioneirismo-da-consciencia-negra-e-feminista-de-maria-firmina-dos-reis/">O pioneirismo da consciência negra e feminista de Maria Firmina dos Reis</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Cristiane Bernardes * |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mês da Consciência Negra, celebrada em 20 de novembro, é uma ótima oportunidade para resgatar a história da escritora Maria Firmina dos Reis, primeira a abrir espaço para os dramas pessoais das negras e negros trazidos à força para o País. Maria Firmina foi pioneira ao tematizar as relações sociais no regime escravocrata, incluindo em suas obras a voz dos escravos sobre a violência sofrida cotidianamente por eles. Nesse sentido, ela é considerada a fundadora da literatura afro-brasileira e precursora da literatura abolicionista no Brasil.</p>
<p>Seu romance de estreia, <em>Úrsula</em>, é considerado a primeira obra abolicionista e feminista do Brasil, tendo sido publicado em 1859. Anterior, portanto, a <em>Navio Negreiro</em> de Castro Alves, publicado em 1870. <em>Úrsula</em> é a primeira obra da literatura brasileira a dar densidade dramática aos personagens negros, que têm voz e participação narrativa essencial no livro e se opõem claramente à opressão e à injustiça de sua condição. Isso contraria a prática comum da época, quando os autores que tematizaram a escravidão traziam os negros de forma estereotipada ou apenas no papel de vítimas da situação social.</p>
<p>Além de ser uma das primeiras escritoras brasileiras em uma época em que poucas mulheres sequer sabiam ler, Firmina também foi precursora da escrita feminista no Brasil, em um contexto histórico dominado por autores homens que sequer questionavam a estrutura social da época. <em>Úrsula</em> conta o drama da jovem branca perseguida por um tio violento em uma sociedade patriarcal, trazendo diferentes histórias de mulheres oprimidas e agredidas por seus maridos. Nesse sentido, a escritora prioriza dramas e situações cotidianas violentas vividas, tanto por mulheres brancas consideradas livres, quanto por escravas, por meio de suas personagens femininas retratadas no romance.</p>
<p>Nesse sentido, é exemplar o papel dramático da personagem Suzana. A velha escrava que trabalha na casa da jovem Úrsula faz um relato minucioso de como era a sua vida na África, antes de ser sequestrada por “bárbaros” e trazida à força para o Brasil. Suzana também relata em detalhes, as agruras e violências sofridas durante a viagem no navio que a trouxe ao Brasil. Assim, as agressões sofridas pelas duas mulheres ao longo da narrativa servem como fator de aproximação, criando empatia entre ambas e também com as leitoras, construindo o retrato de uma sociedade que desvaloriza, persegue e violenta as mulheres, sejam negras ou brancas.</p>
<p>Maria Firmina nasceu em março de 1822 em São Luís e faleceu em 1917, em Guimarães, cidade litorânea do Maranhão onde viveu a maior parte de sua vida. Filha bastarda de uma mulher alforriada, a autora foi aprovada em um concurso público e se tornou professora da escola primária na cidade, em 1847. Por ser abolicionista, recusou-se a ir receber a nomeação de professora dentro de um palanquim, espécie de liteira onde damas eram comumente carregadas por escravos. Recusando o conselho da mãe, Firmina vai a pé receber a nomeação, afirmando que “negro não é animal para se andar montado nele”.</p>
<p>Além de pioneira na literatura e no abolicionismo, Maria Firmina também foi uma inovadora da educação brasileira. A escritora aposentou-se em 1881, depois de trabalhar durante 35 anos como Mestra Régia, isto é, professora formada e concursada que lecionava em sua própria casa. Um ano antes de se aposentar, fundou uma escola em Maçaricó, que misturava alunos dos dois sexos, muitos dos quais não podiam pagar para estudar nas escolas particulares. O experimento era uma ousadia para a época, exatamente por misturar meninos e meninas de diferentes classes sociais. As aulas eram dadas em um barracão de propriedade de um senhor de engenho e as filhas do proprietário também eram ensinadas por Firmina. O experimento educativo durou pouco mais de um ano, contudo.</p>
<p>É possível imaginar que a trajetória pessoal de Maria Firmina não tenha sido fácil, especialmente por conta das dificuldades que a atividade literária possa ter lhe trazido. A originalidade na abordagem da temática social pode ter sido um motivo para que os escritos dela tenham recebido reconhecimento público somente em 1975, mais de um século depois da publicação de seu primeiro romance. Mesmo no século XX, contudo, historiadores da literatura e críticos como Silvio Romero e José Veríssimo a ignoram.</p>
<p>Apesar de todas essas dificuldades, a autora publicou poesia, ensaios, contos, quebra-cabeças e compôs canções abolicionistas. Os contos “A Escrava” (1887) e “Gupeva” (1861) mostram, exemplarmente, a força de uma literatura política e ideologicamente engajada, a partir de um olhar profundamente cristão.</p>
<p>A partir desse curto retrospecto, não é exagero considerar Maria Firmina uma pioneira em vários sentidos no cenário literário e social brasileiro. <em>Úrsula</em> é revolucionariamente original ao mostrar a identificação da autora com parcelas marginalizadas da sociedade escravocrata e patriarcal.  Se isso não for motivo suficiente para estimular a sua leitura, acrescento que o final da obra é de uma beleza candente e desconsolada que me transportou ao século XIX e me levou às lágrimas, algo que somente a melhor literatura é capaz de nos conceder.</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p><strong>*Cristiane Bernardes</strong> é docente e pesquisadora do Mestrado Profissional em Poder Legislativo mantido pelo CEFOR/Câmara dos Deputados. É jornalista, astróloga e  mantém o blog <a href="https://cronicasuranianas.com/">cronicasuranianas.com</a>.</p>
<p>Imagem: reproduzimos a ilustração de Maria Firmina dos Reis por <a href="https://www.joanalira.com.br/home/"><strong>Joana Lira</strong></a> para o livro &#8220;Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil&#8221; (2018), de Duda Porto e Aryane Cararo.</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/o-pioneirismo-da-consciencia-negra-e-feminista-de-maria-firmina-dos-reis/">O pioneirismo da consciência negra e feminista de Maria Firmina dos Reis</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vovó virou bolsa</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/vovo-virou-bolsa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 15:13:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18837</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes * |   Era 1890.  Jovens escritores de Fortaleza, que se reuniam no Café Java, resolveram criar uma engenhosa e bem humorada sociedade literária. Criaram estatutos e leis “onde a boa gargalhada substitui o tonitroar da rethorica sediça e narcótica”. Fugiam dos costumes e do engessamento das agremiações literárias da época, “hirtas</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/vovo-virou-bolsa/">Vovó virou bolsa</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes</a> * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era 1890.  Jovens escritores de Fortaleza, que se reuniam no Café Java, resolveram criar uma engenhosa e bem humorada sociedade literária. Criaram estatutos e leis “<em>onde a boa gargalhada substitui o tonitroar da rethorica sediça e narcótica”.</em> Fugiam dos costumes e do engessamento das agremiações literárias da época, <em>“hirtas e parvas com seus estatutos massudos”.</em></p>
<p>A essa instituição deram o nome de <strong>Padaria Espiritual</strong>. Os escritores eram os “padeiros” e o “forno”, a sede da Padaria, num prédio da Rua Formosa. O produto era O Pão, jornal semanal que circulou até 1896.</p>
<p>Dele foi dito que “<em>o programma da Padaria Espiritual é o mais curioso, o mais original, o mais fin de siécle que se pode conceber”.</em> Isso, no melhor e mais lido jornal da cidade.</p>
<p>Um de seus fundadores foi Sabino Batista, ou Satyro Alegrete, como ele assinava seus textos. Sabino era casado com Ana Nogueira, moça de Icó e caçula de nove irmãos.</p>
<p>Desde cedo Ana mostrava seu gosto pela literatura. Ana lia, Ana escrevia, Ana recitava. Ana casou. A partir desse casamento Ana passou a fazer O Pão. Colaborava com seus poemas e ideias. A irreverência e o sarcasmo de Sabino se uniram à inteligência e suavidade de Ana e dessa boa massa formaram a família Nogueira Batista.</p>
<p>Ana Nogueira Batista vinha de uma linhagem abolicionista. Seu pai era deputado provincial e presidente da Sociedade Libertadora dos Escravos em Icó, cidade onde Ana nasceu. Cresceu como poeta e publicou, além do O Pão, em vários jornais e publicações da época. Traduziu Verlaine, Contesse de Noailles e Sully Prodhomme. Era uma mulher à frente de seu tempo. Não teve medo de se engajar no movimento pela abolição da escravatura, de entrar no mundo dos livros e de se revelar poeta para todo o país.</p>
<p>A fama de Ana parou no tempo e num país onde a memória é rasa e pouca. No entanto, foi agraciada no Dicionário de Mulheres do Brasil, um de seus poemas foi musicado pelo compositor Alberto Nepomuceno e agora virou bolsa.</p>
<p>Sim, vovó Ana (sou casada com o neto que a chama assim) foi contemplada por uma fábrica de bolsas, a House of Caju, que homenageia mulheres ilustres desse país. Logo, Ana Nogueira Batista está no mercado, como uma bolsa feminina, bolsa que guarda tudo o quê uma mulher gosta de guardar: batom, afeto, pente, grampos, lenços, esperança, liberdade, poesia e amor e, é claro, o pão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>Trecho poema &#8220;Trovas Antigas&#8221; (1899), de Ana Nogueira Batista:</p>
<p style="text-align: center;">&#8220;Falemos, pois, das aladas / coisas de amor e ternura / libemos a taça pura / n&#8217;essas horas venturosas&#8230; / vamos de mãos enlaçadas / por êsses invios caminhos, / que importa se houver espinhos? / Bem junto florescem rosas.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*<a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes (Nogueira Batista)</a> é jornalista, escritora, fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó e quase homônima da “padeira” espiritual do texto.</p>
<p>Imagem: acrílico sobre tela de Lukas Beyer</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/vovo-virou-bolsa/">Vovó virou bolsa</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
