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	<title>Arquivos tristeza - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>TRISTEZA SUAVE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 00:07:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Daily Featured]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres na literatura]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">por <strong>Eva Leones *</strong> |</p>
<p>Na posição em que estava, quase na entrada do salão, eu não conseguia ouvir muito bem o que dizia a cliente com quem a manicure conversava. Ou talvez eu tenha me colocado (de propósito? agora me pergunto) no ângulo exato para ouvir apenas as suposições e o relato, quase uma elegia, que aquela mulher, sentada no banquinho baixo, meio agachada, contava.</p>
<p>Como foi que aquilo ali me capturou? Onde antes, meu Deus?</p>
<p>Eu estava apenas de passagem em mais uma cidade &#8211; como a cor de tinta do meu cabelo que ia, de novo, trocar -, e nunca soube o motivo de não poder desperdiçar nada daquela tarde, daquela luz, daquela delicadeza, entre inocente e absurda, que habitava aquela historinha de passarinho.</p>
<p>&#8230;&#8230;..</p>
<p>&#8211; É assim todas as tardes. Ele fica aí nesse choro triste. Depois a companheira volta e ele canta que é uma beleza! Daqui a pouco, mais uns dez minutos, e a senhora vai ver.</p>
<p>No começo eu ficava curiosa e ia olhar&#8230; Uma tarde vi a fêmea vindo e os dois se encontrando. Uma festa! Faz quase um ano que eu trabalho aqui. Já me acostumei. Nem preciso olhar o relógio pra saber o que está acontecendo. Natureza, né? Passarinho se guia pela luz do sol e pelo calor do ar. Já reparou que no meio do dia a gente quase não vê eles voando? Não devem aguentar a quentura!</p>
<p>Esses dois aí, acho que são um casal mesmo. E ele é velhinho ou tem algum machucado e não consegue voar. Essa hora da tarde, ele sente a companheira retornando&#8230; Deve ter um pouco de ciúme e de medo&#8230; de acontecer alguma coisa com ela&#8230; Ou, vai ver, pensa que vai acabar esquecido. Uma vez eu li que muitos passarinhos têm só um amor pra vida toda. Esse aí deve ser assim. É um bicho bonito, né?</p>
<p>Às vezes fico querendo que alguém faça uma música com a história deles. Tem muita música com passarinho. Aquela caipira antiga do João-de-barro eu não gosto, não! História de traição, de macheza&#8230; Me falaram que tem uma nova bem diferente, de amor&#8230; Mas ainda não ouvi.</p>
<p>Poeta de passarinho? Conheço ainda não! Fala de novo o nome&#8230; E escritora mulher?&#8230; Tem?&#8230; Vou procurar.</p>
<p>Conheço quase todo mundo aqui na comercial, sim! Faz tempo que a senhora se mudou pra Brasília? É a primeira vez que vem no salão, né? Eu já vi a senhora passando na rua&#8230; Semana passada, não foi? Um vestido azul bem comprido, eu acho.</p>
<p>Pronto! A cor ficou boa pra senhora, combinou com a sua pele&#8230; olha o nome que engraçado!&#8230; Se a senhora quiser continuar usando esse tom, eu peço pra Marli comprar mais e deixar aqui&#8230; Nome de esmalte muda muito&#8230;</p>
<p>Obrigada, viu?! Se quiser, pode marcar hora pelo telefone. Não esquece o cartão da gente.</p>
<p>Olha lá! Bem na hora! Ainda bem que deu tempo de a senhora ouvir a felicidade dele! Não lhe disse que era uma festa? Tão bonito o amor dos dois! Me dá uma ternura, sabe?! Às vezes cai uma lágrima. Acho que é porque o canto de alegria dele, dos dois juntos, leva a gente longe&#8230; Que nem a luz da tarde nessa hora.. . Tem uma tristeza também, né? Uma tristeza que não é profunda&#8230; é até suave&#8230; e a gente não sabe explicar.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<blockquote><p><strong>um P.S. para Lygia: </strong></p>
<p>Este texto estava pronto há algumas semanas, e sua publicação já estava prevista para agora, quando nos chegou a notícia do falecimento da querida escritora Lygia Fagundes Telles. Ela também era autora de textos com passarinhos.</p>
<p>Lembramos, por exemplo, dos contos &#8220;História de Passarinho&#8221; (do livro &#8220;Invenção e memória&#8221;) e &#8220;Pomba Enamorada ou Uma História de Amor&#8221; (de &#8220;Seminário dos Ratos&#8221;). No primeiro, um homem, sentindo-se sufocado no casamento, se compara a um passarinho preso com quem convive; no outro, uma mulher se enche de vida e de esperança e se permite o encontro com um amor, mesmo que pareça quase milagroso isso acontecer.</p>
<p>Pequenas cenas e questionamentos do cotidiano que intrigam e comovem. De algum modo, os dois textos da escritora dialogam com esta nossa crônica. Esta &#8220;Tristeza suave&#8221; passa a ser a nossa elegia de homenagem para Lygia. É também uma forma de agradecimento e de reverência à escritora paulista e à beleza inquietante e instigante de seus textos.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/tatu.com.insonia/"><strong>*Eva Leones</strong></a> é escritora e doutora em Letras pela USP. Professora,  ministra cursos e oficinas literárias, sempre sobre a reflexão sobre escritores, a poesia, a leitura e a cultura popular. Tem um livro de poesias editado por nosso Coletivo &#8211; TEMPO/PÁSSARO &#8211; que pode ser adquirido pelo <a href="https://www.instagram.com/domcaixotesebo/">Sebo Dom Caixote.</a> Neste mês, em comemoração ao aniversário de Brasília, apresentará uma série de diálogos e reflexões sobre a cidade e sua relação com a leitura e literatura. Acompanhe em <a href="https://www.instagram.com/travessiasdaliteratura/"><strong>Travessias da Literatura</strong>.</a></p>
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<div><strong>Imagem: </strong>Gaturamo verdadeiro (Euphoria violacea) | Foto por <a href="https://www.instagram.com/sbzarur/"><strong>Sandra Beatriz Zarur</strong></a>.</div>
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