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	<title>Arquivos dança - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>DANÇA DA CHUVA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2022 00:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Gabriela Braga * |   Cê tem uma coisa que move a sua atenção quando acontece, invariavelmente? Eu tenho algumas. E talvez a mais poderosa seja a chuva. Não importa onde esteja. No mato, pertinho da natureza é sempre mais poderoso, esse princípio. O silêncio, a fuga dos bichos, o vento, o primeiro cheiro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Gabriela Braga *</strong> |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cê tem uma coisa que move a sua atenção quando acontece, invariavelmente?</p>
<p>Eu tenho algumas. E talvez a mais poderosa seja a chuva. Não importa onde esteja. No mato, pertinho da natureza é sempre mais poderoso, esse princípio. O silêncio, a fuga dos bichos, o vento, o primeiro cheiro de terra e planta molhada (às vezes o cheiro dos bichos molhados. Meu cachorro, em especial).</p>
<p>Mas, em plena cidade, ontem, fui pega por um encantamento que me fez dirigir abaixo da velocidade, pegar a faixa direita e vir pra casa quase hipnotizada pelo vapor que subia do asfalto. Ondas e ondas e ondas de uma fumacinha linda resultante do choque entre o calor do asfalto e o frio da água, logo quando a chuva começa.</p>
<p>Eu ali, bem desligada do mundo, lendo os desenhos, a dança. Deslumbrada que chama, né?</p>
<p>Pois. Paro num sinal e um moço que vende música por uns trocados ali larga o instrumento na caixa (um sax) e sai dançando com aqueles mesmos movimentos de fumaça úmida&#8230; Como se fosse um par.</p>
<p>Eu, besta, sem conseguir piscar, ria por trás da máscara, mas meu olho não disfarçou a emoção e logo se encheu de água. Findo o espetáculo, ele chegou na minha janela, pra recolher meu ingresso. Eu estendi a mão com o que tinha em espécie. Ele pegou, simulou um beijo pra mim, no dorso da própria mão, e disse que, se pudesse, nem pegava o dinheiro, porque minha atenção era tudo que ele precisava depois de um dia inteiro de invisibilidade e nenhuma troca. E que valia muito mais pra ele a minha lágrima de emoção.</p>
<p>Não preciso dizer que dali em diante chorei. Desaguei, como a chuva, cada vez mais intensa, forte, lavando tudo. Chorei a dor de um mundo que não ouve música, não vê o moço dançar, não sente a chuva. Não se irmana com nada.</p>
<p>E cheguei em casa, sã, salva. Literalmente. O céu já se mostrava, entre estrelas e nuvens, mais uma vez. Bem a tempo de abrir uma janelinha e deixar passar os últimos tons de um pôr do sol que pintou tudo de um laranja-dourado.</p>
<p>Disseram que, do outro lado da cidade, teve arco-íris duplo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*<a href="https://www.instagram.com/belabela72/">Gabriela Braga </a></strong>é produtora de Cultura e Comunicação, gestora de Relacionamento, Projetos e Pessoas, produz conteúdo multimídia, é assessora de imprensa e tem expertise em tudo o que se refere à comunicação. Além disso, é dona de uma sensibilidade ímpar e de textos que emocionam.</p>
<p>Imagem: foto por <strong>Jane Hobson</strong></p>
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