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	<title>Arquivos wisnik - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>O Poeta e a Pedra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Oct 2019 14:10:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[drummond]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Lopes | “Meus olhos são pequenos para ver/ o mundo que se esvai em sujo e sangue...”                                                                          CDA/1944 Foi numa viagem à Itabira – aquela cidade que “hoje é apenas um retrato na parede” – que ele percebeu como a atividade mineradora e a poética de Carlos Drummond de Andrade se entrelaçam e</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes </a>| </p>



<blockquote style="text-align:right" class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Meus olhos são pequenos para ver/ o mundo que se esvai em sujo e sangue&#8230;”</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><cite>CDA/1944</cite></blockquote>



<p></p>



<p>         Foi numa viagem à Itabira – aquela cidade que <em>“hoje é apenas um retrato na parede”</em> – que ele percebeu como a atividade mineradora e a poética de Carlos Drummond de Andrade se entrelaçam e se confundem num embate antológico.</p>



<p>         Falo de José Miguel Wisnik, músico, escritor, compositor e ensaísta que, tal como um garimpeiro, extraiu dos poemas de Drummond essa ilação insistente entre a crítica à atividade mineradora e a sua poética.            </p>



<p>Em <em>Maquinação do Mundo</em>, Wisnik aponta a relação entre as corroídas serras mineiras, principalmente o pico do Cauê – riqueza da paisagem itabirana – e os sentimentos, a resistência e a crítica de Carlos Drummond de Andrade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Wisnik, a partir de 1940, Itabira passou a sofrer o
impacto da exploração mineral e “poucas vezes a mitologia pessoal mais íntima
de um poeta foi submetida a um confronto tão direto com o real da história
econômica”. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir de 1942, quando a Vale do Rio Doce foi criada, o
pico do Cauê foi se dissolvendo ante aos olhos de Drummond que tentou deter,
com sua única fonte de resistência, a devastação que se advinha. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>“IV -Itabira</em></p>



<p><em>Cada um de nós tem seu pedaço no pico do Cauê.</em></p>



<p><em>Na cidade toda de ferro</em></p>



<p><em>as ferraduras batem como sinos.</em></p>



<p><em>Os meninos seguem para a escola.</em></p>



<p><em>Os homens olham para o chão.</em></p>



<p><em>Os ingleses compram a mina.</em></p>



<p><em>Só, na porta da venda, Tutu Caramujo cisma na derrota incomparável.”&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em></p>



<p>Mais
do que sua cidade natal, Itabira era sua pátria. E Drummond incorporou-a tanto
em sua trajetória que absorveu sua carga histórica. Cantou-a desde a
apropriação do território indígena, a vinda dos colonizadores até os dias em
que a posse se tornou absoluta. Essa saga é relatada no poema <em>A Montanha Pulverizada:</em></p>



<p><em>Chego à sacada e vejo a minha serra,</em></p>



<p><em>a serra de meu pai e meu avô,</em></p>



<p><em>de todos os Andrades que passaram</em></p>



<p><em>e passarão, a serra que não passa.</em></p>



<p><em>Era coisa de índios e a tomamos</em></p>



<p><em>para enfeitar e presidir a vida</em></p>



<p><em>neste vale soturno onde a riqueza</em></p>



<p><em>maior é sua vista a contemplá-la.</em></p>



<p><em>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</em></p>



<p><em>Esta manhã acordo e</em></p>



<p><em>não a encontro.</em></p>



<p><em>Britada em bilhões de lascas</em></p>



<p><em>deslizando em correia transportadora</em></p>



<p><em>entupindo 150 vagões</em></p>



<p><em>no trem-monstro de 5 locomotivas</em></p>



<p><em> – o trem maior do mundo, tomem nota –</em></p>



<p><em>foge minha serra, vai</em></p>



<p><em>deixando no meu corpo e na paisagem</em></p>



<p><em>mísero pó de ferro, e este não passa.</em></p>



<p>Não
resta dúvida a atitude política e a bravura do poeta ao expor a dor da
devastação invocada nos poemas. Por toda sua obra se encontram a lição de
brasilidade e a não transigência de seus valores cívicos e morais. </p>



<p>Com
sua personalidade firme, sua aparência urbana e sua alma interiorana, Carlos
Drummond de Andrade se mostrou o poeta de vanguarda que não abdicou da doçura e
cantou a dor universal.</p>



<p style="text-align:center">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ***</p>
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