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	<title>Arquivos pandemia - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>A Queda de George Orwell</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/aquedadegeorgeorwell/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Jan 2021 12:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[distopia]]></category>
		<category><![CDATA[orwell]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes * |   Caiu em domínio público. É a notícia boa desse janeiro de 2021. Agora, qualquer editora pode publicar o homem que escreveu “1984”, a “Revolução dos Bichos”, dezenas de outros livros e centenas de artigos e ensaios. A notícia fez com que quatro editoras brasileiras se debruçassem sobre as</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/"><strong>Ana Maria Lopes</strong></a> * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Caiu em domínio público. É a notícia boa desse janeiro de 2021. Agora, qualquer editora pode publicar o homem que escreveu “1984”, a “Revolução dos Bichos”, dezenas de outros livros e centenas de artigos e ensaios.</strong></p>
<p><strong>A notícia fez com que quatro editoras brasileiras se debruçassem sobre as obras de Orwell. Não sem motivos. Além da qualidade e da importância de suas obras, somente neste ano pandêmico de 2020, o autor vendeu mais de sessenta mil exemplares no Brasil. Números que fazem qualquer autor brasileiro roer as unhas até os cotovelos.</strong></p>
<p><strong>Orwell escrevia distopias literárias para compreender o presente. Suas narrativas são surreais, mas, no entanto, são igualmente lógicas e atuais.</strong></p>
<p><strong>Nasceu com o nome de Eric Arthur Blair, na Índia britânica, em Motihari. Adotou, em seu pseudônimo, o nome do rio Orwell, que deságua no sudeste da Inglaterra. Estudou, segundo ele, na “mais cara e esnobe das escolas públicas inglesas”, a Eton School. Foi na Eton que Orwell teve aulas com Aldous Huxley.</strong></p>
<p><strong>Sua vida foi agitada. Alistou-se e lutou na Polícia  Imperial da Índia. Ali ficou tempo suficiente para começar a detestar o imperialismo britânico. Cinco anos depois, larga toda sua carreira militar e muda-se para Paris. A França lhe deu inspiração para escrever. Escreveu muito e destruiu tudo. Acreditava que faltava qualidade em seus escritos.</strong></p>
<p><strong>Passou fome, viveu nas ruas e conheceu o submundo parisiense. Mas, em 1933, intermediado pela gaúcha Mabel Lilian, filha de ingleses, lança seu primeiro livro – “Na Pior em Paris e Londres” &#8211; com o pseudônimo George Orwell.  Sua ligação com a brasileira que morava em Londres lhe rendeu apoio e contatos profissionais. Ela passou a ser, também, amante e intermediária de Orwell com o pai, que o criticava por ter trocado a vida militar pela boemia.</strong></p>
<p><strong>Seu passado militar falou mais alto quando resolveu se engajar na Guerra Civil Espanhola, onde levou um tiro na garganta.</strong></p>
<blockquote><p><strong>“<em>Tornei-me pró-</em><em>socialista</em><em> mais por desgosto com a maneira como os setores mais pobres dos trabalhadores industriais eram oprimidos e negligenciados do que devido a qualquer admiração teórica por uma sociedade planificada”. </em></strong></p></blockquote>
<p><strong>Nesse tempo, entra para o Partido Operário de Unificação Marxista.</strong></p>
<blockquote><p><strong><em>“A humanidade precisa se libertar do conceito de Deus e do Diabo, e admitir que ela mesma faz o bem e o mal.”</em></strong></p></blockquote>
<p><strong>Seus livros causam perplexidade e sucesso. Na sua lista de admiradores está Anthony Burguess, que escreveu, influenciado pelo livro “1984”, “Laranja Mecânica”. Burguess considera o livro de Orwell, uma das cinco distopias mais importantes da literatura.</strong></p>
<p><strong>David Bowie foi outro admirador. Sua intenção, ditada na revista Rolling Stones, em 1974, era a de transformar “1984” em um musical para a TV. Não deu certo.</strong></p>
<p><strong>Após a posse de Donald Trump, em 2017, esse livro bateu recorde de vendas na Amazon. As vendas tiveram um aumento de 10.000%.</strong></p>
<p><strong>“1984”, escrito no ano de 1949, teve outra venda recorde quando Edward Snowden revelou o fato de os Estados Unidos estarem monitorando líderes mundiais.</strong></p>
<p><strong>O mundo gosta de distopias.</strong></p>
<p><strong>George Orwell morreu longe dos campos de batalha. A tuberculose acabou com sua vida em 1950, quando o autor tinha 46 anos.</strong></p>
<p><strong>O Brasil é signatário da Convenção de Berna, que estabelece que os direitos autorais sobre as obras terminam setenta anos após a morte do autor.</strong></p>
<p><strong>Neste ano pandêmico – e distópico &#8211; começa a corrida para reeditar George Orwell. Ganhamos todos.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>*<a href="https://www.instagram.com/anamarialopes68/"><strong>Ana Maria Lopes</strong></a> é jornalista, escritora, fundadora do Coletivo Maria Cobogó e vive, neste momento, no Brasil, uma distopia tão grande que nem mesmo George Orwell poderia imaginar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Terça-feira</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/terca-feira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2021 07:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#2020]]></category>
		<category><![CDATA[monólogos]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Claudine M. D. Duarte* | "And all our yesterdays have lighted fools/ The way to dust death." William Shakespeare, in Macbeth   Chinelas: nem aguentaram o março, abril, maio... aniversário? Setembro ipês amarelos. Não deixam dirigir de chinelas carteira vencida bebida. Grama seca garganta seca - essa merda de máscara molhada; preciso de uma</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/claudineduarte/">Claudine M. D. Duarte</a>* |</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;And all our yesterdays have lighted fools/ The way to dust death.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;">William Shakespeare,<em> in Macbeth</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Chinelas: nem aguentaram o março, abril, maio&#8230; aniversário? Setembro ipês amarelos.</strong></p>
<p><strong>Não deixam dirigir de chinelas carteira vencida bebida. Grama seca garganta seca &#8211; essa merda de máscara molhada; preciso de uma chinela nova. Abraços, ele assinou abraços!</strong></p>
<p><strong><em>Siga até a rotatória e saia na primeira saída. </em>Se tivesse um <em>GPS</em> pra viver&#8230; Abraços?! Enfia os abraços braços dedos. <em>Rotunda. </em>Em Portugal é assim; na minha terra, balão. <em>Em duzentos metros, direita&#8230;</em></strong></p>
<p><strong>Sinal fechado &#8211; que pernas! <em>Canal 100</em>, preto e branco, câmera lenta aí sim aquelas sim lindas pernas. <em>Você chegou ao seu destino! </em></strong><strong>Seria fácil mas não; limites, limites em cores. Quero ver lidar com pregos no chão ao vivo. Pés descalços, abraços nem mesmo, aqui não! </strong></p>
<p><strong><em>Uma garrafa d’água, gelada não.</em> Quanta gente na rua nessa fila; na praia domingo deu no jornal: ignorantes da pandemia que nem os ipês, esses desandados. Brega foto de ipê de lua cheia de sol refletido no mar&#8230; no lago? Brega assinar abraços? Brega é máscara de bolinhas vermelhas <em>emoji </em>de mãozinhas, enviar abraços é crime.</strong></p>
<p><strong>Quem disse que <em>petit pois</em> tá na moda?</strong></p>
<p><strong>Não deu tempo de aprender a ler a mão jogar tarô runas botões pratos copos fotos rasgadas. Quebradas as tiras. Se eu pudesse, chorava. Ou ria. Brega, clichê. <em>Arrebentada, por favor, uma roxa assim.</em></strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*<a href="https://www.instagram.com/claudine_m_d_duarte/">Claudine M. D. Duarte</a> é escritora, dramaturga, finalista do Jabuti pelo projeto <a href="https://www.instagram.com/calangosleitores/">Calangos Leitores</a> e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó. Partilhou uma terça-feira de setembro, em Brasília, na seca. Hoje, diria que brega é caminhar com máscara no queixo e não saber que dia é o nosso <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_D_(termo_militar)"><em>dia D..</em></a>.</p>
<p>Imagem: ilustração de <a href="https://www.instagram.com/flaminiabonfiglioart/">Flaminia Bonfiglio</a> inspirada em foto de <a href="http://www.thephotophore.com/jean-faucheur/">Jean Faucheur</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>O ANO DAS METAS RIDÍCULAS</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/o-ano-das-metas-ridiculas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Jan 2021 07:07:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#2020]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Claudine M. D. Duarte * | “Não fui para lá atrás disso. Você sabe tão bem quanto eu que a gente não consegue prever as coisas. Sua cabeça não lhe dá nenhum aviso sobre o caminho que você tomou, até que seja tarde demais. Só entendemos nossas escolhas depois que elas já foram feitas.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/claudineduarte/">Claudine M. D. Duarte</a> * |</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“Não fui para lá atrás disso. Você sabe tão bem quanto eu que a gente não consegue prever as coisas. Sua cabeça não lhe dá nenhum aviso sobre o caminho que você tomou, até que seja tarde demais. Só entendemos nossas escolhas depois que elas já foram feitas.”</em></p>
<p style="text-align: right;">Rudyard Kipling, em <em>A Casa dos Desejos</em> (1924)</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Há um ano, a gente olhava pra Wuhan e não pensava que as cenas de <em>Blade Runner</em> seriam vividas por aqui. Escrevemos metas, inventamos sonhos, juramos ver mais os amigos, abraçar mais os entes queridos, ler mais livros, experimentar novos caminhos e até programamos, de novo, uma daquelas viagens da listinha (interminável) de lugares para visitar antes de morrer. Ridículas, as metas. Pra nosso desespero e do Pessoa, que se foi antes dessa história e, de ridículas, somente experimentou cartas de amor. Quem dera&#8230;</strong></p>
<p><strong>Não sabíamos que neste janeiro sentiríamos a dor das famílias dos 200 mil mortos por Covid aqui no Brasil; não imaginávamos as festas de final de ano sem abraços e, para muitos, sem festas; não concebíamos a falta de perspectiva do término da pandemia; não atinávamos máscaras e <em>faceshields </em>como itens necessários e ainda não elaboramos sermos nossos próprios inimigos. Talvez porque qualquer uma dessas coisas é, ao mesmo tempo, insólita e dolorosa.</strong></p>
<p><strong>Alguém escreveu que a gente deve esquecer esse ano que passou. Impossível. O Agualusa propõe que a gente cobre os abraços perdidos. Válido. O Nizan fechou o ano com uma pergunta: você aguenta ser feliz? Sem comentários. O Gabeira criou um <em>Diário da Crise</em> e, infelizmente, promete continuar a escrevê-lo neste 2021&#8230; É uma pena. Concordamos que o tema é indesejado, mas oportuno: “O imprevisto e o próprio absurdo nos espreitam.” Mundo desacreditado.</strong></p>
<p><strong>Em fevereiro, tivemos carnaval e muitas cores. Aglomerados por aqui, ignoramos a falta de vagas nos hospitais e cemitérios mundo afora. Muitos ainda acreditam no mundo, na vida e na humanidade. Fizeram bebês. Viramos mães, avós, bisavós. Seguimos. Um primeiro e solitário infectado aportou em São Paulo. Vinha da Itália que, por sua vez, espreitava seu assombro. A foto com os caixões em Bergamo rodou o mundo e choramos juntos a dor dos que não puderam se despedir de seus entes queridos. Ainda não acreditávamos que teríamos aqui os nossos caixões e os registros de nossa tristeza e nosso absurdo em fotos. Mundo assombrado.</strong></p>
<p><strong>Nos meses seguintes, perdemos ministros da Saúde que, aparentemente, entendiam de saúde. Arrumaram alguém que entendia de logística. Estranho. Muito estranho e inusitado (contém ironia) o planejamento para aquisição de vacinas e outros itens necessários para a grande campanha de imunização que esperamos paralisados. “O prefeito de joelhos / O bispo de olhos vermelhos / E o banqueiro com um milhão”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>. Mundo despedaçado.</strong></p>
<p><strong>Mas se teve gente que morreu, gente que nasceu, também teve gente que se casou e gente que se descasou. Nem tudo obedeceu aos humores do medo desse ‘bichinho’ que nos cerca. Teve gente que leu muito, gente que escreveu muito, gente que deu cursos e gente que fez os cursos. Teve até gente que lançou livros. Teve gente que escreveu seu primeiro romance. Como teve gente que brincou no quintal, de cabra-cega, pique-pega e caça ao tesouro. Mas ninguém achou o tesouro. Não fica no quintal de ninguém. Tem gente que nem tem quintal. Mundo machucado.</strong></p>
<p><strong>Teve o povo das descobertas. Navegadores desses tempos. Descobriram a Rita Lobo, o arroz e o feijão. Usaram a panela de pressão – com o medo do tamanho certo. Descobriram o Mercado Livre, a Estante Virtual, o iFood, Rappi &amp; companhia. Descobriram que ninguém precisa comprar peças novas para o guarda-roupa. Mas pra descobrirem que podem doar todo o armário e ficarem com apenas duas mudas de roupa, precisarão de algo com o tamanho dos mais de oitocentos quilômetros<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> entre a França e o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Finisterra">Fim do Mundo</a>. Certas coisas, somente se descobrem caminhando. Outras, retidos em casa. Isso pra quem tem casa, cartão de crédito e geladeira. Mundo desequilibrado.</strong></p>
<p><strong>Teve gente que não encontrou os filhos e outros que chegaram tarde para encontrar os pais. Seguimos. Acreditamos numa solução. Acreditamos em dias melhores. Acreditamos. Ficamos em casa a maior parte do ano, com encontros virtuais, justo quando dizíamos que o mundo digital nos encerrava em bolhas&#8230; ironia. O isolamento virou a coisa certa. Mundo pela janela.</strong></p>
<p><strong>Das janelas, vislumbramos praças vazias e outras janelas. Das janelas, sentimos nosso verde encolher: conseguimos o recorde de queimadas. Das janelas, não vimos os jovens a caminho da escola. Das janelas, ouvimos as sirenes das ambulâncias e dos bombeiros. Das janelas, contemplamos as desoladoras estatísticas. E pouco a pouco o mundo cedeu às restrições e voltou a viajar, a se encontrar, a festejar, ignorando ascendentes curvas de mortes. Mundo magoado.</strong></p>
<p><strong>Tivemos os heróis da pandemia, os ignorantes da pandemia e os artistas da pandemia.  Cada um com o seu público e um pódio distinto. Tristemente, alguns não viram este 2021. Amargamente, alguns são donos de decisões que nos afetam. Pelo e para o pior. Por sorte, alguns possuem consciência e compaixão. E as transformam em arte. “Mundo mundo vasto mundo / Se eu me chamasse Raimundo / Seria uma rima, não seria uma solução”<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> “Geni e o Zepelim” (1978), música composta e cantada por Chico Buarque para a <em>Ópera do Malandro </em></p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Referência ao Caminho de Francês de Santiago de Compostela: https://www.vagamundos.pt/caminho-frances-de-santiago/</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> “Poema de Sete Faces” (1930) de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*<strong><a href="https://www.instagram.com/claudine_m_d_duarte/">Claudine M. D. Duarte</a> </strong>é arquiteta, escritora, dramaturga e &#8220;extremamente&#8221; leitora. Coordena o projeto <strong>Calangos Leitores</strong>, finalista do Premio Jabuti (2018) na categoria Formação de Novos Leitores. É uma das fundadoras do <strong>Coletivo Editorial Maria Cobogó</strong> pelo qual publicou seus livros, <em>Desencontos</em> (2018) e <em>Sete Pequenos Tumultos</em> (2020). Isso mesmo: ela lançou um livro neste 2020.</p>
<p>Imagem: foto de @ichiroguerra de <strong>homenagem aos que se foram</strong> realizada por artistas de Brasília, direção de <strong>Hugo Rodas</strong>, julho/2020: <strong><a href="https://www.instagram.com/quempartiueamordealguem/">Vigília Silenciosa</a>.</strong> <em>#quempartiueamordealguem</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>PRECE NA PANDEMIA</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/prece-na-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 02:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#2020]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[prece]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lucilia de Almeida Neves Delgado * |   Ouço o silêncio das milhões de dores atordoa mais do que amores perdidos É pesado como tristezas minerais   O ar maciço como água represada pede oração   Que teus sonhos se tornem insônia definitiva para os indiferentes Que pintem suas almas com cores enlutadas dos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por<strong> Lucilia de Almeida Neves Delgado * |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Ouço o silêncio das milhões de dores</p>
<p>atordoa mais do que amores perdidos</p>
<p>É pesado como tristezas minerais</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ar maciço como água represada</p>
<p>pede oração</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que teus sonhos se tornem insônia definitiva para os indiferentes</p>
<p>Que pintem suas almas com cores enlutadas dos sonhos desfeitos</p>
<p>Que o coro de tuas vozes acorde os distraídos</p>
<p>neles esculpindo cicatrizes profundas</p>
<p>Que tuas saudades ressoem nos olhos dos que ditam</p>
<p>tornando-os opacos e sem vida</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que as agonias dos que ficaram</p>
<p>ressoem em agudos gritos nos ouvidos dos poderosos</p>
<p>Que o sofrimento das horas em que tuas vidas se apagaram</p>
<p>se transforme em chagas nas entranhas dos maus</p>
<p>Que a solidão das despedidas</p>
<p>se faça constância na vida dos dominadores</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que a terra que se fez leito frio, definitivo</p>
<p>feche a garganta dos indiferentes poderosos</p>
<p>Que as dores dos que ficaram</p>
<p>atinjam como milhares de setas os corações dos coniventes</p>
<p>Trazendo-lhes sofrimento irremediável, atroz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que das luzes das estrelas</p>
<p>Façam-se mel nas mãos dos que te socorreram</p>
<p>Que as flores matutinas</p>
<p>suavizem as lágrimas dos que te perderam</p>
<p>Que as teclas dos pianos</p>
<p>consolem as vidas que seguirão no apesar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que as almas dos que por tuas vidas lutaram</p>
<p>ganhem fluidez de nobre beleza</p>
<p>Que a generosidade dos que te acolheram</p>
<p>faça  canções para alegrar-lhes a vida</p>
<p>Que a força dos que resistiram</p>
<p>torne-se certeza de renovado futuro</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que o céu possa acolher com suavidade os que chegam</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que milhões de estrelas cadentes se desprendam das nuvens</p>
<p>trazendo boa nova ao mundo</p>
<p>Amém!</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Lucília Neves de Almeida</strong> <strong>Delgado</strong> é escritora e historiadora. Ama flores, poesia e a vida. Tudo junto e misturado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagem: <em>O Tempo (2019-2020)</em>, de Tâmara Habka: <a href="https://www.instagram.com/paprikadatil.art/">@paprikadatil.art</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Eu não quero mais contar</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/eu-nao-quero-mais-contar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2020 13:56:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[janelas]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes*   A primeira passou... mas continuei a fazer meu texto. Ele exigia concentração e pesquisa. Difícil escrever sobre uma época onde você não viveu e precisa usar detalhes do cotidiano. Mergulho na vasta documentação do século dezenove. Passou a segunda... não é fácil manter o foco na escrita. Melhor movimentar a</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A primeira passou</strong>&#8230; mas continuei a fazer meu texto. Ele exigia concentração e pesquisa. Difícil escrever sobre uma época onde você não viveu e precisa usar detalhes do cotidiano. Mergulho na vasta documentação do século dezenove. <strong>Passou a segunda</strong>&#8230; não é fácil manter o foco na escrita. Melhor movimentar a vida, arrumar o quarto, fazer o almoço. Quanta coisa se aprende a fazer numa quarentena! O arroz está mais solto, o refogado mais cheiroso e a panela de pressão não é mais um bicho de sete cabeças. A internet virou instrumento de aprendizagem e, mais ainda, contato com amigos e vizinhos.</p>
<p>No escritório faço os deveres escolares com a neta. Falamos de água, aquíferos, mares e oceanos. Eu olhando pelo computador o rostinho e os cadernos dela. <strong>Passou a terceira</strong>&#8230; Depois dos deveres, rimos e fazemos algumas brincadeiras que só a cumplicidade entre avós e netos pode explicar. Desligo e volto ao trabalho. Agora, para desenvolver um texto sobre a Pagu, mulher ícone de uma geração, que viveu intensamente e foi a primeira presa política do país. <strong>Passa a quarta seguida de outras duas</strong>&#8230;</p>
<p>O vento que entra pela janela faz voar alguns papeis. A cabeça inventa histórias, imagina situações. Volta a pensar na água, nos aquíferos e oceanos de Maitê. O mar sempre faz falta e, mesmo remoto, pensar nele nos energiza e fortalece. Ondas. Quanto maiores mais belas. E a vastidão leva o mar até seu encontro com o céu. “Quem ensina o mar a fazer ondas, vovó?”.  No longe, um ponto, um barco procurando porto. Na areia uma mulher enxugando o mar de sua saia.</p>
<p>O pensamento volta para o real, o cerrado, tão devastado, vilipendiado, como nós, como toda a nossa gente. <strong>Passa a sétima</strong>&#8230; o coração já dispensa as ondas, os mares de Maitê, a ilusão do barco. Deixo para trás os pensamentos e volto a olhar as avenidas que correm paralelas à minha janela. Eixinho de cima, Eixão, Eixinho de baixo. Não é essa a nomenclatura, mas assim os chamamos, esses eixos que cortam a cruz do Plano Piloto. Pistas rápidas onde o trânsito flui com suas carências e urgências.</p>
<p>As sirenes rompem o barulho natural da cidade. Invadem os ouvidos e vão gerando espantos. São elas que abrem o caminho nessa cruz que leva ao socorro, para a busca de um leito, para um respirador – eu não posso respirar – para uma UTI perto, mais perto – eu preciso respirar!</p>
<p>Quando <strong>a oitava ambulância</strong> passa eu fecho a janela como quem se recusa a crer. Não quero mais contar. Vontade de ficar para sempre no mar de Maitê.</p>
<p>E choro.</p>
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<p>*Ana Maria Lopes é jornalista, escritora, avó e fundadora do Coletivo Editorial Maria Cobogó. Em tempos de quarentena escreve muito e se tortura com as sirenes que passam sob sua janela.</p>
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