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	<title>Arquivos consciência negra - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>Com Racismo não há Democracia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Nov 2021 19:35:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Débora Moura * |   O Teatro Castro Alves era um mar de pretos. Cadeira sim, cadeira não de diversos cabelos e penteados, vestimentas africanas, códigos da minha gente. Era uma noite pra celebrar. O Bando de Teatro Olodum lembrou de onde viemos e o que fizeram antes de nós #Zumbi, #Dandara e outros</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Débora Moura * |</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Teatro Castro Alves era um mar de pretos. Cadeira sim, cadeira não de diversos cabelos e penteados, vestimentas africanas, códigos da minha gente. Era uma noite pra celebrar.</p>
<p>O Bando de Teatro Olodum lembrou de onde viemos e o que fizeram antes de nós #Zumbi, #Dandara e outros líderes da luta negra no Brasil. Um espetáculo pra nos saudar, nos reverenciar e reverenciar os ancestrais. Lembraram dos navios negreiros aos dias de hoje, lutas e conquistas do nosso povo.</p>
<p>Meu pai subiu ao palco, altivo como sempre, e pouco conseguia disfarçar a vaidade da homenagem: <strong>1º Prêmio Mérito da Igualdade Racial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Governo da Bahia</strong> &#8211; “Com racismo, não há democracia” para o primeiro presidente da Fundação Cultural Palmares, meu pai, <strong>Carlos Moura</strong>.</p>
<p>Eu me preocupava com a escada que levava ao palco enquanto ele subia, ficando grande, gigante, maior que o próprio teatro. Pegou o texto que preparara e discursou com a força de um homem da lei, um dominador da oratória. Lembrei das histórias que contavam de que seu pai biológico, que ele nunca conhecera, ia escondido à Praça Araribóia em Niterói pra ouvir seus discursos de líder do DCE da UFF, aspirante à política social e democrática.</p>
<p>As palavras que eu já sabia quase de cor foram saindo de sua boca embaixo da máscara, amplificadas pelo microfone, num êxtase da plateia. Citava grandes líderes do movimento negro da Bahia, a criação da Palmares, agradecia aos idealizadores do prêmio. Falava da nossa família, agradecia minha mãe Gloria e terminava numa mensagem de esperança pro Brasil e pra população negra. “Nosso encontro de hoje e de sempre significa que o movimento negro e seus aliados estão permanentemente juntos, de novembro a novembro”.</p>
<p>Aí eu vi, mais que nunca, o líder. Pediu licença e falou outros 3 minutos além dos 3 que lhe tinham concedido. Falou de um mundo novo, de paz, sem desigualdade. Falou do sonho e da certeza de que nós já começamos a construir o futuro e a viver esse sonho. Disse ser iluminado por aquele momento, sentindo o pulsar dos corações ali presentes.</p>
<p>Para nossa família o prêmio foi um reconhecimento inesquecível à contribuição de meu pai, à sua luta e à coerência de sua trajetória.</p>
<p>Antes dos aplausos finais, ele falou no resgate dos valores da negritude. Desceu do palco ovacionado. E eu embaixo, ainda preocupada com os degraus da escada, me enchia de orgulho. Meu pai era naquele momento um verdadeiro herói preto.</p>
<p>Terminamos ao som do Ilê, cantando e dançando em alegria e celebração. Certos da necessidade de nos conectarmos cada vez mais com nossa história e nossas vivências.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>*<a href="https://www.instagram.com/deborav_moura/">Débora Moura</a></strong> é mulher, negra, mãe de Marina, filha de Carlos e Glória Moura, jornalista e produtora. “Afinal, tudo é uma produção!”, diz. Sua pauta na vida é a diversidade e a inclusão no ambiente corporativo e o respeito à ancestralidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ouvidos, olhos e coração abertos para as “escrevivências” de Conceição Evaristo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 05:07:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[conceição evaristo]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Maria Amélia Elói * |   Não só no Mês da Consciência Negra, mas em qualquer tempo, é preciso celebrar a vida e a obra da escritora mineira Conceição Evaristo. Eu já a vi falando algumas vezes, encantando o público em eventos diversos — aquela presença de deusa forte e ao mesmo tempo terna</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Maria Amélia Elói * |</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Não só no Mês da Consciência Negra, mas em qualquer tempo, é preciso celebrar a vida e a obra da escritora mineira Conceição Evaristo. Eu já a vi falando algumas vezes, encantando o público em eventos diversos — aquela presença de deusa forte e ao mesmo tempo terna —, e sua voz é sopro de sensatez e esperança. Na fala, na escrita e em tudo o que Conceição Evaristo faz, percebo a força da sabedoria ancestral, o reconhecimento histórico pungente das desigualdades raciais e a vontade da transformação para uma realidade mais justa e mais bonita. Acredito que poucos brasileiros saibam a consciência negra tão bem quanto ela.</p>
<p>Nascida em BH num 29 de novembro (mesmo dia em que nasci, só que quase trinta anos antes, em 1946), doutora na vida e nas letras, feminista e militante do movimento negro, Conceição Evaristo é nome fundamental na literatura brasileira. A grande contista, poeta, romancista e ensaísta merece cadeira na ABL, merece destaque nas bibliotecas, nas livrarias, nas grandes editoras, nas festas literárias, nas universidades, nos clubes de leitura&#8230; Merece ser lida, discutida e reverenciada pelos brasileiros e bastante traduzida, para alcançar mais leitores e estudiosos também no exterior.</p>
<p>“Tinha um querer bem forte dentro do peito. Queria uma vida que valesse a pena”. Este trechinho do conto “Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos”, que integra a obra <em>Olhos d’água</em>, de Conceição Evaristo, condensa os desejos de grande parte dos personagens da autora: ser protegido e brincar na infância, poder se alimentar direito, conviver com a família, estudar, amar, melhorar de vida, sustentar os filhos com dignidade, morar bem, ser aceito sem preconceito, evitar tragédias, curtir algum refrigério, vivenciar alguma paz, ter uma velhice tranquila. Isso porque a ausência do poder público, o subemprego, a fome, a miséria, a doença, o desamparo, o vício e a prostituição, entre outros tipos de violências e carências, estão sempre presentes em suas “escrevivências”. As situações de vulnerabilidade social são retratadas por Conceição Evaristo de forma muito viva e doída, numa potência narrativa impressionante.</p>
<p><em>Becos da memória</em>, da mesma autora, é outra obra poderosa e impactante. Enquanto a gente lê o romance, precisa dar umas paradas para respirar fundo, chorar e processar a dor de cada personagem. Escrita nos anos 1980, mas publicado pela primeira vez apenas em 2006, a obra é um costurar de histórias de homens, mulheres, velhos, velhas e crianças moradores de uma favela que estão sendo despejados de lá. “Por que um lugar tão triste, uma vida tão desesperada, e a gente se apegando tanto?” Pelos becos da favela, a adolescente Maria-Nova ouve as histórias e os silêncios de dor e luta dos personagens e se sente responsável por não deixar que essas verdades morram. Nesses relatos, ela percebe, inclusive, a estreita relação de sentido entre a favela e a senzala e as marcas indeléveis da escravidão em nossa sociedade. “Quem sabe escreveria esta história um dia? Quem sabe passaria para o papel o que estava escrito, cravado e gravado no seu corpo, na sua alma, na sua mente. (&#8230;) Maria-Nova um dia escreveria a fala de seu povo”. Repleto de poesia, lirismo e metalinguagem, <em>Becos da memória</em> é justamente esse resgate!</p>
<p>O passado e o presente se misturam, fragmentados, e o futuro é incerto para todas aquelas famílias que estão sendo destituídas de seus barracos. Quanto valem os sonhos, as desilusões, a sobrevivência e a morte na periferia da grande cidade? Quanto vale a união, a bondade, a cooperação dos cidadãos na favela? Vidas negras importam? O romance visibiliza e celebra a vida de todos os brasileiros invisíveis e a importância deles para as famílias, para os vizinhos, para o país.</p>
<p>Para terminar, não posso deixar de transcrever o belo ensinamento transmitido pelo personagem Tio Tatão à nossa querida Maria-Nova:</p>
<blockquote><p>“— Menina, o mundo, a vida, tudo está aí! Nossa gente não tem conseguido quase nada. Todos aqueles que morreram sem se realizar, todos os negros escravizados de ontem, os supostamente livres de hoje, se libertam na vida de cada um de nós, que consegue viver, que consegue se realizar. A sua vida, menina, não pode ser só sua. Muitos vão se libertar, vão se realizar por meio de você. Os gemidos estão sempre presentes. É preciso ter os ouvidos, os olhos e o coração abertos”.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>* <strong>Maria Amélia Elói </strong>é escritora, jornalista e mestre em literatura pela UnB. Tem vários livros publicados e prêmios conquistados com suas palavras que inspiram e comovem.</p>
<p>Imagem: foto de <a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/188-conceicao-evaristo">Conceição Evaristo</a> por <a href="https://www.flickr.com/people/zphotoz/">Zanone Fraissat</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Carta à minha amiga Ana Maria</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/carta-a-minha-amiga-ana-maria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Nov 2020 00:37:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[kalunga]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Glória Moura* |   Ana Maria, Você me pediu para escrever um texto sobre o Dia da Consciência Negra. Estou tentando colocar no papel tudo de bom que eu consegui na vida quando fui pensar nesse tema. Quero falar das coisas boas que eu sinto hoje, para lhe contar o processo de chegar até</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por Glória Moura* |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ana Maria,</p>
<p>Você me pediu para escrever um texto sobre o Dia da Consciência Negra. Estou tentando colocar no papel tudo de bom que eu consegui na vida quando fui pensar nesse tema.</p>
<p>Quero falar das coisas boas que eu sinto hoje, para lhe contar o processo de chegar até aqui. Ao festejar o 20 de novembro de 2020, me inspiro na cultura e nas tradições africanas reafirmando a identidade brasileira.</p>
<p>Mas foi uma jornada, sem reclamações, sem chororô. Foi uma vida&#8230;</p>
<p>Têm as idas aos quilombos, que são comunidades negras rurais onde homens e mulheres vivem em harmonia, possuem uma história comum e consciência étnica. Conhecer a vida de trabalho e atualização de sua cultura, esse sim, foi o maior presente da minha trajetória. Ir lá conhecer suas raízes africanas e suas lutas de sempre, as comemorações e as suas festas foram o meu alimento. Queria saber tudo&#8230;</p>
<p>Em Guiné Bissau, mostrei um vídeo realizado na comunidade Santa Rosa dos Pretos, no Maranhão, onde há o <em>Banquete dos Cachorros</em> no Dia de São Lázaro: entre outras coisas, era uma mesa armada no chão, composta de sete cachorros e sete meninos, com menos de 5 anos, que recebiam os pratos com a mesma comida. A cerimônia continuava com a dança do candomblé, até altas horas. Para espanto meu, a plateia ficou muito entusiasmada e algumas pessoas disseram que lá existia a mesma cerimônia.</p>
<p>Mas tem uma tradição que me fez tentar entender essa linguagem religiosa. Fui à comunidade de Mato do Tição, em Minas Gerais. Antes, havia feito a promessa de que lá andaria na brasa se minha filha bailarina tivesse um diagnóstico positivo sobre a dor que ela sentia. Ela teve. Na noite de São João, passei sobre as brasas, queimei a sola dos pés e fiquei dois meses sem botar os pés no chão.</p>
<p>Olha minha amiga, teria muitas histórias pra lhe contar sobre a vinda dos africanos escravizados para o Brasil e suas influências no desenvolvimento do país.  Muitas das profissões desenvolvidas aqui, só foram possíveis por causa da mão de obra africana. Os portugueses não conheciam o uso do ferro e de outros materiais.</p>
<p>É com alegria que constato a sociedade brasileira caminhando no sentido do reconhecimento da cultura afro-brasileira e do seu papel na formação da nacionalidade, a exemplo das inúmeras manifestações de pessoas negras, brancas e indígenas nesse mês da Consciência Negra.</p>
<p><em>Glória Moura </em></p>
<p><strong>***</strong></p>
<p><strong>*Glória Moura</strong> é pedagoga e escritora. Mestra em Planejamento Educacional , professora da Universidade de Brasília e Doutora em Educação pela USP. Produziu <strong>Uma História do Povo Kalunga </strong>e <strong>Estórias Quilombolas</strong>. Atua como consultora do MEC na área de Educação Escolar Quilombola.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagem: foto de pintura do artista dominicano Jorge Severino</p>
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