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	<title>Arquivos Saudades - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>Descobertas</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/descobertas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 00:05:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
		<category><![CDATA[Saudades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lilian Neves* | Hoje é o 72º ou o 73º dia de isolamento social? Neste momento não tenho certeza e sigo na minha rotina recém-criada para as tardes passadas dentro de casa, de mexer nos livros, nas apostilas, nos álbuns de fotos, ouvir cd’s (sim, dei folga para música nos aplicativos). Escolho organizar artigos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por Lilian Neves* |</p>
<p>Hoje é o 72º ou o 73º dia de isolamento social? Neste momento não tenho certeza e sigo na minha rotina recém-criada para as tardes passadas dentro de casa, de mexer nos livros, nas apostilas, nos álbuns de fotos, ouvir <em>cd’s</em> (sim, dei folga para música nos aplicativos).</p>
<p>Escolho organizar artigos coletados anos atrás para compartilhar e discutir com alunos das aulas de Projetos Urbanos ou de História da Arquitetura Moderna Brasileira. E, dentre textos e/ou esboços de <em>Françoise Choay, Lúcio Costa</em> e outros urbanistas mais antigos, encontro uma matéria sobre o arquiteto <em>Jan Gehl</em>, que mudou a cara da cidade de Copenhague – Dinamarca. Nessa reportagem algo que me chamou a atenção: <em>“as cidades têm solução: pensar, em primeiro lugar, nas pessoas”</em>. Quando começo a refletir sobre o sentido dessa frase no contexto atual, meu foco é desviado ao encontrar um texto que escrevi.</p>
<blockquote><p><strong>“Em uma hora e meia</strong></p>
<p>A caminho da décima edição da Bienal Internacional de Arquitetura em São Paulo, faço opção por voo saindo de Brasília mais cedo do que o roteiro que o restante do grupo da faculdade escolheu. Somos quatro professores, alunos de diferentes períodos e alguns de seus familiares que se juntaram a nós para essa viagem acadêmica. Essa será a primeira edição da Bienal que ocorrerá em vários locais da cidade, alguns institucionais, outros culturais, promovendo o deslocamento pela rede de transporte urbano local &#8211; até então o evento se concentrava apenas em Pavilhão de Exposições no Parque Ibirapuera.</p>
<p>Na sala de embarque, repleta de pessoas de todas as idades, um ponto em comum: grupos de metaleiros de várias gerações. Sim, <em>Sampa</em> também abrigava no mesmo período um Festival de Música e, pelo visto, aquela seria a noite de rock pesado: <em>Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Iron Maiden</em>. Homens e mulheres maduros em trajes pretos, jeans rasgados, adereços (ou que nome dar aos piercings e similares que portavam) que marcaram gerações e que hoje, neste voo, se mesclam aos seus filhos e sobrinhos com a mesma empolgação.</p>
<p>Sim, pude presenciar um garoto, de prováveis 16 anos, sentado numa das poltronas à minha frente pedir ao homem em pé no corredor:</p>
<p>&#8211; Tio, guarda minha mochila aí <em>véi</em>!</p>
<p>E o tio, de longos cabelos grisalhos presos com fita de couro preta, guarda a sua e a do menino no compartimento de bagagens. A bordo, não há som <em>heavy</em>, a não ser nos <em>smart phones</em> ou <em>tablets</em> plugados em modo avião e conectados nos ouvidos de seus portadores.</p>
<p>Decido pegar a revista de bordo. Matérias diversificadas, mas me encanto com a reportagem sobre o centenário de Vinicius de Moraes, comemorado com o relançamento de livros e discos e uma inusitada paixão é destacada: pela culinária. Surpresa para mim. Sua veia <em>gourmet </em>será exposta em coletânea de receitas e restaurantes prediletos no Rio de Janeiro. Surpreendo-me apenas em saber que ele próprio gostava de comandar as panelas e cozinhar para os amigos. Imaginava-o sempre com o inseparável copo de uísque ao lado, escrevendo e compondo seus maravilhosos poemas.</p>
<p>E alegro-me ao constatar que dentre seus restaurantes prediletos, já frequentei quase todos, em épocas diferentes de minhas idas ao Rio: <em>Degrau</em>, no Leblon, <em>Café Lamas</em> em Botafogo, <em>A Polonesa</em> em Copacabana e o <em>Garota de Ipanema</em> em Ipanema.</p>
<p>Em outras páginas, revejo fotos e roteiros da Bolívia e relembro trechos da viagem que fiz há pouco tempo.</p>
<p>Descubro um pouco sobre uma editora e seus principais projetos e livros. Dois deles – <em>O Homem que amava caixas</em> e <em>Até as Princesas soltam puns</em> – já foram lidos por mim no projeto que participo como voluntária em hospitais.</p>
<p>E, quase na hora de pousar, chego à matéria Yoga pela Paz, que também acontece em São Paulo neste período. Nossa maior metrópole tem capacidade para essa diversidade cultural.</p>
<p>Na esteira, enquanto aguardo a bagagem chegar, mais um ponto a constar: o ator Fábio Assunção veio no voo e acaba de ser rodeado por fãs.</p>
<p>Essa viagem promete!</p>
<p><strong>Outubro 2013</strong>”</p></blockquote>
<p>Nessa semana, esse mesmo ator foi assunto bastante comentado nas redes sociais pelo seu posicionamento numa <em>live</em>, e não pelo seu trabalho. Aliás, as comunicações por aplicativos e plataformas digitais têm sido as ferramentas para divulgação de trabalhos, trocas de informações profissionais e até para que as famílias se comuniquem.</p>
<p>E, pensando nisso, interrompo minha arrumação de hoje e vou vestir minha capa de plástico descartável. Decido ir dar um abraço na minha neta de onze anos, pois só a tenho visto pelas telas, e a saudade está muito forte!</p>
<p><strong>Junho 2020</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><strong>Lilian Neves</strong> é arquiteta, planejadora urbana, contadora de histórias e avó amorosa.</p>
<p><strong>Obs:</strong> Nesta semana, o <a href="https://www.instagram.com/fabioassuncaooficial/">Fabio Assunção</a> cedeu o seu perfil no Instagram e no Twitter para a<a href="https://www.instagram.com/preferreira/"> Preta Ferreira</a> : #vidasnegrasimportam.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Carta para Rita, porque hoje é quinta-feira</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/carta-para-rita-porque-hoje-e-quinta-feira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2020 13:45:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Saudades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Claudine M. D. Duarte*   Ainda não sei quem inventou essa coisa de revelarmos uma memória, com fotos ou não, às quintas... tem até uma ‘hashtag’: #tbt, que traduzindo toscamente seria algo como “throwback Thursday” ou o retrocesso da quinta-feira. Como se fosse possível deixarmos de viver ‘retrocessos’ ou memórias ou saudades em todos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/claudineduarte/">Claudine M. D. Duarte</a>*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda não sei quem inventou essa coisa de revelarmos uma memória, com fotos ou não, às quintas&#8230; tem até uma <em>‘hashtag’</em>: #tbt, que traduzindo toscamente seria algo como <em>“throwback Thursday”</em> ou o retrocesso da quinta-feira. Como se fosse possível deixarmos de viver ‘retrocessos’ ou memórias ou saudades em todos os dias da semana&#8230; Eu queria ter escrito há muito tempo, mas como diria o Drummond, <em>ficaram velhas todas as notícias, eu mesma envelheci.</em> E, nesses dias, penso em você mais frequentemente&#8230; a história do cadastro das pessoas menos favorecidas me toca a alma. Sei que toca o começo de nossa amizade&#8230; era Collor, marajás na previdência e um monte de gente que acreditava que a tecnologia da informação iria (até podia!) transformar o mundo. O mundo em nosso país, pelo menos.</p>
<p>Éramos um monte de amigos, jovens e um pouco loucos (na dose permitida à juventude), queridos entusiastas em busca de um número único para garantir os direitos de existência (e cidadania) a todos os brasileiros. Você nos deixou cedo demais. Queria que tivesse visto como as sementes que ajudou a plantar já deram alguns frutos. Insuficientes, mas deram. Queria contar que o padrão de serviços que você imaginou para os postos de atendimento da previdência ainda não estão atendidos e que ainda pedem CPF para pessoas em situação de rua. Queria contar que por aqui vivemos uma pandemia e para atender pessoas famintas, basta regularizarem o título de eleitor. A evolução dos serviços eletrônicos do governo é tamanha que fizeram até um aplicativo para isso. Você nem iria acreditar, basta ter um celular, acesso à internet, o ‘bendito’ CPF em dia e <em>“voilá”.</em>.. Muita coisa mudou, agora ninguém precisa das bases de dados distribuídas&#8230; as coisas ficam nas nuvens e as transações podem ser feitas em segundos.</p>
<p>Nessa noite, eu sonhei com você: andávamos por uma estrada larga, devia ser ao lado de uma praia, pois tinha um barulho de mar. Eu contava das últimas notícias, mostrava a você um celular e como a gente podia saber de tudo com poucos cliques e tal. Você estava maravilhada! Ainda podíamos assistir vídeos e a filmes inteiros&#8230; Sentávamos e, por mágica – porque é assim que acontece nos sonhos, estávamos na casa da D. Maria, sua mãe, e tomávamos whisky enquanto não vinha a canjiquinha&#8230; na TV, o noticiário do dia mostrava os números atualizados do dia: zero mortos! E a gente comemorava. Zero pessoas mortas por fome. Zero crianças mortas com diarreia. Zero feminicídios. &#8216;Bora comemorar, Rita!</p>
<p>Mas sinto dizer, isso foi apenas um sonho. Nos jornais de hoje, os números são outros. Contam os mortos pelo coronavírus. Um horror, você diria acrescentando que os médicos não sabem nada. Não sabiam quando você fazia o seu tratamento de câncer, continuam não sabendo hoje. Ainda resumem tudo a tentativas e erros. Tem ciência no meio, as tentativas, cada uma a seu tempo, o próprio método e os erros&#8230; bem deixemos os erros de lado que essa carta tem limite.</p>
<p>Quero terminar, dizendo que sinto sua falta, que queria que a gente tivesse virado avós juntas. Já tenho três netos. Alice, a que veio antes, completa dezesseis daqui uns dias&#8230; Não se espante. Avisei que envelheci. Envio junto um desenho que a Tâmara fez –  <strong>“Quando eu te encontrar”</strong>  – como um alento para os tempos estranhos de nosso isolamento social. Ainda é 2020 e não sabemos de nada. Queria abraçá-la, mas nem isso seria possível mesmo que você estivesse por aqui. Então digo um até breve e juro que escreverei novamente depois que isso tudo passar. Pode ser que seja uma quinta-feira e, com sorte, tenhamos – de novo, uma Superlua. E quem sabe, eu tenha algo de novo pra contar.</p>
<p>//</p>
<p>P.S.: toda carta que se preze tem um <strong>PS </strong>(e não é pronto-socorro). Se você gostou da ilustração, visite https://www.instagram.com/paprikadatil.art/</p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p>* <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/claudineduarte/"><strong>Claudine M. D. Duarte</strong></a> é arquiteta, dramaturga e escritora. Fomenta a leitura entre os jovens através do Projeto Calangos Leitores. Foi finalista do prêmio Jabuti na categoria Inovação em 2018.</p>
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