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	<title>Arquivos #covid19 - Maria Cobogó</title>
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	<description>Coletivo Editorial Maria Cobogó</description>
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		<title>EU TIVE, TU TENS, ELE NÃO</title>
		<link>https://mariacobogo.com.br/eu-tive-tu-tens-ele-nao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MARIA COBOGÓ]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jul 2021 01:07:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[#covid19]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[memorias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Christiane Nóbrega  * |   Era Junho de 2021. Sem festa de São João pelo segundo ano seguido.  525 mil mortos no Brasil. Ao revés do que bradaram: não, não é uma gripezinha. No começo, morriam só os velhos. Depois começaram a morrer os 'com comorbidades'. Hoje, até jovens sem comorbidades sucumbem ao tal vírus.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/escritoras/christianenobrega/">Christiane Nóbrega</a>  * |</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Era Junho de 2021. Sem festa de São João pelo segundo ano seguido. </strong></p>
<p><strong>525 mil mortos no Brasil.</strong></p>
<p><strong>Ao revés do que bradaram: não, não é uma gripezinha.</strong></p>
<p><strong>No começo, morriam só os velhos. Depois começaram a morrer os &#8216;com comorbidades&#8217;. Hoje, até jovens sem comorbidades sucumbem ao tal vírus. Assim, sem muita explicação.</strong></p>
<p><strong>Era noite. O telefone tocou e a voz do outro lado anunciou que o teste da minha filha havia constatado Covid-19 e que eu devia refazer o meu. Era a biomédica do laboratório. A essa altura, eu e meu filho já com sintomas também.</strong></p>
<p><strong>Pronto. A roleta começou a girar.</strong></p>
<p><strong>Nas casas da roleta várias opções nada boas. Morte, UTI, hospital, tratamento sem comprovação científica e com efeitos colaterais gravíssimos, sequelas e, também, a cura. Em todas elas, o medo. Vários medos.</strong></p>
<p><strong>Refiz o PCR e como a voz anunciou, eu estava com Covid também.</strong></p>
<p><strong>Decidi, então, postar meu teste positivo no Instagram. Ao que parece, naquela rede a ordem é fingir que nada tá acontecendo, que a pandemia acabou. Muitos publicam conteúdo sobre a Covid, mas é muito raro alguém divulgar o próprio diagnóstico.</strong></p>
<p><strong>Fiz um <em>story</em> e logo vieram os paladinos da prevenção e juízes das autoridades sanitárias (tem alguma no Brasil?):</strong></p>
<blockquote><p><strong>“Onde pegou?”</strong></p>
<p><strong>“Aglomerou, deu nisso.”</strong></p>
<p><strong>“Isso é porque não usa <em>PFF2.</em>”</strong></p>
<p><strong>“Não vacinou?”</strong></p>
<p><strong>Vieram também os negacionistas (esses com infinitas subclassificações: antivax, é gripezinha, não conheço ninguém com Covid&#8230;):</strong></p>
<p><strong>“Besteira, toma um chá de qualquer coisa aí.”</strong></p>
<p><strong>“Adiantou nada você se isolar esse tempo todo.”</strong></p>
<p><strong>“Gastou caro na <em>PFF2</em> e tá com Covid.”</strong></p>
<p><strong>“Ué, você vacinou! Viu como não resolve? Foi a <em>vaChina</em>?”</strong></p>
<p><strong>Os <em>cloroquiners </em>também se fizeram presentes.</strong></p>
<p><strong>Destaco os sem noção:</strong></p>
<p><strong>“Meu amigo começou bem como você e em seguida morreu.”</strong></p>
<p><strong>“Um amigo do amigo do vizinho, curou e teve infarto fulminante de sequela.”</strong></p>
<p><strong>“Certeza que você nunca mais vai sentir gosto direito!”</strong></p></blockquote>
<p><strong>Sim, eu me isolei. Não, não sabemos onde pegamos, Brasília tá escorrendo coronavírus nas paredes e a pessoa quer saber de onde você pegou.</strong></p>
<p><strong>Sim, usei <em>PFF2</em> na maioria do tempo. Sim, estou em teletrabalho. Sim, vacinei, mas só a primeira dose e não houve tempo sequer pra essa dose agir.</strong></p>
<p><strong>E mil vezes sim, graças a Deus fiz isolamento, usei <em>PFF2</em>, perdi as digitais de tanto lavar as mãos, não aglomerei e tomei a primeira dose da Fiocruz. A consciência absurdamente tranquila de ter feito a minha parte fez toda diferença nesses dias.</strong></p>
<p><strong>Os chatos acima listados não foram maioria e nem os protagonistas dos meus dias de Sars-Cov2.</strong></p>
<p><strong>Recebi muito amor. Familiares e amigos amorosos, genuinamente preocupados e efetivamente à minha disposição se fizeram presentes todos esses dias. Recebi bolo, canjica, frutas, oxímetro e até churrasco e sobretudo, muito amor!</strong></p>
<p><strong>Descobri, ainda, que muitos amigos estão vivenciando luto em razão da Covid-19. Alguns prolongados, outros com culpa, achando que deveriam ter cuidado mais e outros traumatizados mesmo. Todos com muito medo de perder mais alguém. Tive sentimentos múltiplos ao ouvir esses amigos. O medo, que já estava aqui. Raiva do governo genocida, não só o federal, mas o do DF também. Tristeza. Alegria, por ser amada e cuidada. O sentimento mais intenso foi o compromisso em me cuidar. Me cuidar não só por mim, mas pelos meus filhos, pelos meus e por esses amigos todos. Um compromisso em não ser uma nova dor aos que amo. E assim fiz, me cuidei, cuidei dos meus e mandava notícias todos os dias. Notícias acalmam.</strong></p>
<p><strong>Minha irmã também teve o diagnóstico no mesmo dia (sei lá se pegamos juntas) e veio passar o isolamento conosco. Foram bons aqueles dias. Nos fizemos companhia, alternamos cuidado uns com os outros e tornou tudo mais leve.</strong></p>
<p><strong>Aos curiosos, alerto que os sintomas foram muito similares aos de uma sinusite forte, sem febre e com muita, muita indisposição. Paladar e olfato também ficaram alterados. Lá pelo oitavo dia tive muita dor nas pernas e foi quando descobriram a alteração no tal <em>Dímero D</em> e por isso comecei um anticoagulante e Maria no mesmo dia iniciou uma crise de asma. Assustadoramente, os piores dias do vírus ocorrem a partir do sexto.</strong></p>
<p><strong>Esses 14 dias foram de reflexão. Não, não farei a blogueira branca rica falando que a pandemia tem o que ensinar e tão pouco que sairemos dela melhores, muito menos estamos todos no mesmo barco. Sairemos desses dias cheios de dores, traumas e medos. E não, decididamente, não estamos no mesmo barco. Em 10 dias, tive três médicos nos atendendo por telefone, fui à emergência 04 vezes, ao laboratório duas. Fiz ao menos 03 exames de sangue e tomografia. E, a cada passo, fiz questão de pontuar com meus filhos o enormíssimo privilégio que vivemos e que o legado do Sars-Cov2 deve ser o impulso por lutar para que todos tenham acesso a o que tivemos: conhecimento, afeto e cuidado. Que eu e meus filhos possamos ser um elo de cuidado como os que tivemos.</strong></p>
<p><strong>Já é julho.</strong></p>
<p><strong>É assustador ver que tantos não sobreviveram à Covid, que, mesmo tendo os mesmos cuidados, sucumbiram e que você conseguiu. É estranho a ciência não saber ainda explicar isso e é impossível não ser profundamente grata por poder estar aqui.</strong></p>
<p><strong>A roleta ainda não parou girar.</strong></p>
<p><strong>Falta a segunda dose da vacina, o tratamento com anticoagulante, a asma da Maria voltar pra gaveta e tem o risco de reinfecção&#8230;</strong></p>
<p><strong>Seguirei firme, com menos medo, mais vontade de viver e com o compromisso de fazer valer a pena em honra aos que se foram, especialmente ao meu Tio Wilson e à Mônica e, sobretudo, por amor a todos que ficaram.</strong></p>
<p><strong>Obrigada por tanto amor.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* * *</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Christiane Nóbrega</strong> é advogada, escritora e mãe zelosa. Mestra nos escritos infantojuvenis, em 2020, foi finalista do Prêmio Jabuti com seu livro FIOS. É fundadora do Coletivo Editorial <a href="https://outros-sites-mariacogobo-com-br.myzifz.easypanel.host/"><strong>Maria Cobogó</strong> </a>e possui a risada mais gostosa do grupo.</p>
<p>**<strong>Imagem: </strong>recorte sobre foto de obra do artista espanhol <a href="https://www.pablopicasso.org/"><strong>Pablo Picasso</strong></a> (1881-1973)</p>
<p>&nbsp;</p>
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