<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Contos - Maria Cobogó</title>
	<atom:link href="https://mariacobogo.com.br/tag/contos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://mariacobogo.com.br/tag/contos/</link>
	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
	<lastBuildDate>Fri, 28 Jan 2022 15:16:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>O BAGAÇO DA FESTA</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/o-bagaco-da-festa/</link>
					<comments>https://mariacobogo.com.br/o-bagaco-da-festa/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 00:07:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19559</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Solange Cianni *|   Tem hora que o vazio é tanto que nem uma caixa inteira de bombons resolve o problema. E é aí que mora o perigo... Nessa hora se você não se ocupa de algo que realmente lhe preencha, cai na armadilha da carne fraca. Quero dizer que não é necessária nem</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/o-bagaco-da-festa/">O BAGAÇO DA FESTA</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong><a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/solange-cianni/">Solange Cianni</a> *|</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tem hora que o vazio é tanto que nem uma caixa inteira de bombons resolve o problema. E é aí que mora o perigo&#8230;</p>
<p>Nessa hora se você não se ocupa de algo que realmente lhe preencha, cai na armadilha da carne fraca. Quero dizer que não é necessária nem uma cantada especial.</p>
<p>Duas taças de vinho tinto, uma conversinha besta e já era&#8230; É triste no dia seguinte, quando acorda com o ronco daquele que é conhecido como o bagaço da festa, o último a sair do boteco, aquele que já está para lá de rodado.</p>
<p>Maria Aparecida era especialista em atrair situações como essa, por pura carência. Foi no dia anterior que assistiu a um filme pornô, resolveu sair sozinha e tirar o atraso. Já tinha tomado umas três caipirinhas e ele, calejado, sentiu que era a hora do ataque. Quando deu por si, já estava no apartamento dele, ouvindo a nova música do Luan Santana, incrível!</p>
<p>Nem conhecia o tal cantor, mas dançou e cantou sedutora e tonta. Tão tonta que nem reparou que ele era muito feio e fedia a bebida e cigarro. Que sua casa era toda desorganizada, abafada e nem se lembra se ele usou camisinha. Mas não se esqueceu do ronco que a acordou no meio da madrugada. E daí para frente não conseguiu mais dormir. Rolava de um lado para o outro da cama desconfortável. Sentia um calor insuportável! E ele lá, de barrigão para cima, roncando&#8230;</p>
<p>De repente se deu conta de que não precisava passar por isso e decidiu ir embora. Mas lembrou-se de que estava sem carro.</p>
<p>&#8211; Posso chamar um Uber! Pensou, animada.</p>
<p>Não achava sua calcinha. Procurou embaixo da cama mas achou o outro par da sandália. A blusa estava no sofá da sala, junto do sutiã.</p>
<p>&#8211; Graças a Deus!</p>
<p>A saia estava jogada na mesinha de cabeceira. Ela tropeçava e xingava, mas ele nem se mexia&#8230;</p>
<p>&#8211; São Longuinho, São Longuinho, me ajude a achar a minha calcinha! – falava dando pulinhos.</p>
<p>Nervosa, cheia de sono, desejava urgente um banho para tirar o cheiro dele que estava impregnado nela. Só pensava na sua caminha macia e cheirosa. Decidiu ir embora sem calcinha mesmo.</p>
<p>Ah, se arrependimento matasse, Maria Aparecida estava <em>mortinha da silva</em> no dia seguinte!</p>
<p>&#8211; Que decadência! Onde está o seu amor próprio, sua dignidade? Falou olhando-se no espelho pela manhã.</p>
<p>E não adiou nem mais um dia o retorno à sua terapia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>* * *</strong></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/solangecianni/"><strong>Solange Cianni</strong></a> é escritora, atriz, pedagoga e psicopedagoga. Tem vários livros editados para o público infantojuvenil e escreve contos e poemas em antologias e coletâneas. <strong>Cigarras, Lagartas e outras Marias</strong> foi seu primeiro livro voltado ao público adulto. É dele o conto acima. O livro contém o que ela chama de “eróticos românticos”. Como outros de seus livros, esse também foi editado pelo Coletivo Maria Cobogó, da qual é uma das fundadoras.</p>
<p>O livro <strong>Cigarras, Lagartas e outras Marias</strong> pode ser adquirido no Sebo Dom Caixote <a href="https://www.instagram.com/domcaixotesebo/">@domcaixotesebo</a></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/o-bagaco-da-festa/">O BAGAÇO DA FESTA</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://mariacobogo.com.br/o-bagaco-da-festa/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DEGUSTAÇÃO DE GENEROSIDADES</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/degustacao-de-generosidades/</link>
					<comments>https://mariacobogo.com.br/degustacao-de-generosidades/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 03:07:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Gabo]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19521</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Nazaré Bretas * |     Nesses dias de lusco fusco da pandemia, ganhei um presente que desfrutei devagar. Preciso dividi-lo com você. O presente foi referência a livro de Contos, 12 para ser exata, da lavra de escritor genial e dotado, dentre outras vocações, da capacidade de tratar da morte sem infligir dor</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/degustacao-de-generosidades/">DEGUSTAÇÃO DE GENEROSIDADES</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por<strong> Nazaré Bretas * |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesses dias de lusco fusco da pandemia, ganhei um presente que desfrutei devagar. Preciso dividi-lo com você. O presente foi referência a livro de Contos, 12 para ser exata, da lavra de escritor genial e dotado, dentre outras vocações, da capacidade de tratar da morte sem infligir dor a quem lê. No máximo algum susto. No livro/presente, o que mais brota é afeição pelos personagens, sejam eles moribundos, falecidos, assassinos ou enlutados. Além disso, há o encantamento com os cenários – recorte do mundo formado por sítios plotados na Europa e Latino América, lugares diversos que desde sempre habitam nosso próprio imaginário e justificaram atribuição do adjetivo Peregrinos às estórias mágicas.</p>
<p>Sim, falo de <em>Doze Contos Peregrinos</em>, publicado em 1992 pelo Mago Latino e vencedor do Nobel, Gabriel García Márquez, ou simplesmente <em>Gabo</em>.</p>
<p>De início, duvidei que fosse inédito aos meus olhos já idosos, plenos de calos de ler. Mas bastou consultar o índice para me convencer que, de fato dele nunca havia bebido. Senti certa culpa. Como pude viver tanto tempo desconhecendo uma obra de Gabo, justo de estórias curtas, gênero que ingenuamente tenho ousado produzir?</p>
<p>A culpa durou pouco, foi posta de lado pelo frisson de desembrulhar o presente. Os títulos listados, individualmente e no conjunto, provocaram em mim, tardia aprendiz do ofício de contar contos, mais que curiosidade. <em>Me Alugo para Sonhar</em>, <em>A Luz é Como Água</em>, <em>Só Vim Telefonar</em> foram alguns dos que me enfeitiçaram de saída.</p>
<p>Depois do exame do sumário, desprezei sem dó as 3 ou 4 páginas de prólogo e já viajava com o <em>Senhor Presidente</em>, quando se impôs redução do ritmo, como estratégia para adiamento do fecho das sagas.</p>
<p>Se você nunca se impôs pausas e desacelerações em leitura de conteúdo capaz de encantar, esclareço que trago comigo esta prática desde as mesas de almoço da minha mais tenra infância: frente ao arroz de forno ou fatia de Braga, cheirava, mastigava repetidas vezes. Fingia que a porção já era finda. Demorava, para que os sabores não se perdessem no aparelho digestivo e tivessem tempo de chegar ao mais fundo do cérebro e do coração. Mesmo que irmãos e primos já tivessem limpado seus pratos e saído da mesa para a polícia e ladrão. Não sei de onde tirei isto, mas transpus para a leitura. Não nos primeiros clássicos. Tive que ser exposta ao <em>A Hora da Estrela </em>para migrar a prática. Depois disso incorporei. Talvez por isto viagens literárias compõem boa parte da minha memória afetiva. Lugares próximos aos das fatias de Braga.</p>
<p>Claro que, mesmo me esmerando em sorver devagar, terminei a leitura. Ri, chorei, acho mesmo que numa noite espremida entre as leituras tive sonho com encontro improvável entre personagens. Foi no avião batizado por Gabriel como sendo de Bela Adormecida. Ao contrário da apaixonante estória de Gabo, quando somente a Bela dormiu, meu inconsciente trouxe a bordo uma profusão de gentes que viviam no livro, todas submetidas a estranho e profundo adormecer, tão logo ocuparam seus lugares. Todas menos a menina Santa. E mais não conto.</p>
<p>Terminei a leitura e voltei ao prólogo. Como quem precisa verificar se há alguma rapa em panela de iguaria. Pois havia e era doce. Se dela não houvesse provado, não sentiria necessidade de contar a você. É que era amostra da generosidade do autor, qualidade que antes eu já havia testemunhado no relato das oficinas de roteiro que ele conduziu na Escola de Cinema de Havana (<em>A Bendita Mania de Contar</em>). Ou ainda, o que soube depois, pela sua dedicação para premiar jovens colegas da profissão que dizia preferir, o Jornalismo.</p>
<p>Pois <em>Gabo</em>, o Generoso, usou dessas páginas de abertura para ensinar, sem traço qualquer de arrogância ou superioridade. Didaticamente, revelou o longo processo de produção da dúzia de estórias: 18 anos com várias interrupções. Ao fazê-lo, extrapolou o caso, por mais singular que seja, e ensinou sobre o vício de escrever.</p>
<p>Desde o registro da noite de sonho com o próprio velório até o lançamento da cria, Gabriel produziu aula viva: sobre inspiração – de início detalhou mais de 60 temas; sobre cansaço e dúvidas (qual seria o formato? Romance, crônica, roteiro para áudio visual, ou… contos curtos?). Falou até mesmo dos méritos eventuais de desorganização: perder a lista original foi chave para que se concentrasse num número três vezes menor de contos. Os que estavam de fato no coração.</p>
<p>E ainda assim, tendo chegado ao cerne da construção criativa, Gabriel não levitou em experiência contínua de prazer. A sensação lhe teria chegado entremeada pelo cansaço, pela dúvida e baixo a muito trabalho.</p>
<p>Sem drama, os ensinamentos confluem para encerramento através de reflexão acerca do poder sobre as estórias, depois de saídas da prensa. Mais que ciência sobre ser impotente quanto ao destino final de suas crias, o Mago convida quem lê a exercer, sem dó ou prurido, o julgamento definitivo. E fecha a aula declarando:</p>
<blockquote><p>“Quem os ler saberá o que fazer com eles. Por sorte, para estes doze contos peregrinos terminarem no cesto de papéis deve ser como o alívio de voltar para casa”.</p></blockquote>
<p>Se você não prestar atenção ao que lê, pode dar a tais palavras sentido de desinteresse do criador quanto ao lugar das criaturas. Vi diferente. Vi humildade de um escritor consagrado. E mais que tudo, vi ensinamento precioso para quem escreve, ou se dispõe a escrever. O desapego contido nessa parte final da lição me reporta à importância de aceitar que para lidar com este vício, por vezes ingenuamente referido como bendita mania de contar, é preciso estabelecer limites. Saber até onde ir. Por mais desafiador que seja.</p>
<p>Fecho este breve contar com o registro de que o que experimentei na aula-presente não me foi fácil, nem sei se de fato aprendi. Digo que tenho comigo, procurando lugar no fundo do coração. Digo que não se mostra leve, o aprender de leveza.</p>
<p>Mas, como trago com a aula os generosos olhos e sorriso do Professor, tenho esperança de passar o que foi lido ao fundo do cérebro e do coração. Chego a ver seu rosto refletido em lugar além da vida terrestre, seus olhos doces a me observar, lendo e tentando aprender. Posso vê-lo sorrindo ao saber-me grisalha e ainda assim tão irremediavelmente ingênua quanto à essência do ofício. Ao ponto de sonhar – e no sonho, como o Mestre, me inspirar. Com a diferença de que, apesar de que corram tempos de lusco fusco da pandemia, a inspiração vem através de menina Santa, do alto, em pleno voo.</p>
<p>Em essência, talvez a razão para riso de <em>Gabo</em> na cena, seja que, ingênua, sonho e me inspiro em Ressurreição.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">(A propósito, ganhei o presente da referência ao saboroso volume da Claudine Duarte, escritora, editora e amiga. Sábia e generosa em tudo o que faz)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.facebook.com/nazare.bretas"><strong>Nazaré Bretas</strong> </a>é mineira de Piraúba. Sempre se dedicou à matemática e aos computadores até descobrir a escritora que a perseguia desde o berço. Seu livro de contos <em>De Almas e Bois</em> é campeão de vendas do Coletivo Maria Cobogó (se quiser um exemplar, basta entrar em contato com o <a href="https://www.instagram.com/domcaixotesebo/">Sebo Dom Caixote</a>).</p>
<p>Imagem: <strong>Gabriel García Márquez</strong>(Aracataca, Colombia, 1927 &#8211; México D.F., 2014) por Grau Santos em <a href="https://elcultural.com/memoria-de-gabriel-garcia-marquez">ElCultural.com</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/degustacao-de-generosidades/">DEGUSTAÇÃO DE GENEROSIDADES</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://mariacobogo.com.br/degustacao-de-generosidades/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A DAMA DO CACHORRINHO</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-dama-do-cachorrinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 06:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[livroseleituras]]></category>
		<category><![CDATA[tchekhov]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19079</guid>

					<description><![CDATA[<p>Alexandre Morais do Amaral *| “E somente agora, quando sua cabeça já estava ficando grisalha, ele começou a amar de verdade, como deveria e pela primeira vez em sua vida”. Conto clássico da literatura universal, esta obra é assim considerada pelo estilo singular, conciso e elegante que Anton Tchekhov emprega para descrever situações do dia</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-dama-do-cachorrinho/">A DAMA DO CACHORRINHO</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alexandre Morais do Amaral *|</p>
<p style="text-align: right;"><em>“E somente agora, quando sua cabeça<br />
</em><em>já estava ficando grisalha,<br />
</em><em>ele começou a amar de verdade,<br />
</em><em>como deveria e pela primeira vez<br />
</em><em>em sua vida”.</em></p>
<p><strong>Conto clássico da literatura universal, esta obra é assim considerada pelo estilo singular, conciso e elegante que Anton Tchekhov emprega para descrever situações do dia a dia. Em seus contos, não parece haver julgamento moral de nenhum personagem. Os deslizes éticos não são avaliados ou apresentados com viés. Todos os personagens são perfeitamente humanos em suas imperfeições. Na marcante concisão, Tchekhov consegue, já no (curto) primeiro parágrafo, mostrar quem são, onde e como estão os protagonistas e, com isso, o potencial desenvolvimento da história.</strong></p>
<p><strong>Uma característica muito interessante deste conto é a sensação de que as “pontas” foram cortadas: ele se inicia com a impressão de já ter começado antes do escrito e termina sem um fim “definitivo” – o “(in) felizes para sempre” parece um lugar distante. Enfim, muito se assemelha a uma tentativa de mostrar que a trama já existia antes de entrarmos nela e que terminará além daquela história – ou seja, o princípio de que a vida continua – e muitas vezes além do olhar do leitor&#8230;</strong></p>
<p><strong>Quanto ao conto em si, o fio condutor da história é a relação que se desenvolve amorosa. A ordem dos fatores é essa mesma: começa relação, termina amor &#8211; entre Dmitri Gurov e Ana Sierguéievna &#8211; mas no contexto de adultério para ambos, com as dificuldades inerentes. O casal clandestino se conhece durante visita a uma cidade litorânea, de veraneio, na Crimeia. Espelham-se nas vidas frustradas, vazias, monótonas e sem perspectivas. Ele, vivendo um casamento oco, sem brilho, e vários “affairs” também ocos ao longo do tempo. Ela, numa vida sem energia, mal sabe o que o marido faz e pouco lhe interessa saber – pista suficiente para a superficialidade da relação.</strong></p>
<p><strong>Interessante perceber as transformações que ocorrem no curto espaço de tempo deste conto: a mudança de Gurov, humanizando-se e a esperança de Ana, renovando-se. A distância geográfica que aparece para ambos, após o veraneio, não é suficiente para distanciá-los: mesmo vivendo em cidades distantes, buscam um meio de preservar a vida do inevitável relacionamento. Como não há o bem e o mal na construção da(s) história (s) de Tchekhov, fica ao leitor o papel de preencher as lacunas e imaginar o final.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Eles perdoaram um ao outro tudo aquilo</strong><br />
<strong>De que se envergonhavam no seu passado,</strong><br />
<strong>Perdoaram tudo do presente e sentiam que</strong><br />
<strong>Seu amor havia transformado a ambos”.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>Alexandre Morais do Amaral</strong> é engenheiro agrônomo, ex-professor universitário e doutor em ciências. Apaixonado por livros e leituras, é colaborador do projeto Calangos Leitores e integra o Grupo de Leitura Contemporânea.</p>
<p><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/anton-pavlovitch-tchekhov/"><strong>Anton Pavlovitch Tchekhov</strong> </a>(1860-1904) nasceu em Tangarog, Rússia. Em 1888, o escritor recebeu o prêmio Púchkin, maior láurea literária concedida pela Academia de Ciências da Rússia. Seu conto “A Dama do Cachorrinho” foi publicado originalmente em 1899.</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-dama-do-cachorrinho/">A DAMA DO CACHORRINHO</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lila</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/lila/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Mar 2021 06:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[março]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19016</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Claudine M. D. Duarte * | “A vida muda rapidamente. A vida muda em um instante. Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina.” Joan Didion, em O Ano do Pensamento Mágico (2005)   Lila não entendia de marcas de sabão em pó. No meio da cozinha, a máquina jorrava</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/lila/">Lila</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Claudine M. D. Duarte * |</p>
<p style="text-align: right;"><em>“A vida muda rapidamente. A vida muda em um instante.<br />
</em><em>Você se senta para jantar, e a vida que você conhecia termina.”</em><br />
Joan Didion, em<em> O Ano do Pensamento Mágico (2005)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Lila não entendia de marcas de sabão em pó.</strong></p>
<p><strong>No meio da cozinha, a máquina jorrava um monstro de espuma branca com pedacinhos roxos. Lila puxou o fio da tomada: um silvo comprido acusou a morte do equipamento.</strong></p>
<p><strong>Lila escorregou e a criatura disforme cobriu suas mãos.</strong></p>
<p><strong>Tomou fôlego e soprou: a espuma tinha uns caminhos inesperados.</strong></p>
<p><strong>Lembrou de outra manhã.</strong></p>
<p><strong>Lila ainda não conhecia bolhas de sabão.</strong></p>
<p><strong>Foi depois da missa das dez.</strong></p>
<p><strong>Lila fizera o almoço e colocara o seu melhor vestido. Leve suas irmãs, gritou o pai.</strong></p>
<p><strong>Lila obedeceu. Lila sempre obedecia.</strong></p>
<p><strong>A filha da vizinha pediu pra ir junto. Queria mostrar como fazer umas tais bolhas de sabão. Elas se desprenderam do pequeno aro prateado e voaram para o outro lado da rua. Um muro negro as esperava.</strong></p>
<p><strong>Um muro negro as desvanecia. Desvaneceu.</strong></p>
<p><strong>Lila ainda não sabia que era a última vez que via suas irmãs. As pessoas tinham caminhos improváveis.</strong></p>
<p><strong>Lila não percebeu. Lila nunca percebia.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*</strong><a href="https://www.instagram.com/claudine_m_d_duarte/"><strong>Claudine M. D. Duarte</strong></a>, escritora e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó, sobre foto de Helen Levitt: Crianças com Bolhas de Sabão (NY, 1940).</p>
<p><strong>**<a href="http://www.resumofotografico.com/2020/03/a-poetica-e-politica-fotografia-de-rua-de-helen-levitt.html">Helen Levitt</a> </strong>nasceu no Brooklyn (NY) em 1913. Se apaixonou pela câmera escura e, inspirada pela arte de Henri Cartier-Bresson e Walker Evans, usou as cenas urbanas de Nova York como pano de fundo para suas fotos. Levitt permaneceu ativa como fotógrafa por quase setenta anos e, pelo lirismo de seu trabalho, é chamada poeta visual da cidade que nunca abandonou. Faleceu em Nova York, num dia como hoje, 29 de março, em 2009. Deixou um companheiro, Blinky, um gato amarelo.</p>
<p>Imagem: <em>Crianças com Bolhas de Sabão</em></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/lila/">Lila</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DE ALMAS E BOIS</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Mar 2021 11:42:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres inspiradoras]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=19004</guid>

					<description><![CDATA[<p>Elisa Mattos*| Por muitos anos convivi Minas. Vi de perto Minas, senti Minas, cheirei Minas. Sensações difíceis de traduzir em palavras. Minas se vive. Também aprendi a ouvir Minas. A voz mansa do mineiro; o riso cúmplice na troca de olhares; o sorriso sem sequer um porquê; as histórias sem cabimento, expressão mineiramente encantadora. Pode</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/">DE ALMAS E BOIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Elisa Mattos*|</p>
<p><strong>Por muitos anos convivi Minas. Vi de perto Minas, senti Minas, cheirei Minas. Sensações difíceis de traduzir em palavras. Minas se vive. </strong></p>
<p><strong>Também aprendi a ouvir Minas. A voz mansa do mineiro; o riso cúmplice na troca de olhares; o sorriso sem sequer um porquê; as histórias sem cabimento, expressão mineiramente encantadora. Pode significar um desprezo, pode ser um elogio, um espanto, uma esperança. Tem cabimento.</strong></p>
<p><strong>O dobrar dos sinos, carregado de mensagens. As luzes amarelas de seus postes, o silêncio dos becos. Me casei em Minas, numa igrejinha linda de Tiradentes. Festa mineira, som de violino, bolo com recheio de doce de leite, buquê de orquídeas catadas na hora no pequeno quintal da dona Carmem. Criei vínculos.</strong></p>
<p><strong>Os contos de Nazaré Bretas, mineira de Piraúba, me levam (ou me trazem) a Minas. Seu primeiro livro, De Almas e Bois, é uma viagem por esse universo tão particular, porém carregado de emoções que patinam entre lembranças e saudades, entre</strong><br />
<strong>amores e esquecimentos, rezas ou murmúrios.</strong></p>
<p><strong>Na curta apresentação, Nazaré revela que as histórias nasceram ou foram inspiradas em conversas nos alpendres da roça e nas rodas de boteco. Quem resiste a esses deliciosos saraus?</strong></p>
<p><strong>O conto que abre o livro já indica uma linguagem um tanto minerês que nos aguarda. A princípio causa estranheza, mas indo, linha após linha, entramos de cabeça no clima. Uai, pensei, que trem mais gostoso de ler. Daí, recomecei do início, para melhor entendimento do sutil jogo de entrecruzar nomes dos animais, mania dos fazendeiros daquelas bandas de Minas. Traduções da alma.</strong></p>
<p><strong>Nininha e o Mar é apaixonante. É mulher, somos nós. É minha mãe, que era chamada de Nininha pelos seus irmãos e, estranhamente, vivia perto do mar, mas não frequentava as águas. A dona da história queria o mar junto dela, com toda a </strong><strong>imensidão que ele pode oferecer. E o quis de presente, foi seu mais ambicioso pedido. Como não se emocionar com tamanha singeleza?</strong></p>
<p><strong>Aqui, Nazaré mostra o quanto a intensidade da espera pode se transformar em decepção, quando o sonho não cabe dentro de uma concha. Só resta recolher os cacos. E assim segue a vida de tantas e tantas mulheres que nos rodeiam.</strong></p>
<p><strong>De Almas e Bois fala também das dores da alma, do sentir-se isolado, de escolhas, de solidão. A dor da saudade. Traços de tristezas, que também fazem parte da vida, infelizmente. No entanto, Nazaré busca equilíbrio nas palavras quanto toca em temas tão áridos, que nos angustiam, incomodam, tocam em feridas. Mas tais sentimentos são apresentados com leveza e doçura, com roupagem de poesia.</strong></p>
<p><strong>Um livro de estreia com jeito de que já estava pronto, só faltava chegar até nós. Nazaré Bretas se junta a tantas outras autoras brasileiras que sabem como e onde buscar a força do escrever. Com lindeza e sabedoria. Seja bem-vinda.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="text-align: left;">Trecho:</span></p>
<blockquote><p>“Não era daqui tão longe. Nem faz tanto tempo assim. O lugarejo famoso por harmônica geografia, e por ser dito e sabido, lugar de ordem e abundância. Os morros o protegiam. O rio que lhe cortava ao meio, vinha do berço do sol, seguia exato seu rumo, até que lá no horizonte, junto do poente, sumia. Às margens simétricas do leito, prósperos sítios se alinhavam na mais formosa teia. Cemitério, igreja, estação dispunham-se com singular equilíbrio. E no alto do morro mais alto um cruzeiro de luz contemplava o cenário.</p>
<p>Os viajantes que alongassem a estada, e olhassem a vila de perto, andassem por seus caminhos, percebiam algo estranho. Brilhavam pouco os olhos das gentes. Como que cansados da ordem, enfastiados de equilíbrio. Também pouco se ouvia o riso solto pelas coisas simples. E nunca, nunca mesmo se ouvira contar de que ali se chorara em pranto.</p>
<p>Quem por mais tempo ficasse, aprofundasse na prosa, rezasse a missa com a vila, acabava por aprender que lá cada casal, ao ter as bênçãos do pároco e do cruzeiro de luz, tinha uma estória só.(&#8230;)”</p>
<p><em>Vila do Cruzeiro</em>, do livro De Almas e Bois (2019)</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p>*<strong>Elisa Mattos</strong> é jornalista e escritora. Seus poemas são publicados em coletâneas nacionais e internacionais, entre elas Mulherio das Letras e a edição internacional Mulherio Pela Paz. Meu Reverso é seu livro de estreia e tem o selo do Coletivo Editorial Maria Cobogó, do qual é uma das fundadoras.</p>
<p>**<strong>Nazaré Bretas</strong>, nascida mineira, na pequena Piraúba, se dedicou por muito tempo às coisas exatas: matemática e computadores. Desde 2018 se dedica à literatura, em escritos e recomendações de leitura pela página <a href="https://www.facebook.com/almaeboi/">https://www.facebook.com/almaeboi</a>/ . <strong>De Almas e Bois</strong> (2019) é seu primeiro livro. Foi publicado pelo Coletivo Maria Cobogó e “gestado entre sertão e veredas”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/de-almas-e-bois/">DE ALMAS E BOIS</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A IMPERATRIZ CHINESA SI-LIN-TCHI</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/a-imperatriz-chinesa-si-lin-tchi-historia-real-por-liev-tolstoi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jan 2021 13:30:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
		<category><![CDATA[tolstói]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18925</guid>

					<description><![CDATA[<p>(História real)** por Liev Tolstói* |   O imperador chinês Go-Na-Tchi tinha uma esposa adorada, Si-Lin-Tchi. O imperador queria que todo o povo se lembrasse de sua adorada imperatriz. Mostrou para a esposa um bicho-da-seda e disse: - Aprenda o que se pode fazer com essa lagarta e como cuidar dela e seu povo nunca</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-imperatriz-chinesa-si-lin-tchi-historia-real-por-liev-tolstoi/">A IMPERATRIZ CHINESA SI-LIN-TCHI</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>(História real)<strong>**</strong></p>
<p><strong>por Liev Tolstói* |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>O imperador chinês Go-Na-Tchi tinha uma esposa adorada, Si-Lin-Tchi.</strong></p>
<p><strong>O imperador queria que todo o povo se lembrasse de sua adorada imperatriz.</strong></p>
<p><strong>Mostrou para a esposa um bicho-da-seda e disse:</strong></p>
<p><strong>&#8211; </strong><strong>Aprenda o que se pode fazer com essa lagarta e como cuidar dela e seu </strong><strong>povo nunca vai se esquecer de você.</strong></p>
<p><strong>Si-Lin-Tchi passou a observar as lagartas e viu que, quando ficavam </strong><strong>paradas, se formava uma teia por cima de seu corpo.</strong></p>
<p><strong>Desenrolou a teia, fez um </strong><strong>fio e teceu um lenço de seda. Depois notou que a lagartas ficavam nos pé de </strong><strong>amora. </strong></p>
<p><strong>Começou a juntar folhas de amoreiras e deu para as lagartas comerem.</strong></p>
<p><strong>Criou muitos bichos-da-seda e ensinou ao seu povo como cuidar deles.</strong></p>
<p><strong>Desde então passaram cinco mil anos e os chineses até hoje se lembram </strong><strong>da imperatriz Si-Lin-Tchi e fazem festas em sua homenagem.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
</blockquote>
<p><strong>*Liev Nikoláievitch Tolstói</strong> é russo e nasceu em 1828 num lugarejo perto de Moscou. Formado em Direito, vegetariano e autor das maiores obras da literatura mundial, nunca pensou que um dia seria colaborador do Coletivo Maria Cobogó.</p>
<p>**O conto <strong>A Imperatriz Chinesa Si-Lin-Tchi</strong> integra o PRIMEIRO LIVRO RUSSO DE LEITURA, de Liev Tolstói (1828-1910), em <i>Contos Completos, </i>tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.</p>
<p>Segundo o tradutor: “Tolstói se dedicou pessoalmente, e por muito tempo, à educação de crianças camponesas. Um dos resultados desse empenho foi o contato com as técnicas narrativas peculiares das crianças. Junto com seus alunos, Tolstói produziu dezenas de contos, que constituíram o que chamou de <em>Livros Russos de Leitura</em> e <em>Nova Cartilha</em>.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<div>De fato, Tolstói afirmou várias vezes, e desde cedo, que a linguagem popular apresentava qualidades expressivas superiores às da linguagem literária padrão, e um de seus artigos mais memoráveis, ainda em 1859, se intitula: <em>‘Quem deve aprender a escrever com quem, as crianças camponesas conosco, ou nós com as crianças camponesas?’</em>”</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/a-imperatriz-chinesa-si-lin-tchi-historia-real-por-liev-tolstoi/">A IMPERATRIZ CHINESA SI-LIN-TCHI</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Antídoto</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/antidoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2020 10:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Descobertas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18808</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Nazaré Bretas * |                Era homem sem carências. Alma, desde sempre impregnada pelo gosto da solidão. Bastava-se.             Criado entre o casebre e o rio, assistiu ao longo dos anos o êxodo da família, da vizinhança. Parte levada por mortes diversas, outro tanto seduzido pelo chamado da</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/antidoto/">Antídoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por Nazaré Bretas * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="font-weight: 400;">             Era homem sem carências. Alma, desde sempre impregnada pelo gosto da solidão. Bastava-se.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Criado entre o casebre e o rio, assistiu ao longo dos anos o êxodo da família, da vizinhança. Parte levada por mortes diversas, outro tanto seduzido pelo chamado da vila. Assistiu aos fatos, sem emoção.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Sabendo-o solitário, apegado ao naco de universo delimitado entre o casebre e o rio, ninguém jamais imaginou convidá-lo a partir. Não se lamentava. Quanto às mortes, entendia que vieram a seu tempo. Como em tempo viria a sua própria.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Pescava todo dia, sem saltar nenhum. Manhãzinha, fosse de névoa, tempestade ou céu claro, tomava o caminho que levava ao rio. Conhecia o caminho, tinha-o como ritual. Tirava dele sustento para o corpo: frutos ofertados em cada estação, ervas que aqueciam o corpo e por vezes o pensamento.</p>
<p style="font-weight: 400;">            No caminho até o rio, detinha-se sempre ao final da subida, mirava a serra distante. Tão maior que ele próprio. Era seu templo, embora disso não soubesse, já que em tempo algum pisou em catedral.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Ao avistar o rio, seu coração acelerava, como se avistasse a amada. Só que disso não sabia. Em tempo algum teve par.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Do rio, sentia-se parte. Intuía a curva de morada dos peixes. Sozinho apanhava-os. Apenas o bastante. Passado o tempo do sol a pino, fazia de volta a trilha ao casebre. E lá a fritada até ser tempo de contemplar o céu.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Vez por outra, vinham-lhe imagens dos que partiram. Contemplava as lembranças de cada qual, sem saudade, sem pesar. E assim o sono se instalava, fechava o dia. Mais um. Sozinho. Completo.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Viveu exatamente assim, até que ocorreu de provar de veneno, veneno de cobra.</p>
<p style="font-weight: 400;">           Deu-se em tarde de sol quente, quando na volta do rio entrou na mata para apanhar fruto vistoso. No alto da árvore, sentiu pinicar o tornozelo. Ao examinar o lugar, viu a pele aberta em orifícios miúdos. E já longe, do outro lado do caminho, a víbora em seus brilhos.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Depois disso, foi ardor e devaneio. Tonto caiu da árvore, pensamentos embaraçados. No delírio, viu cores e formas de maravilha. Sentiu calores e frios sem par. Era dor. E era êxtase.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Perdeu de todo a noção do tempo. Alta era a madrugada quando tomou algum sentido de si. Quis estar no casebre, na esteira. Pôs-se de pé, caminhou com vagar.</p>
<p style="font-weight: 400;">            As sensações, dor e maravilha, vinham agora com mais espaços. No resto, era ainda o desejo de sossegar.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Deitou na esteira e veio-lhe claro o entendimento: desejava de volta o devaneio. Com esse compreender, adormeceu.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Já era tempo de voltar do rio, quando acordou. Tornozelo inchado, sensação de que o que conhecera antes era pouco. Quis romper com o ciclo casebre/rio/casebre/fritada/céu e, de novo, rio.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Desejou sentir o que jamais sentira. Precisava do outro, de outro. Outros. Vila, templo, amada ou picada de cobra.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Juntou seus escassos pertences, fechou o casebre, olhou o rio e caminhou.</p>
<p style="font-weight: 400;">            Buscaria venenos. Estava certo de que os teria.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>* <strong>Nazaré Bretas</strong> é mineira de Piraúba e dedicou boa parte de sua vida às ciências exatas. Escritora, seu primeiro livro foi editado pelo Coletivo Editorial Maria Cobogó. O conto <strong>Antídoto</strong> integra o livro DE ALMAS E BOIS (2019). Para conhecer um pouco mais da escrita da autora: <a href="http://www.facebook.com/almaeboi/">www.facebook.com/almaeboi/</a></p>
<p>Imagem: cocoparisienne/pixabay</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/antidoto/">Antídoto</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marias suaves e fortes</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/marias-suaves-e-fortes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Dec 2019 13:50:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Cobogó]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/?p=18473</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Clara Arreguy* É um encanto o livro Cigarras, Lagartas e Outras Marias, de Solange Cianni (Maria Cobogó), que reúne 16 contos protagonizados por mulheres no limite entre o que avisa o subtítulo: eróticos e românticos. São histórias escritas com delicadeza, linguagem limpa, sem excessos de adjetivação, mas com as sutilezas que o tema requer.</p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/marias-suaves-e-fortes/">Marias suaves e fortes</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>por Clara Arreguy*</p>



<p> É um encanto o livro Cigarras, Lagartas e Outras Marias, de Solange Cianni (Maria Cobogó), que reúne 16 contos protagonizados por mulheres no limite entre o que avisa o subtítulo: eróticos e românticos. São histórias escritas com delicadeza, linguagem limpa, sem excessos de adjetivação, mas com as sutilezas que o tema requer. E que trazem várias facetas de mulheres, das mais fortes às mais vulneráveis.<br><br> Solange é mais conhecida por sua obra para crianças. São quatro livros voltados para esse público. Atua na área escolar, como pedagoga e psicopedagoga, e vem também do teatro, no qual trabalhou como atriz. Aqui, em Cigarras, Lagartas e Outras Marias, não se preocupou em disfarçar questões que poderiam, em tese embaraçá-la junto a seu público original. Afinal, professoras, mães e avós também têm desejos e vida sexual.<br><br> As personagens dos contos de Solange são gente como a gente. Como Maria das Dores e dos Amores, que ao tomar um pilequinho sozinha em seu quarto consegue se ver, não gorda e cheia de rugas, mas linda e gostosa, amável e desejável, ainda que o frio da cama lhe desperte saudades de um possível companheiro, o mesmo que, durante o sonho, lhe provocará orgasmos múltiplos.<br><br> Em histórias como essas, Solange tira do armário os desejos e angústias da mulher comum, mostrando que cada lagarta viverá seu período de casulo até que se torne borboleta numa próxima primavera. </p>



<p>* Clara Arreguy é jornalista e editora </p>
<p>O post <a href="https://mariacobogo.com.br/marias-suaves-e-fortes/">Marias suaves e fortes</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariacobogo.com.br">Maria Cobogó</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
