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	<title>Arquivos flip - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>“EU NÃO ERREI. EU AMEI!”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jul 2019 13:50:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[euclidesdacunha]]></category>
		<category><![CDATA[feminicício]]></category>
		<category><![CDATA[flip]]></category>
		<category><![CDATA[flip2019]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Maria Lopes         A escolha de Euclides da Cunha como o autor homenageado da Feira Literária Internacional de Paraty – FLIP – não passou em brancas nuvens. Gerou polêmicas esperadas e inesperadas.         O lado racista do escritor foi pronunciado com propriedade pela autora Marilene Felinto ao dizer que os ancestrais de sua</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align:right">Por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/anamarialopes/">Ana Maria Lopes</a></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A escolha de Euclides da Cunha como o autor homenageado da
Feira Literária Internacional de Paraty – FLIP – não passou em brancas nuvens.
Gerou polêmicas esperadas e inesperadas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O lado racista do escritor foi pronunciado com propriedade
pela autora Marilene Felinto ao dizer que os ancestrais de sua mãe “<em>são possivelmente sobreviventes da degola e
da tortura a que foram submetidos pelo exército de Euclides da Cunha</em>”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mesmo com o <em>mea-culpa</em>
feito com seu livro-reportagem <em>Os Sertões</em>,
o ranço do racismo euclidiano permaneceu. Mas não falaremos de racismo. Não
agora.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No momento em que o feminicídio e a violência contra a mulher
aumentam assustadoramente em nossa sociedade, é, no mínimo, estranho e curioso
homenagear um homem que, por não aceitar o término de seu casamento, invade a
casa de sua mulher e tenta matar seu desafeto. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A história é um pouco mais violenta e complexa mas é o &nbsp;protagonismo masculino que dá o tom da tragédia.
</p>



<p>         Anna casou-se aos quatorze anos com Euclides da Cunha. O casamento fora realizado em seguida à Proclamação da República, em 10 de janeiro de 1890. Os registros da sua conflitada vida conjugal partem de pequenos relatos e conversas onde ela se queixava de solidão durante as viagens de Euclides. Às vezes, viagens superiores a um ano.</p>



<p>        Com três filhos, carente e solitária, Anna se encanta por um oficial mais jovem com quem passa a ter um relacionamento. O casamento fica insustentável e Anna muda-se para a casa de Dilermando, seu grande amor.</p>



<p>         Ao tomar conhecimento desse fato, um desvairado Euclides da Cunha percorre a Estrada Real de Santa Cruz, bate à porta da casa de Anna e Dilermando e grita: “vim para matar ou morrer”.</p>



<p>         No embate, Dilermando mata Euclides. </p>



<p>          Uma tragédia de Ésquilo, segundo Monteiro Lobato.  Os jornais estamparam em suas páginas “o trágico fim do célebre escritor, traído por sua mulher com um rapaz mais novo e assassinado por este amante”.</p>



<p>         Anna virou o pivô da tragédia. Os Cunha nunca a perdoaram. Seus três filhos com Euclides foram entregues a tutores. A sociedade da época jamais esqueceu o colossal escândalo que ela provocara. Enquanto viveu, carregou o estigma de adúltera.</p>



<p>           Sanninha, como era conhecida, não podia se socorrer em uma Delegacia da Mulher. Não havia defesa. Dela se excluiu tudo, inclusive a análise de sua vida e das dificuldades da época. Terminou seus dias carregando todos os adjetivos que uma mulher casada ostenta ao dar fim a seu relacionamento – e a legislação da época nem contemplava separação judicial ou divórcio. Anna, assim, abriu portas ao se relacionar com um rapaz mais jovem. Os episódios de violência não vieram à tona e ficaram restritos a poucos relatos. </p>



<p>           Sabe-se lá por que desígnios, recentemente, o diário de Anna de Assis chegou às mãos de sua neta Anna Sharp. Nas 45 páginas do caderno (cuja autenticidade ainda é questionável), ela escreve que Euclides aceitava o triângulo amoroso, mas que não admitia o divórcio. </p>



<p>        A face masculina se revela nessas questões. O herói republicano, o magnífico escritor dotado de inteligência e conhecimento mostrou o lado perverso do ser humano.  </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nenhuma intenção há nesse artigo em diminuir a importância e
a dimensão histórica e literária de Euclides da Cunha. Seu “<em>Os Sertões</em>” é uma epopeia da vida
sertaneja e um dos clássicos da literatura brasileira. E isso é inquestionável.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas o papel da mulher no século XIX – “pivô de crime
passional”, segundo o Dicionário Mulheres do Brasil (Zahar Editores), “capital
simbólico importante”, “guardiã do lar e da família”, “base moral da
sociedade&#8230; deveria adotar regras castas no encontro sexual com o marido&#8230;”
(esses três últimos comentários são de Maria Ângela D’Incao no livro História
das Mulheres no Brasil) não difere muito da mulher do século XXI. Apesar de
algumas conquistas, a fala das mulheres sempre foi preterida pelos
historiadores. </p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O amor romântico, a expressão da sexualidade, o alimento do
corpo, ainda não é bem recebido. Da mesma forma que Anna, a mulher ainda sofre
vigilância social, constrangimentos e, em muitos círculos, é moeda de troca.</p>



<p>        Vai levar um bom tempo para que todas possam gritar como Anna: “Eu não errei. Eu amei!”</p>
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		<title>Flip 2019 &#8211; Impressões</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/flip-2019-impressoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jul 2019 09:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[festa literária]]></category>
		<category><![CDATA[flip]]></category>
		<category><![CDATA[flip2019]]></category>
		<category><![CDATA[Paraty]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Christiane Nóbrega  Fotografia de Elias Lucena Semana passada estive em mais uma edição da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Sem dúvida, o evento literário mais charmoso do País! Foi minha segunda vez por lá (leia sobre a primeira vez aqui) e mais uma vez foi maravilhoso. Muita arte, muita cultura e muito</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/christianenobrega/">Christiane Nóbrega </a></p>



<p>Fotografia de <a href="https://www.facebook.com/fotografoporatrevimento/">Elias Lucena</a></p>



<p><strong>Semana passada estive em mais uma edição da Flip &#8211; Festa Literária Internacional de Paraty. Sem dúvida, o evento literário mais charmoso do País! Foi minha segunda vez por lá (<a href="http://chrisdequintino.blogspot.com/2015/07/ferias-julho-2015-parte-ii-flip.html">leia sobre a primeira vez aqui</a>) e mais uma vez foi maravilhoso. Muita arte, muita cultura e muito discurso com pouca prática.</strong></p>



<p><strong>Os temas das mesas provocaram uma necessária reflexão sobre a atualidade no Brasil, sobretudo sobre os conflitos sociais, polarização política, ódio explícito (machismo, misoginia, racismo, homofobia, elitismo) e pela crise da democracia brasileira pós golpe de 2016, tudo sob protesto de uma meia dúzia de opositores barulhentos e raivosos. </strong></p>



<p><strong>Muitas escritoras pretas na programação oficial. Escritores angolanos, nigerianos. Na programação das casas associadas e paralelas, um monte de coletivos editoriais e muitos eventos gratuitos espalhados pela cidade.</strong> </p>



<p><strong>Logo na abertura da Flip &#8211; na programação principal &#8211; o espetáculo “Mutação de Apoteose”, exibiu um vídeo fortíssimo com cenas da sangrenta história recente do Brasil. Assassinato de Mariele e Anderson, massacres de povos indígenas, a atuação violenta e truculenta das polícias, o genocídio diário, o encarceramento em massa de pobres e pretos. Em seguida, o espetáculo contou com uma tímida participação dos indígenas locais. Tudo muito bonito e emocionante. Mas a inclusão ficou só no vídeo mesmo. </strong></p>



<p><strong>A entrada para a tenda principal era cara, disputada. Seu público? Obviamente o retrato da elite branca brasileira, nível carros blindados e seguranças. Bem verdade que havia um espaço montado para transmissão ao vivo das mesas principais, mas precisa mesmo dessa segregação? Por que não um espaço único?</strong></p>



<p><strong>Os indígenas participaram da abertura (todos dizem óh&#8230;), mas foram nas ruas mais afastadas que expuseram seu trabalho. Ali, no chão mesmo, ao relento, literalmente à margem da Flip oficial. Não teria sido melhor inclui-los na programação oficial como protagonistas e não como totens? </strong></p>



<p><strong>A Flipinha, espaço dedicado às crianças, merece um capítulo à parte. Nessa edição, foi reduzida a um arremedo de lona de circo no meio da praça. Terrivelmente quente e que, com certeza, se chovesse, ficaria inviabilizada. Ao seu redor, brita. Isso senhoras e senhores, brita. Um terror para bebês. O espaço, de tão mínimo, quando recebia escolas locais, com não mais que pequenos grupos, ocupavam todo o minúsculo espaço. Tudo sem cadeiras, banheiro e nem uma mesinha que servisse de fraldário.</strong></p>



<p><strong>A programação da Flipinha não teve melhor sorte, repetitiva e enfadonha, com a exceção de um ou dois momentos que valeram ouro, como a participação do escritor Jonas Ribeiro. Nenhuma autora ou autor infantil na programação principal. Nenhum.</strong></p>



<p><strong>É incompreensível tanto desdém. Sobretudo, quando o debate da vez é a crise do mercado editorial. Não são as crianças seu presente e futuro? Nem o espaço dos infantis na Livraria da Travessa estava bacana. Poucos títulos, estantes altas e muitos títulos mais comerciais que literários. </strong></p>



<p><strong>Para além dessa questão, se dizer feminista e não incluir crianças é bem contraditório. Claro que se o local não é acolhedor pras crias, a mãe também deixa de ir. Companheiros que assumam seu papel ainda são exceções e rede de apoio é privilégio de poucos. Pode-se dizer que não havia banheiros públicos de tão poucos. Os dos restaurantes, exclusivos para clientes. Fraldários, não vi nenhum. </strong></p>



<p><strong>Justiça seja feita! O SESC e o Museu da Língua Portuguesa, além de programação específica para crianças, tinham distrações para os pequenos leitores tornando-os também acessíveis às mães. </strong></p>



<p><strong>As preocupações de como divulgar, como vender, como conquistar mercado, quais os novos caminhos&#8230; são unânimes e foram abordadas com variados enfoques. O fato é que o mercado editorial teve por anos o setor público como principal comprador e com os cortes dos programas, ficaram meio que à deriva. Mas em pouquíssimos desses debates se discutiu a formação de leitores e em menos ainda a democratização ao acesso à literatura, o que leva a crer que ano que vem acontecerão exatamente os mesmos debates. </strong></p>



<p><strong>A Flip de fato é um sucesso. Voltaria mil vezes e recomendo mais ainda. Mas alguém aí precisa ajustar a sintonia entre o discurso e a prática. Os indígenas, os pretos, as crianças, os LGBTQ+, as mães, precisam sair da margem da Flip, esse já é o lugar que a sociedade os relega. Queremos o protagonismo. Espero nas próximas edições ver todas essas contradições diminuídas com muita prática e novos discursos. Não basta se dizer inclusiva, tem que ser inclusiva.</strong></p>
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